Os vulcões que modificaram os polos da Lua

O Universo não é o lugar mais lindinho de se morar, mas é o único lugar… ao menos, por enquanto. Ou não. Sei lá. Só sei que este belo universo ordenado e criado por um projetista inteligente está a cada segundo pronto para nos mandar pra vala sideral. A Lua é um belo exemplo disso. O que antes era conhecida como uma imensa esfera maciça e lisa, Galileu provou que não é bem assim que a banda toca.

Se já não bastava ter sido criada por uma porrada que a Terra tomou de Theia, a Lua vem sendo bombardeada há bilhões de anos por meteoros e fustigada por emanações eletromagnéticas, partículas de alta energia e teve até gente pisando nela. É muito sofrimento.

Então, você pensa. Bem, pelo menos, nos pólos deve ser mais seguro, né? Bem, não é o que diz uma pesquisa, a qual diz que atividades vulcânicas intensas fez os pólos da Lua mudarem de lugar. Só falta ela ser arrolada nas denúncias do Lava-Jato!

O dr. Matthew Siegler é pesquisador do Jet Propulsion Laboratory – JPL e pesquisador associado do Instituto de Ciências Planetárias. Seus pés estão no chão, sua cabeça está no mundo da Lua. Ele e seus colaboradores estudam que diabos anda acontecendo com a Lua com o passar dos anos.

Coletando dados de diversas sondas, sejam indianas, norte-americanas e… não, Brasil, você não. Você não consegue mandar um nanossatélite pra cima. No máximo, superfatura um, tendo como custo final 400 mil reais e acabando por dar chabu (deviam ter usado fogos Caramuru).

Os dados das sondas trouxeram que em crateras próximas aos pólos havia grandes amontoados de hidróxidos diversos. Indícios de água? Mais do que isso. Indícios de atividade vulcânica. Sim, a Lua teve TPM algum dia da sua vida. Não suficiente, as marcas mostram que esses depósitos não estavam sempre no mesmo lugar, mas se deslocaram. Bem, não creio que algum ser sobrenatural tenha decidido fazer isso. O Apocalypse estava mais preocupado enfrentando os X-Men. Restou atividade vulcânica, mesmo.

A teoria mais aceita atualmente é que enormes erupções vulcânicas na região do Procellarum da Lua acabaram por inclinar o seu eixo, alterando a densidade da sua estrutura e sua distribuição de massa. Com a maravilha que muito provavelmente você não está fazendo a menor ideia do que eu estou falando.

O Oceanus Procellarum é o maior dos mares lunares. Tão grande que é o único chamado de “oceano”. Não que haja água lá, mas poderia haver um dia. Os “mares” da Lua são aquelas manchas escuras que você vê numa noite enluarada. Aquelas manchas são grandes de cicatrizes, vales, depressões, buracões causados por imensos asteroides. No caso do Oceanus Procellarum ele mede cerca de 2500 km de comprimento (quase 6 vezes a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo), com uma área de 4.000.000 km². Ele possui um tanto menos que a metade da área do Brasil (8.516.000 km²).

O Oceanus Procellarum é resultado de uma imensa pancada que a Lua tomou, ou, segundo outras teorias, atividade vulcânica. Eu voto pelos dois, pois a Natureza é sacana e capaz de mandar um monte de desgraceira de uma vez só. Vide o que aconteceu no Permiano aqui na Terra. A pesquisa de Siegler aponta que a atividade vulcânica teria sido extrema, e isso no deslocamento do eixo da lunar, o que pode explicar a distribuição um tanto quanto irregular de hidrogênio através do gelo polar, e implica que a maior parte da água existente atualmente na superfície da Lua surgiu no início de formação do Sistema Solar, em vez de ser depositada por atividade mais tarde.

Dessa forma, erupções maciças na superfície lunar poderiam ser as responsáveis por dar à Lua uma órbita instável, o que acabou por colocá-la em rota de colisão com outro corpo celeste que seria uma futura outra Lua. O choque fez a Lua ser o que a Lua é hoje e o resto é história, mas uma história que ainda não acabou por ser totalmente contada. Estamos recolhendo os capítulos do grande livro que conta a história planetária e demais corpos celestes de nossos sistema.

A pesquisa foi publicada na Nature e por 32 doletas você poderá ter acesso ao artigo completo. Depois essas editoras ficam boladas quando lady Elbakyan disponibiliza digrátis.

3 comentários em “Os vulcões que modificaram os polos da Lua

  1. André, não sei/não lembro o que aconteceu no Permiano, tem alguma matéria sobre aqui no Ceticismo?

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