Como antigos oceanos já regulavam reações químicas orgânicas

A maior pedra no sapato criacionista é explicar como a vida veio. Não, péra. Pra eles é fácil. Jesus veio, ergueu a varinha de condão e PUF! um elefante. Dai tentam invalidar a Teoria da Evolução apontando “incongruências” (que só existe na cabecinha oca deles) nas modernas teorias sobre a origem da vida, como se fossem a mesma coisa.

Bem, para haver vida é preciso haver moléculas auto-replicantes, como RNA e DNA. Para haver essas moléculas é preciso que haja reações de polimerização. Para haver reações de polimerização, é preciso que haja reações com substâncias orgânicas, isto é, substâncias baseadas em cadeias carbônicas. Para que haja reações com substâncias orgânicas é preciso… Bem, é preciso observar se essas reações são possíveis sem ação de um agente externo. Será que isso é possível?

O dr. Markus Keller é pesquisador do Centro de Sistemas Biológicos da Universidade de Cambridge. Ele e sua equipe estudam que diabos havia nos oceanos de antigamente, bem antigamente. Tão antigamente que yo momma ainda nem tinha nascido.

O problema é que sabemos muito pouco sobre as origens evolutivas de metabolismo celulares. O principal problema é que primeiro surgiu o metabolismo, depois é que surgiu as células. Sem metabolismo, nada de células. Mas como vai ter metabolismo sem ter ser vivo? O que veio primeiro? A galinha, o metabolismo, o ovo ou as células? Resposta: a Química!

Para organismos complexos, enzimas são necessárias para que reações químicas ocorram; mas no início, não havia sistemas complexos, então, as reações eram mais simples. O que a pesquisa de Keller e seu pessoal busca é analisar se reações não-enzimáticas seriam capazes de trabalhar com açúcares e e fosfatos para gerar energia e alimentar a reação química subsequente, o que é primordial para que haja princípios de reações para a formação de moléculas auto-replicantes.

Pesquisas sobre a possibilidade de reações orgânicas em oceanos primitivos era possível. Sim, são, conforme a pesquisa realizada pelo próprio pessoal de Keller, publicada no periódico Molecular Systems Biology. Amostras de sedimentos foram usados para reconstruir os oceanos primitivos da Terra. Keller e sua intrépida trupe descobriram que os ingredientes disponíveis podiam muito bem reagir e formar substâncias essenciais para a vida. Mas isso só não basta.; Ter uma pilha de tijolos não implica que você tenha uma casa. É preciso montar essas peças e, pior ainda, saber se há condições para que essas peças se encaixem.

Ahan, claro que você vai pensar que isso implica que alguém montou as peças. Basta observar em laboratório certa quantidade de solução concentrada de formaldeído e você notará que ele, sem a necessidade de fator externo, passa a se polimerizar, formando o paraformaldeído. Da mesma forma, dentro de vulcões muitos cristais de formas complexas se formam, e eu nem vou tocar no assunto do interior de estrelas.

Claro, não basta acontecer uma reação química. Um metabolismo é regulado, isto é, as reações começam, param em determinadas condições, reiniciam e assim continua um ciclo. Se antes foi descoberto que os oceanos abrigavam um sistema de produção, agora sabemos que era um sistema industrial completo, com regulações acontecendo em nível químico, e sem a necessidade de enzimas. Chorem, criacionistas.

Nah, eu sei que vocês colocarão defeitos, mas aí [e só uma questão de vocês mostrarem seus artigos com revisão de pares. :D

Depois de mais de 4.000 análises com técnica de espectrometria de massa e experimentos usando ressonância nuclear magnética, Keller e seus colaboradores descobriram duas variáveis ??que poderiam ter regulado diferentes reações orgânicas antigamente: níveis de pH e concentrações de ferro. Os primeiros oceanos tinham níveis muito mais elevados de ferro do que hoje, e como não tinha aparecido nem vida ainda, quanto mais organismos fotossintetizantes, não havia oxigênio para atacar essa quantidade de ferro II, convertendo-a em ferro III, tendo, inclusive, presença de ferro livre.

Ficou interessado? Que ótimo! O artigo publicado na Science, com a devida revisão por pares, está disponível para acesso aberto. mostre para aquele chato criacionista, mas fique avisado: ele não só não lerá com ainda apontará vários erros, afinal, nada daquilo está na Bíblia.

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