Experiências de Quase Morte comprovadas pela Física Quântica. Planck revira-se na tumba

Chegamos na Nova Era com ideias idiotas da Idade Média. Malucos profissionais alijam malucos amadores e tudo caminha pela estrada de tijolos amarelos da insânia, cantando "The hiiiiiiiiiiiiiills are aliiiiiiiiiiiiiiiive… by the sound of musiiiiiiiiiic" (sim, eu sei!)

Agora, para fazer meu Dia das Bruxas mais completo (EU SEI!), um grupo de "pesquisadores" procura usar o poder místico-científico da Física Quântica, passada pelo espírito de Niels Bohr incorporando os médiuns. Saravá, mizifeynman!

A doideira foi-me trazida pelo Marcos Roberto, que anda antenado com esse lance de espiritualidade, Nova Era e se diverte com isso (ou então é sádico e quer me ver sofrer). O que acontece é a "pesquisa" envolvendo situações que são chamadas de Experiência de Quase Morte, onde algumas pessoas passam por experiências num estado em que estão quase mortas.

Experiências de Quase Morte (ou EQM) são aquelas ocorrências descritas por pessoas que estavam mortas clinicamente por alguns segundos ou minutos, mas foram reanimadas pelos poderes supremos de Nosso Senhor Jesus Cristo toda tecnologia médica e profissionais empenhados em salvar vidas. Normalmente as pessoas passam por túneis, veem anjos, ouvem música e só faltam dar de cara com o Patrick Swayze. As pessoas são atraídas para a luz (a LUZ, Caroline, venha para a LUZ!), mas em algum ponto elas acham que voltar todas ferradas num mundo feio, chato e bobo é mais legal que sentar no colo de Jesus (prefiro o Inferno. Pelo menos tem futebol, mulata, cerveja e o Capeta me receberá como um tio querido).

O dr. Stuart Hameroff é anestesista e professor da Universidade do Arizona. Além disso é diretor do Centro de Estudos da Consciência e eu estou consciente que isso é um monte de besteira. Segundo o besteirol, a alma de uma pessoa fica presa em microtúbulos dentro do cérebro. Quando a pessoa está clinicamente morta, a alma meio que tenta fugir, e algumas vezes ela é "puxada" de volta. Não, eu não fumei, injetei, inalei ou enfiei qualquer coisa em outro orifício para dizer isso. A notícia é do Daily Mail.

Essa ideia estúpida de almas em microtúbulos das células do cérebro é compartilhada por Roger Penrose, físico e matemático da Universidade Oxford. Mas 50 milhões de pessoas acreditando numa coisa idiota não fará essa coisa deixar de ser idiota.

Essa bobajada toda prega que a consciência é um programa para um computador quântico no cérebro, que pode persistir no universo, mesmo após a morte, a explicação da percepção daqueles que têm experiências de quase morte. Enquanto isso, o dr. Edson Amâncio demonstrou que isso estava mais ligado à epilepsia do lobo temporal do que eventos místicos. A mesma epilepsia que Ellen G. White sofria e ouvia vozes… todo o tempo. Outros estudos apontam que dióxido de carbono têm atuação durante este tipo de experiência.

Hameroff diz que em seu estado quântico, a informação dentro dos microtúbulos não é destruída. Em vez disso, simplesmente deixa o corpo e retorna ao cosmos. Carl Sagan faz um Facepalm e Max Tegmark desafiou Hameroff a provar todas as suas alegações, mas não foi atendido. Em 4 de fevereiro de 2000, Charles Seife publicou o artigo Cold Numbers Unmake the Quantum Mind no periódico Science, onde o argumento básico é que as temperaturas no cérebro são muito altas para que átomos, fótons ou elétrons possam permanecer em uma posição de super-estados por mais de 10–13 segundos. Uma vez que os processos neurais funcionam na ordem de milésimos de segundo, não haveria maneira para o cérebro tirar vantagem de efeitos quânticos. Stuart Hammeroff faz uma sugestão vaga que o cérebro pode ter uma maneira de contornar este problema. Vocês podem ler o transcrito AQUI (sim, em inglês).

Hameroff usa como arma o fato de processos energéticos como a fotossíntese serem explicados pela Mecânica Quântica e os sistemas de navegação dos pássaros. Com isso, a sua teria do uso de forças quânticas para as EQM está provado.

FALÁCIA!

A fotossíntese não é apenas pegar nutrientes do solo, misturar com água, CO2 e, através de luz solar, produzir glicose, onde a reação é catalisada por clorofila. É muito mais complicado, mas devemos ter em mente que a Mecânica Quântica empregada é para responder em como a energia recebida do Sol (mais especificamente pela luz ultra-violeta) é usada pelos organismos fotossintetizantes.

De princípio, temos que plantas fazem fotossíntese com lçuz ultravioleta pois esta é uma emissão eletromagnética com grande energia armazenada. Tentem criar uma samambaia iluminando-a apenas com luz vermelha e me digam o que acontece. Luz vermelha tem pouca energia e é por isso que os "quartos escuros" usados na revelação de fotografias são iluminadas por lâmpadas vermelhas. A  sua luz tem pouca energia e não ativa a reação fotossensível do nitrato de prata.

Dizer que fotossíntese é explicada pela Mecânica Quântica e, por isso, os microtúbulos guardam a alma das pessoas é o mesmo que dizer que aviões voam e isso prova que o Gojira atacou Tóquio.

Mas falar em Física Quântica virou moda entre os enganadores. Desde o Deepak Chopra até Amit Goswami, passando por aquela bibliografia de primeira linha como O Segredo e o Quem Somos Nós. Alegar que são cientistas com doutorado e trabalhando em universidades não passa de apelo à autoridade. Isso não é admissível em Ciência. O que é admissível são experimentos, trabalhos reproduzidos, dados concretos, testes honestos, resultados conclusivos e muita, muita pesquisa. Teorias idiotas não-reproduzíveis e sem ter o menor embasamento à luz do Método Científico não passa de piada velha e sem graça.

No mais só resta o mesmo blábláblá de sempre, doutor isso, doutor aquilo. Publicações que é bom, para vermos a pesquisa, nada de nada de coisa alguma. Fator de Impacto dessa gente é algo alienígena para eles.

13 comentários em “Experiências de Quase Morte comprovadas pela Física Quântica. Planck revira-se na tumba

  1. Microtúbulos nas células que guardam a alma… essa entrou para a lista das coisas mais idiotas que eu já ouvi, junto com uma virgem que dá a luz e aquela estória dos três que são um. Esse post cairia bem numa “Sexta Insana: Especial Finados” :grin:

    1. @olhodn, Não sou o Nihil e nem nipônico, mas acho que posso explicar:
      O monstro que você está acostumado a conhecer, um tiranossauro radioativo, nasceu no japão com o nome de Gojira (se não me engano Baleia Monstro ou Lagarto baleia). Se você só conhece a iguana gigante, se mate por favor.
      Nos EUA, um povinho capenga pra caramba (mas nem tanto quanto o daqui) não conseguia pronunciar Gojira e modificaram o nome do bicho pra Godzilla, bem mais fácil pronunciar, certo?
      Bom, como o povinho do nosso país não é melhor que o de lá de cima, ficou com esse nome aqui também.

      1. @JCFerranti,
        O Google deu mais referências sobre uma banda francesa de progressive death metal. Concluí apressadamente que se o original fosse Gojira deveria aparecer muitas referências diretas para o fato.

        1. @olhodn, Eu não estranharia se me dissessem que 90% da net está em inglês, assim é normal que em uma pesquisa do Google apareça mais o termo inglês do que o japonês, principalmente escrito no nosso alfabeto e não em ideogramas, hehehehe

  2. O artigo apenas faz shame e nada mais. No século 17 Galileu Galilei quase foi queimado por pessoas iguais a este autor pq ele dizia uma coisa que até então eram inaceitáveis para os ignorantes da época. Bom….vou até ali rir um pouco he he he

    1. Você está certo, exceto por uns detalhes

      1) Galileu não “quase foi queimado” principalmente porque ele era amigo do Papa

      2) Galileu não foi processado pelos seus trabalhos científicos e sim porque dizia que a ICAR interpretava a Bíblia errado e só ele sabia interpretá-la direito

      3) Diferente de religiosos retardados, burros e ignorantes (tipo você), eu estou esperando as provas

      4) Mecânica Quântica não tem nada a ver com o Gasparzinho

      Mas tudo bem. Você pode me provar que eu estou errado. Pode começar. Fontes confiáveis, é claro, com publicação em periódico com revisão de pares.

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