IgNobel de 2010 premia pesquisa relacionada com palavrões

A essa atura do campeonato, você já sabe o que é o IgNobel, principalmente se você for alguém antenado e que acessa o Cet.net, demonstrando seu bom gosto. É um prêmio concedido anualmente para as pesquisas mais esquisitas, bizarras, doidas e totalmente hilárias. Ainda assim são científicas, e passam por revisão de pares. Nem pra isso o CriaBURRIcionismo prestou. A pesquisa desse ano tem mais contemplados, inclusive um deles foi agraciado por ter estudado o efeito pacifista de xingar com palavrões cabeludérrimos (não necessariamente “nu tuíter”).

O discurso que abriu o Ig Nobel, com a saudação “Senhoras, senhores e distintas bactérias”, deu o tom da noite. Antes do início da cerimônia, as pessoas eram convidadas a limpar as mãos utilizando álcool-gel distribuído por atores no palco. Além disso, uma mini ópera, executada em quatro atos, contava a história de um grupo de bactérias que vivia na superfície do dente de uma mulher e tencionava dominar o mundo. Grupos de estudantes passavam na frente da plateia com cartazes pedindo o fim do “germicídio”, como bem preza a cultura vegan. Como é de praxe no IgNobel, o evento sempre é apresentado por um cientista que ganhou o prêmio Nobel (o verdadeiro). Este ano contou-se com a participação do dr. Sheldon Cooper, digo, dr. Sheldon Glashow, ganhador do Nobel de Física, em 1979, entre outros ganhadores do Nobel. Confiramos os premiados, irmãos. Envelope, por favor. And the IgNobel goes to…

Economia: Para os diretores da Goldman Sachs, AIG, Lehman Brothers, Bear Stearns, Merrill Lynch, e Magnetar. Segundo suas magníficas pesquisas em “técnicas criativas de investimento que levaram a economia global à recessão”. Como responsáveis pela criação e promoção de novas formas de investir dinheiro, de forma a maximizar o ganho financeiro e minimizar o risco financeiro para a economia mundial, sua participação acabou esmagando quaisquer pretendentes (ou não tão pretendentes) ao prêmio deste ano. Infelizmente, os laureados são menos educados do que especialistas em finanças (será?) e sequer responderam ao convite feita pelo comitê organizador. Deve ser a humildade…

Saúde Pública: Manuel Barbeito, Charles Mathews, e Larry Taylor, do Gabinete de Saúde e Segurança Industrial, de Fort Detrick, Maryland. Eles determinaram experimentalmente que os micróbios se agarram com vigor em cientistas barbudos. Vai um prestobarba aí?

Química (é nóis!): Eric Adams, do MIT, Scott Socolofsky da Universidade do Texas, Stephen Masutani da Universidade do Havaí e a British Petroleum, para desmentirem a velha crença de que água e óleo não se misturam. Congratulations. Ainda ganham um troféu Joinha!

Administração: Alessandro Pluchino, Andrea Rapisarda, e Cesare Garofalo, da Universidade de Catania, na Itália. Os carcamanos demonstraram matematicamente (!) que as organizações se tornam mais eficientes quando promovem as pessoas de forma aleatória e não por meritocracia. Porca miseria, deve ser por isso que eu não fui promovido ainda!

Biologia: Libiao Zhang, Min Tan, Guangjian Zhu, Jianping Ye, Tiyu Kong, Shanyi Zhou e Zhang Shuyi da China, e Gareth Jones, da Universidade de Bristol, Reino Unido. Eles documentaram (não, não sentaram no pé de menta) — de forma inquestionavelmente científica — a felação entre morcegos! Não, não havia nenhum pássaro vestido de vermelho e amarelo junto.

Física: Lianne Parkin, Sheila Williams, e Patrícia Priest, da Universidade de Otago, Nova Zelândia. A fim de estudar o efeito do atrito sobre superfícies congeladas, de forma que as pessoas possam se prevenir contra escorregões, os pesquisadores determinaram que as pessoas escorregarão menos se usarem meias por cima dos sapatos.

Logística de Transportes: Toshiyuki Nakagaki, Atsushi Tero, Seiji Takagi, Tetsu Saigusa, Kentaro Ito, Kenji Yumiki, Ryo Kobayashi, do Japão, e Dan Bebber, Mark Fricker do Reino Unido. Como os pesquisadores acham que todo o planeta se comporta como uma coisa só, como na hipótese de gaia, então qualquer detalhe pode ter sua explicação no mundo natural. Assim, eles determinaram as rotas ideais para ferrovia, estudando fungos como o Dictyostelium discoideum, que pertence ao filo Mycetozoa. Em resumo, quando você estiver preso num trânsito, culpe os fungos! Aliás, os pesquisadores já tinham ganho o prêmio em 2008, por mostrar que mofos sabem solucionar labirintos.

Medicina: Ainda bem que temos cientistas como Simon Rietveld da Universidade de Amsterdã e Ilja van Beest da Universidade de Tilburg, ambos da Holanda. Eles descobriram como tratar de forma eficaz os sintomas da asma: Através de um passeio de montanha-russa! É uma pesquisa de altos-e-baixos…

Engenharia: Karina Acevedo-Whitehouse e Agnes Rocha-Gosselin, da Sociedade Zoológica de Londres, Reino Unido, e Diane Gendron do Instituto Politécnico Nacional, Baja California Sur, no México. Elas aperfeiçoaram um para coletar ranho baleia (mas, hein?), usando um helicóptero de controle remoto! Sim, eu tambem achei nojento, mas adoraria brincar com o aeromodelo.

Last but not least:

IgNobel da Paz: Richard Stephens, John Atkins e Andrew Kingston da Universidade Keele, Reino Unido. Segundo suas pesquisas, ficou demonstrado que que as palavras de baixo calão ajudam quem as profere a aliviar um momento de dor. Seu experimento comparou o resultado com voluntários que tinham de praguejar usando palavras educadas. O resultado é que quem mandou tudo pra PQP teve alívio maior.


Leia o que já publicamos sobre o IgNobel.

5 comentários em “IgNobel de 2010 premia pesquisa relacionada com palavrões

  1. Gostei mais do prêmio IgNobel da Paz: “… as palavras de baixo calão ajudam quem as profere a aliviar um momento de dor.”. Essa foi ótima.

  2. Experimentei fazer isso depois da apuração dos votos, principalmente quando soube da vitória do Tiririca. Tive resultados positivos, mas confesso que não fiquei totalmente satisfeita. Talvez uma abordagem não-verbal, como socar algumas almofadas :mad: . Pode ser relevante para a pesquisa.

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