
Se tem uma coisa que o Brasil domina com maestria é transformar discussões sérias em novelas mexicanas de quinta categoria, com direito a vilã, mocinha, tapas retóricos e, claro, pedidos de cassação com trilha sonora dramática. Desta vez, o palco foi a sempre serena (só que não) Câmara Municipal de Curitiba, onde uma audiência pública sobre segurança, saúde e políticas de drogas terminou em gritaria parlamentar (se teve dedo no cu, não informaram) e acusações de todo tipo para todos os lugares, e isso por causa de um folder, ao que muitos só faltaram perguntar se queriam folder com avida dos que estavam lá.
Acompanhando rinha de parasitas curitibenses, esta é a sua SEXTA INSANA!
Tudo começou quando Titi, uma das minhas espiãs (sempre soa mais chique que “fofoqueira profissional) me trouxe informações da zica que deu por causa de um folder. Isso mesmo, um pedaço de papér com orientações sobre redução de danos que foi tratado com a mesma seriedade de um carregamento de cocaína no porta-malas de um vereador adversário. O material sugeria, entre outras coisas, que quem for usar LSD “comece com pequenas quantidades”. E foi o bastante para o show de horrores começar.
Segundo os parasitas indignados da vez, ensinar como usar drogas com mais segurança é o mesmo que incentivar o consumo. Pela mesma lógica, falar para usar cinto de segurança é o mesmo que dizer para você bancar o veloz e furioso, iniciando uma campanha pró-batida de carro.
A vereadora Professora Angela (PSOL) levantou a lebre que política de drogas não é só coisa de polícia, mas também de saúde pública. O vereador Da Costa (União), ex-Meganha e atual porta-voz do Apocalipse Moral, decidiu pedir a cassação da colega e, de quebra, notificou o Ministério Público, provavelmente depois de fazer o sinal da cruz. Eu ouvi um amém?
Ele relatou que viu os panfletos e quase teve um ataque moral ao ler que existiam instruções sobre uso de crack, LSD e cogumelos, que segundo a mente asinina dele parece que fora escrito como se fosse um cardápio gourmet. Como quer seu LSD, monsieur? Bem passado na língua, s’il vous plait!
Outros parlamentares se juntaram ao coro do ultraje, incluindo a Delegada Tathiana Guzella, que chamou tudo de “crime cometido dentro da Casa”. A distinta Meganha-Chefa partiu do mesmo ponto que o Meganha-Subordinado: um panfleto que começa com “como usar da melhor forma, para um melhor aproveitamento, o LSD, o crack, cogumelos” e termina com “evite usar sozinho (mas se for, avisa um amigo)”. A levógira só faltou dizer: “Se for dirigir, não meta o focinho no pó. Se for meter focinho no pó, chama nóis!”
O troço acabou sendo considerado algo como um tutorial do YouTube impresso, só que com menos responsabilidade editorial e mais confusão sobre o que é prevenção e o que é um convite para o delírio psicodélico controlado.
Não que informar sobre redução de danos seja um problema. Muito pelo contrário! Mas convenhamos: esse material parece ter sido escrito por um estagiário que acabou de sair de uma rave e achou que “didática” era nome de DJ. Falta contexto, falta bom senso, e falta aquele mínimo cuidado de pensar: “Será que isso aqui vai ser interpretado como incentivo direto ao uso de drogas psicodélicas tanto por doidões quanto pela polícia?”
Sim, eu sei. Estagiário normalmente é jovem, e jovem faz o que todo jovem faz: merda. Restado: a Prof (que deve ser pedagoga. Porque… né?) ganhou um pedido de cassação, mas seu departamento jurídico (uns outros jovens) estão mandando a egípcia alegando que não sabem de nada, não viram nada, não ouviram nada. Eles estão prestes a perder a boquinha na Câmara.
A Câmara mandou ofício “não sei nada do que vocês estão falando, vamos investigar, provavelmente, vamos enterrar esta merda toda”. O importante é não enfiarem o nariz onde não foram chamados.
Fonte: Bem Paraná-uê, paranauê, Paraná.

Um comentário em “Arranca-rabo entre vereadores por causa de papel e LSD”