O sucesso de Singapura na luta contra o COVID-19 tem um nome: higiene. Brasil? Deixa pra lá

Todo mundo puxa o saco da Nova Zelândia como um exemplo de combate ao coronavírus, ou corona vírus, ou COVID-19 ou coronga, mesmo. Não que estejam errados, mas há uns detalhes que devem ser verificados, como o fato da Nova Zelândia ser uma ilha Oceano Pacífico, a cerca de 42 km da Austrália. Mas eu prefiro checar outro país: Singapura, que poucos mencionaram até agora (aka, quase ninguém), sendo que ela, apesar de ser uma ilha, está coladinha com Malásia (pelo Estreito de Johr) e Indonésia (separados pelo Estreito de Singapura).

Seus números de casos de coronga são ridículos, mas a que se deve isso?

Primeiro de tudo, vamos ver os números dos vizinhos e Singapura.

Malásia teve 634 mil casos de COVID-19, com 3.611 mortes.

Indonésia teve 1,88 milhão casos de COVID-19, com 52.162 mortes

Singapura é um país do sudeste asiático que nada tem de similar aos seus vizinhos. Apesar de ter uma longa história que data de séculos, profundas mudanças começaram quando Thomas Stamford Raffles chegou lá em 28 de janeiro de 1819, como enviado da Companhia Britânica das Índias Orientais, fazendo de lá um novo porto comercial. Ingleses vieram, ingleses se foram, ninguém deu a menor pelota, Japoneses chegaram a Segunda Guerra Mundial e tocaram o terror. Japoneses vieram, japoneses se foram e até 1965, Singapura ficou sob controle da Malásia até que com a independência tudo mudou.

Observação: Tanto o nome Cingapura quanto Singapura estão certos. Nenhum dos dois está presente no VOLP. Alguns dicionários usam Cingapura e outros Singapura. Preferi escrever com S.

Singapura adotou um sistema de governo que mais parece uma empresa. Mas uma empresa bem rígida. Meritocracia é estimulada e apesar de você pensar que é um país pobre, com ricos impedindo os pobres subirem na pirâmide social, Singapura estimula o trabalho e que pobres saiam da pobreza e melhorem de vida. Singapura não é imbecil de achar que ter uma população pobre e miserável fará o país evoluir, pelo contrário.

Os números de Singapura impressionam e isso por causa de um governo austero, com tolerância zero para qualquer tipo de crime. E por “crime” entendemos desde corrupção e outros crimes de colarinho branco até cuspir na rua.

Sim, isso mesmo. É crime cuspir na rua. Se você for pego só mascando chiclete na rua, pagará multa. Alguns acham exagero, mas vejamos os números:

Singapura teve 62.223 casos de COVID e apenas, repito, APENAS, 34 mortes. Bem próximos aos números da Nova Zelândia, com 2.697 casos de COVID-19 e um número impressionante de 26 mortes, apenas (impressionante no bom sentido, apesar de 26 mortes já ser muito).

A diferença é que o forte da Nova Zelândia é o turismo e bastou fechar o aeroporto que a ilha ficou isolada. Como dito, Singapura está ali coladinha na Malásia. O diferencial é que Singapura sempre levou limpeza e higiene a níveis paranoicos muito antes do coronga aparecer.

Se japoneses já são fanáticos com limpeza e o uso de máscaras é uma realidade cotidiana, em Singapura isso é levado ao extremo, com décadas de investimento em saneamento básico de ponta, com projetos que começaram já em fins da década de 1960. Isso levou a um combate efetivo da dengue e outras doenças inerentes à falta de saneamento básico, incrementando-se a de despoluição do Rio Cingapura num projeto de dez anos (ou 2 mandatos e meio de um prefeito de cidade brasileira), plantio de árvores em toda a ilha e a realocação dos vendedores ambulantes de comida em centros cobertos voltados para isso, com fiscalização sistemática da qualidade da comida vendida na rua.

Campanhas nacionais de higiene pública continuam todos os anos, reforçando que isso já diminui bastante o trabalho de equipes de saúde, evitando superlotamento de hospitais.

O reflexo disso se vê que em Singapura, uma cidade-estado com área de 719 km² e população de 5,866 milhões habitantes tenha um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 372,1 bilhões.

Vamos examinar a cidade do Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país.

Rio de Janeiro tem área de 1.255 km², população de 6,748 milhões de habitantes e PIB de R$337,6 bilhões (ou 66,58 bilhões de dólares, pela cotação de hoje).

Rio de janeiro teve 894 mil casos de COVID-19, com 52.094 mortes.

Eu peguei o exemplo do Rio por causa da área da cidade e a população, mas se quiser pegar São Paulo, fique à vontade. Obviamente, se for pegar alguma cidadeca do interior com população medida em milhares, não será adequado, e trazer à baila o exemplo da cidade de Serrana, é apenas mascarar dados. Serrana tem cerca de 45 mil habitantes, menos da metade da Favela da Rocinha. O total de vacinas que foram aplicadas no ESTADO do Rio foram:

1° Dose: 3.696.776

2° Dose: 1.695.133

Então, estamos com um número de vacinação ridículo (mas alto se você comprar com uma cidadeca que não enche o Maracanã, escolha a comparação que lhe aprouver), mas com número de mortes estupendo. O que está acontecendo?

Resposta: população idiota. E não é só no Rio, é no país todo. Lembram das campanhas de higiene (não de vacinação, higiene, mesmo. Tipo: lave as mãos e dê descarga)? Aqui, o uso de máscaras é visto como um acinte, e não é apenas por causa do Idiota-Mor que governa esta pocilga de país. Qualquer tentativa de higiene é mal-vista pela população. Dória pintando a cidade, reclamam dos pichadores coitadinhos que “embelezavam” com seus lixos. César Maia fez um grande programa de reurbanização da cidade, pessoal reclamou que a cidade estava um canteiro de obras. Uma das ações era o projeto Favela-Bairro, que procurava reurbanizar a favela e transformá-las em bairros. Sim, foi criticado porque “não se ouviu a população”. Um dos motivos é que, transformando em bairros, as casas teriam proprietários reconhecidos e daí teriam que pagar impostos inerentes, além de água e luz.

Implante-se um programa de higiene e fatalmente vai haver reclamação, já começando pela imprensa. No Brasil que as pessoas afetadas por chuvaradas, com os bueiros entupidos ajudando a inundar tudo, a própria população porca entope bueiros achando que lá é lixeira. A população que acharia leis para manter a cidade limpa um abuso de poder, já que só o uso de máscara já é visto como um acicate contra liberdade individual, pouco se fodendo para o conceito de evitar que isso afete outras pessoas ao redor, assim como leis limitando a velocidade são consideradas um absurdo, pois o carro da dondoquinha tem desempenho maior. É um direito divino o “princeso” andar no limite do carro, não de velocidade das estradas.

Num país como o Brasil, qualquer medida que não dure até a próxima eleição é deixada de lado. Os políticos precisam ter algo a mostrar e serem reeleitos. Se vão continuar, é outra história. Se não forem eleitos, quem for não continuará, pois é trabalho do outro. Se for reeleito, não tocará o trabalho, pois aí se resolve o problema e não se tem argumentos para eleger o sucessor do mesmo partido.

Singapura: apenas 34 mortes, e 34 já é muito. Foram 34 famílias que choraram pela perda. Aqui? Estamos indo para 500 mil, mas quem se importa, se é a família DOS OUTROS?

O brasileiro não é vítima de nenhum vírus ou de um suposto planejamento genocida (como se algo pudesse ser feito com eficiência aqui). É vítima do próprio brasileiro, e uma vítima que é responsável por outras vítimas, pois está pouco se importando.

Com um pouco de sorte, daqui a alguns anos teremos mais singapurenses que brasileiros, mas pelo visto, ainda teremos que ficar aturando esta escória, mesmo.


Fonte: BBC

4 comentários em “O sucesso de Singapura na luta contra o COVID-19 tem um nome: higiene. Brasil? Deixa pra lá

  1. Um curioso caso de Singapura é que sua independência não foi por vontade própria, em termos simples, ela foi expulsa da Malásia, hj a Malásia chora como o Ronald Wayne hehehe. Outra coisa, a insanidade no Brasil parece cada vez mais aumentar, chegou ao ponto que eu escutei gente falando que o uso de cadeirinha para criança em carro deve ser um escolha dos pais, pois do contrário “inflige a liberdade”,tsc, tsc, tsc…🤦‍♂️

    1. E a pessoa ainda disse, justificando, que multar imbecil por andar sem máscara na rua é uma prova do aumento das restrições e perda da liberdade que estamos sofrendo🤦‍♂️

  2. O pior é que tem gente achando que a culpa dos números da pandemia não é da população, a culpa é d’E.L.E.S(sim, “E.L.E” ou “E.L.E.S”, a famosa entidade invisível que supostamente governa o mundo por baixo dos panos). “E.L.E” quer exterminar a população brasileira (não me parece má ideia. De repente E.L.E é sensato). Distanciamento social? Uso de máscara? Lavar as mãos? Vacina? Tudo isso é farsa, rs.

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