Analisando séries e filmes de super-heróis VI

A falta de super-heróis nos filmes da Disvel

Se você chegou agora, eu estou com uma série analisando filmes e séries de super-heróis, e quando me vir falando de Disvel, estou me referindo à fatia da Marvel adquirida pela Disney. Não necessariamente todo o MCU, já que o Homem-Aranha ainda pertence à Sony e o Hulk ainda está mais sob domínio da Universal que da Disney (e nem incluo o Hulk na categoria “herói”).

Eu defendo que quem gosta de filmes da Disvel não gosta de filmes de super-heróis. Divel entendeu isso e o que ela faz com os filmes eu explicarei depois quando eu contar pra vocês a receita do sucesso dela, mas eu preferi explicar meu ponto de vista do porquê os filmes do MCU (vamos descartar o do Cabeça-de-Teia) não serem filmes de super-herói. O motivo é simples: eles não são super.

Aliás, vamos ser honestos: Marvel (cof cof Stan Lee) nunca gostou de super-heróis super. Para Smiling Stan, isso era inconcebível. O sujeito tinha que sempre estar na merda. Temos um Peter Parker, gênio da ciência que criou até as teias sempre ferrado. Sei lá, mas se eu fosse tão bom quanto ele, arrumaria emprego numa grande empresa. Nem precisaria dos poderes de aranha. O sujeito prefere ser fotógrafo de freela. Eu entendo Tony Stark ter entrado no arco Demônio da Garrafa. Foi um pedido para retratar os problemas do alcoolismo. Ok, isso é aceitável


Quando o Romita sabia desenhar e não tinha surtado de vez

No filme Ironman 2 eles tentaram este arco, mas o que estava ferrando com a saúde dele a ponto de ele meter o louco foi o gerador de arco, até que ele cria um novo elemento com um acelerador de partículas (para mim, era um MASER, mesmo) caseiro, como se o pai dele tivesse previsto que ele iria precisar no futuro (ninguém espera sentido nos roteiros do MCU, né? Pelo menos, não estão no nível dos X-Men… ainda). Talvez o Homem de Ferro seja o único super-herói super da Disvel, porque se formos examinar o Capitão América, veremos que como muitos ali ele foi nerfado.

Se você não sabe o que é “nerfado”, tio André explica. NERFs são aquelas arminhas fofas coloridinhas que disparam “balas” de plástico e borracha usadas por gente sem idade legal ou mental para comprar armas de verdade. Se bem que alguns marmanjos compram também e exageram a mão:


Obviamente, tentando compensar algo

Então, quando dizemos que algo é “nerfado” significa que teve sua grandeza e opulência reduzidos a um nível ridículo. É como se pegássemos o Godzilla e o transformássemos no Godzucki, e se você sabe do que eu estou falando sem ir no Google, parabéns, você tem grandes chances de receber vacina contra coronga antes de todo mundo, mesmo sem ser ministro do STF.

O Capitão América toma o soro do super-soldado e a primeira coisa que fazem com ele é transformá-lo em vedete do Carlos Machado para conseguir bônus de guerra. Ele tem super-força e velocidade, mas o máximo que ele consegue é usar seus poderes da forma mais inútil, como erguer motocicletas com outras vedetes. Na hora que ele precisa ir resgatar os soldados presos, precisou juntar um monte de cabeças, quando normalmente ele daria conta.

Outra coisa que me incomodou o Cap: ele é um cuzão. Não, reparem bem. Mesmo quando ele era frangote chama os outros para a porrada (e apanha), com o namorad… Bucky Barnes ajudando-o. Quando ele fica fortão, continua um cuzão, só que agora ele pode bancar o Bullie, como na cena de Vingadores, quando ele perde uma discussão pra Tony Stark e diz para irem resolver no ringue por alguns rounds. Aliás, interessante como o maluco irresponsável do Tony Stark reduz o Capitão América, o ícone da Liberdade, a um idiota com muito músculo e pouco cérebro quando Rogers diz que ele não sabe o que é um companheiro se deitar sobre arame farpado para que seus amigos de tropa passem por cima e Stark owna dizendo que ele cortaria o arame, que seria a coisa mais ridiculamente simples que alguém pensaria em fazer.

Outro momento “bullie cuzão” acontece em Era de Ultron, em que Stark e Rogers estão cortando lenha na casa do Galinhão Arqueiro e a discussão, mais uma vez, envereda pra Stark tendo razão, ainda que por vias tortas:

Stark: “Banner e eu pesquisávamos…”
Rogers: “O que afetaria a equipe.”
Stark: “Que daria um fim nela… Essa não é a missão? Não é o motivo de lutarmos? Acabarmos com a luta e voltarmos para casa?”
Rogers: “Sempre que tentam vencer guerras antes de começarem, inocentes morrem.”

Rogers diz isso depois de quebrar uma acha de lenha com as próprias mãos e é nítido como ele se controla no último instante. Para ele, que sempre quis ir para a guerra, que foi para a guerra e virou picolé durante a guerra, só existe a guerra. Ele é apenas um soldado, uma máquina. Não muito diferente de John Rambo. Para ele, só existe a próxima missão, e a próxima e a próxima, numa escala sem fim de violência, alegando que quando se tenta o caminho do pacifismo tentando impedir guerras, dá errado. Rogers e Stark entram no mesmo dilema moral que o Super-Homem e o Batman, em que o Batman diz que o Super “sempre diz “sim” a alguém com um distintivo… ou uma bandeira”. Rogers é mostrado caindo nisso e se mostrando uma máquina sem cérebro, não o estrategista dos quadrinhos. Aquele que se põe contra tudo e a todos pelo que é certo e como veremos já, já, Disney tirou isso dele com um machado mais afiado do que o que Stark estava usando para rachar a lenha.

Isso fez com que Steve Rogers, o Capitão América, símbolo da luta pela Liberdade, agisse como uma criança que tem que ser levada pela mão, pois acredita em fantasias como guerras serem tão inevitáveis que não é preciso investir em negociações de paz. Temos aqui uma coisa interessante. Bucky foi “adultizado” e o Steve Rogers infantilizado. Eu falo isso porque, nos quadrinhos, Bucky é o “Robin” do Capitão América, e praticamente tinha a mesma função: viver caindo em armadilhas e ter que ser salvo pelo herói principal:


Pense em alguém que mais atrapalha do que ajuda

No início, tudo tem que ser feito na base da porrada, como qualquer soldado sem cérebro e sem poder de decisão faria, embora a realidade é que soldados capazes de serem pro-ativos, sem esperar por ordens na falta de um oficial por perto para lhe dizer o que é pra fazer. É assim que medalhas por bravura são dadas, mas pareceu que não é esse o caso do Capitão América do MCU. Só na batalha de Nova York o Capitão parece assumir alguma liderança. Por sinal, ele ensina a Thor, Deus do Trovão, como usar os poderes dele, este sobe até o Empire State e eletrocuta um monte de Ch’tauris. Mas por que ele não fez isso mais vezes preferindo simplesmente bater com o Mjolnir? Isso não faz um puto de sentido! Aliás, o que menos o Thor faz é usar os seus poderes. O único momento que ele foi o deusão fodão foi em Thor Ragnarok, e o Taika Waititi foi demonizado. Daí acaba na cena que eu considero constrangedora com o Capitão América pegando o Mjolnir e usando os poderes do Thor melhores que o próprio Thor. Nada de errado nisso, já que a magia (MAGIA, GENTE! Esqueçam esta frescura de agora que o Mjolnir tem personalidade porque a Marvel ODEIA magia) de Odin diz que aquele que for digno erguerá o Mjolnir e terá os poderes de Thor.

Disvel quando vê que algum herói tá muito heroico, puxa o tapete com força. Foi assim com Thor e depois com o Capitão, sendo que a melhor, mais icônica, mais fabulosa frase, aquela que mostra o grau de integridade, correção e patriotismo do Capitão América é aquela que ele fala pro Homem-Aranha nos eventos de Guerra Civil dos quadrinhos:

Não importa o que a imprensa diz. Não importa o que os políticos ou as multidões falem. Não importa se o País inteiro disser que algo errado está correto! Essa nação foi fundada em um princípio acima de todos: A exigência de que nós temos que defender aquilo em que nós acreditamos, não importa quais sejam as consequências. Quando o povo, a imprensa ou o mundo inteiro disser para que você saia de onde está, o seu trabalho é se plantar, como uma árvore à beira do rio da Verdade, e dizer para o mundo inteiro: Não. Saiam vocês!

Eu esperei pra ver o Capitão América dizer isso com altivez, de queixo erguido, mas quem fala é a sobrinha da Peggy Carter, que Steve pegou, porque ele é um cara família: Pega a sobrinha depois de ter pego a tia (ou antes, dependendo da linha temporal com aquela zona que ficou por causa de Vingadores Ultimato). Foi dito como uma frase qualquer e perdeu todo significado, foi ridículo e tirou do Capitão algo que seria único nele, infantilizando-o de novo e tomando lição de moral de uma guria que nem professorinha de primário fala pra criança.

Indo para Guardiões da Galáxia.. bem… ninguém ali é herói de nada, sendo apenas um bando de desajustados num filme que é uma aventura espacial que se resumiu mesmo a uma fuga da cadeia, mas explicarei isso e como o MCU fez sucesso.

A Viúva Negra ainda está no quesito sidekick, já que o filme dela ainda não saiu e vai demorar um pouco. Ainda assim, adivinhem. Isso mesmo! Nerfada. Enquanto ela nos quadrinhos é geneticamente modificada, nos filmes da Disvel ela não é super-heroína. Primeiro, porque ela não é super. Segundo, porque não é heroína. É uma espiã que finge que sabe das coisas. Ela é tão super-heroína quanto a Atomic Blonde da Charlize Theron, com um detalhe: a Atomic Blonde é muito melhor, mas aí é aquele fatorzinho PG-13 em que as lutas da Disvel não mostram as brigas e os golpes mais fortes, num balé (mal) coreografado e cortado no momento exato. Não, nada de sangue. Um vermelhinho no canto da boca.

Já a Feiticeira Escarlate é um caso à parte e acontece justamente o contrário. Começou soltando uns pew pew pew com as mãos até se tornar uma das entidades mais poderosas do MCU, a ponto de conseguir destruir uma Jóia do Infinito com uma das mãos e segurar o Titã Louco com a outra mão. Ela é hiperpoderosa e, pelo visto, com o Momô Visão tendo batido os circuitos, pirou na batatinha e virou a série WandaVision, que deverá linkar com o próximo filme do Dr Estranho: No Multiverso da Loucura, em que ela deve fazer um monte de merda e aposto que o Mefisto estará lá.

Por falar em Dr. Estranho, ele não estaria bem na categoria super-herói. Fica difícil classificá-lo como herói e a magia foi nerfada pela Anciã, que disse que era apenas um tipo de ciência. Marvel nos quadrinhos tem uma aversão patológica com magia e no MCU mais ainda. Ele não mostra totalmente o seu poder e ele apanhou de Thanos, e por algum motivo ele não aprisionou o Titã Louco na dimensão espelho. Acho que para não resolver as coisas mais facilmente.

Então, para terminar, temos a Capitã Marvel. Eu diria que é o único filme de super-herói do MCU, mas, como sempre, Disvel caga tudo, pois lembrem-se: não pode ter super-herói. Tem que ter aquele drama. Então, ela começa já com os poderes, e só depois entendemos como ela os conseguiu e só mais pro final ela solta a franga, digo, solta o poder mandando a Inteligência Suprema às favas. Como sempre, é 2 horas de enche-linguiça e uma sequência realmente boa, mas nesse filme é pro final. Em Ultimato, ela aparece e sai na porrada com Thanos, que só consegue dar um porradão nela por estar segurando a Jóia do Poder. Aliás, ele poderia ter aniquilado toda a vida na Terra só com a Jóia do Poder, o que é mostrado em Guardiões da Galáxia, mas não faz (o roteirista não quis que ele fizesse).

Eu até entendi por que o roteirista chuta, digo, soca a Capitã Marvel pra longe. Ela é a humana mais poderosa ali (tão poderosa quanto a Feiticeira? Difícil saber, já que nos HQ a Feiticeira Escarlate é uma mutante). Aquele era o momento da velha guarda, os fundadores dos Vingadores. Eles que tinham que vencer Thanos, e assim foi feito.

Ah, claro que vão me dizer que super-herói super não tem graça. Ain, ele é super, não tem desafio. Bem, se você leu meus artigos sobre o Super-Homem e a Mulher Maravilha, você sabe que está redondamente enganado. Se não leu, leia e acabe com esta frescura da Disney de nerfar personagem pro cinema, já que seus roteiristas são uma bosta e não sabem trabalhar com poderes. Porque, no final das contas, o Capitão América poderia ter sido substituído pelo Steven Segall em A Força em Alerta, Rambo e até Chuck Norris, não, péra. Este é super ;).

Vocês viram pelo número de vezes que eu citei o Galinhão Arqueiro o quanto ele é super-herói. É tipo o sidekick que só serve para ser salvo. Acho que foi o corte moicano de Ultimato que fez alguma diferença… ou não.

7 comentários em “Analisando séries e filmes de super-heróis VI

  1. Esse Thor da Disney me lembrou muito Thor do livro E Tem Outra Coisa… do Eoin Colfer. Basicamente um bundão. kkkkk

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