Analisando séries e filmes de super-heróis VII

O segredo do sucesso da Disvel

Os números não mentem e a franquia Marvel da Disney é um projeto lucrativo, mesmo que nem sempre seus filmes sejam bons. Claro que aí nós temos o conceito a ser debatido: O que é um filme bom? Para o estúdio, é aquele que gerou lucro e encheu os cofres de dinheiro. E isso só se consegue agradando os espectadores. Nisso, tem muitas coisas envolvidas.

Por exemplo, o filme Corra! é um lixo feito com 5 milhões de dólares que faturou 255 milhões e catou o Oscar de Melhor Roteiro Original (que de original não tinha nada, mas esse “original” não é nesse sentido). Já John Carter, um filme legal flopou vergonhosamente, tendo sido orçado em 252 milhões e só faturou um total de 283 milhões (eu até ia citar SHAZAM!, mas este é um caso que eu comentarei em outro artigo). Se alegam que o faturamento é sinal de que o filme é bom, então terão que aceitar que Esquadrão Suicida é um bom filme, pois custou 175 milhões de dólares e faturou mais de 745 milhões. Ah, mas aí já não vale, certo? (discutirei Esquadrão Suicida também em outro artigo)

Mas afinal, o que faz os filmes do MCU serem um sucesso?

Como eu demonstrei no outro artigo, filmes da Disvel não tem super-heróis. Quem adora aqueles filmes não está vendo filmes de super-heróis e quando veem um filme com super-heróis, não gostam. Afinal, qual a receita que a Disney empregou? Muito simples: ela usa roteiros de filmes já conhecidos com estilos consagrados e uma repaginada para fingir (com pouco esforço) que são algo diferente.

De novo, saliento que o Homem de Ferro por ser o primeiro deu um vislumbre do que poderia ser, mas como eu disse, assim que Disney vê super-herói, nerfa tudo. Nerfaram para o padrão Stan Lee do herói problemático, além de vilões péssimos (a vingancinha sem propósito). Isso acarretou Homem de Ferro 3, que mesmo fãs têm como um filme ruim, e mesmo assim faturou 1,2 bilhão de dólares. Disney viu que apesar do faturamento cometeu um erro e suprimiu menções a HF 3, muito mal colocando o moleque do filme numa ponta silenciosa no funeral do Stark em Ultimato.

O segredo da Disney é não ousar, preferiu o terreno seguro. Capitão América: Primeiro Vingador é um filme de guerra com algum sci-fi. Usaram os projetos de aviões que engenheiros alemães projetaram. A Asa Voadora que aparece lá realmente existia. Ela foi uma criação dos irmãos Walter e Reimar Horten. Eles desenharam os primeiros projetos em 1937 e quando Herman Göering (o comandante da Luftwaffe) quis um bombardeiro leve, os irmãos Horten apresentaram, em 1943, o Horten Ho 229. Enquanto isso, do lado aliado, a Northrop apresentou o Northrop N-1M que voou pela primeira vez em 1940 (pouco provável que um tenha copiado o outro, já que a ideia de Asa Voadora não era nada nova). O problema que este avião é extremamente instável e só com a tecnologia de computadores de voo que apareceria nos anos de 1980, e o Northrop Grumman B-2 Spirit pôde voar pela primeira vez em 1989. Tirando estes elementos ficcionais e as armas PEW PEW PEW da HYDRA, Cap. América é apenas mais um filme de guerra com um herói foda, mas sem abusar muito dos poderes conferidos pelo soro do Super-Soldado. Quando muito o escudo de vibranium, que só é usado para algo melhor que se esconder das balas em Soldado Invernal.

No caso de Guardiões da Galáxia, temos uma aventura espacial que se baseia no bom, velho e eficiente tema da fuga da prisão, com um bando de malucos à solta no Espaço. Tecnicamente foi uma escada para explicar a origem das Joias do Infinito (que nos quadrinhos tem uma explicação muito melhor, ficou na base de “são singularidades”. Ninguém perguntou o que seriam. Se funciona, funciona). Já o Homem Formiga é um filme sobre assalto. Até a trilha sonora lembra filme de assalto (e tem mais de um assalto no filme, aliás, o filme todo tem assaltos diversos), enquanto o filme do Dr. Estranho, baixando um pouco a qualidade dos efeitos visuais, é um filme tipo Evil Dead, do Raimi (o raiz), mas com um demônio bunda-mole. Thor Dark World é um filme tão tosco que você olha praquilo e se pergunta “o que diabos eu estou assistindo?”. Já Vingadores (o primeiro) é molezaço de classificar: Kibe de transformer, inclusive com aquela moréia voadora em que, mais uma vez, Thor banca o muito músculo e pouco cérebro, martelando os aliens ao invés de usar seu poder do trovão. Capitão América volta ao estilo Chuck Norris.

Basicamente, os filmes da Disvel seguem a linha meia hora de cena que interessa e o restante de enche-linguiça, como foi o caso de guerra Civil, que eu chamaria “não mexe com meu macho”. NADA naquele roteiro faz sentido. Absolutamente NADA! Mas, sim, isso mesmo: outro dia eu escrevo. Assim vocês poderão me xingar melhor.

O filme da Capitã Marvel é aquele gostinho de saudade dos anos 90 (alguém tem saudade pelos anos 90?) e, como já falei antes, ela passa o filme todo zanzando pra lá e pra cá, até o momento que ela solta o poder todo:


Eu acho que não era bem este. Cartas para a redação

Já no caso de Soldado Invernal, como já falei antes, é um perfeito filme de espionagem estilo Frederick Forsyth e Tom Clancy. Um sujeito contra o Sistema, tentando evitar o pior. Tirando uma ou outra cena que o Capitão é super-soldado, como sempre, passa desapercebido e qualquer Steven Segall encaixaria perfeitamente no personagem. Funciona? Funciona. Todos os filmes da Disvel funcionam. As cenas de lutas são patéticas, como quando o Capitão América (repetindo: soro do super-soldado) enfrenta o Bathroc fica parecendo que o Rã luta muito, mas não tem super-força. Um socão do Cap faria ele ir parar a uns 20 metros de distância., mas isso tiraria a graça. Problema meu? Nenhum. Se formos ver aquela vergonhosa cena do aeroporto em Guerra Civil, vemos uma coreografia esxdrúxula, com o Pantera Negra (que também tem super-força) lutando quase de igual pra igual com o Galinhão Arqueiro; no máximo, dando pulinhos pra lá e pra cá. Os socos e ponta-pés raramente são mostrados acertando efetivamente. Agora, vejamos a diferença para uma cena de luta de verdade:

Sem firulas, sem pulinho. Briga de rua, porrada mesmo. Tem até sangue na parede. Cena gravada por quem entende que a função da luta é incapacitar o oponente e não fazer balé com piadinhas. Mas acharam ruim porque… por que, mesmo? Por que não tem piadinhas? Talvez. Se funcionou com o público da Disvel, melhor pra Disvel, que entendeu seu público. Um público que, como eu sustento até agora, não gosta de filmes de super-heróis. Gostam dos estilos clássicos de filme. Por isso que filmes de faroeste fizeram sucesso: praticamente, copiaram os filmes de samurais do Akira Kurosawa, mas hoje é um tipo de filmes que não tem apelo, ou a Disvel teria um duelo ao pôr-do-sol.

No caso do Thor, eu tenho uma perfeita ideia do motivo dos dois primeiros filmes serem ruins (o primeiro é uma catástrofe, com aquela cidadeca cenográfica que conseguia ser pior que as cidades dos filmes de bang-bang da década de 50). O motivo da causa é Natalie Portman. Senão, prestem atenção e vejam se eu não tenho razão

Thor 1 => Tem Jane Foster. Filme ruim

Thor 2 => Tem Jane Foster. Filme ruim

Thor 3: Não tem Jane Foster. Filme ótimo. Preciso continuar? Já estou esperando pela catástrofe que poderá ser o Thor 4 se ela estiver presente.

O que toda produtora de filmes pretende é que seus filmes deem lucro e é nisso que se pautam, tateando os seus espectadores. O problema é quando se ouve espectadores que não são bem seus e isso gera problemas, como tem acontecido com a Warner, que arruma muitos problemas por dar muito ouvido ao que as pessoas dizem e os executivos se metem nas decisões criativas. Some isso a um bom marketing, como contar TODO o filme do Homem-Aranha: De Volta ao Lar no trailer ou mostrar a cena da luta no aeroporto em guerra Civil, e temos uma receita de sucesso. O problema é que a confiança demais atrapalha e quando prometeram Inhumanos, cometeram um sério erro: tudo no filme estava uma bostam, transformaram em série e estão fingindo até hoje que Inhumanos não era para fazer parte do MCU:


Ó que eu vi, hein!

Mas o bom da Disney é esse: comprou a Lucasfilms e agora usa wavehand pra convencer que todos os seus filmes são bons (não são. Não todos) e os ruins não aconteceram.

Bem, ninguém falou que não está funcionando, não é mesmo? O Peele também convenceu que aqueles filmes dele são bons. Se enganou, então ótimo. Se a desculpa funciona, funciona.

6 comentários em “Analisando séries e filmes de super-heróis VII

  1. Eu acho que agora eu entendi por que eu consigo facilmente assistir qualquer filme da Marvel mais de uma vez, menos Civil War: eu li os quadrinhos…

      1. Não. Eu só li os quadrinhos de Guerra Civil, e por isso eu não engulo aquele filme. Como não conheço os outros quadrinhos, pra mim é ok.

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