Estudantes de Medicina e Economia não sabem usar Internet e só pesquisam em sites vagabundos

Logo quando a Internet começou a se popularizar, Umberto Eco soltou a maravilhosa frase “A Internet promoveu o idiota da aldeia ao Portador da Verdade”. Seu intuito, com essa frase, era dar uma visão de como um imbecil antigamente ficava restrito ao seu grupo familiar ou, no máximo, de amigos de taverna. Entretanto, hoje, os idiotas só precisam de acesso à internet. OBVIAMENTE, vocês começaram alguma bobagem defendendo esse ou aquele partido político, acusando aquele ou esse partido político, quando a ignorância é mais vasta que isso, haja vista o bando de gente me xingando quando colo o vídeo sobre o arroz estragando (ou não) apenas por causa de pensamentos, ou vídeo que eu coloquei provando que água sanitária e vinagre não dão uma emanação gasosa pérfida que corrói tudo. Todos que me xingaram tiveram “provas”: relatos. De quem? Não se sabe, mas se relataram, é verdade!

Com tanto lixo espalhado pela rede, há um sério problema: como ver o que é informação de qualidade e o que é lixo? O Umberto tencionou criar algo como uma mistura de bibliotecas e Lan Houses, em que os alunos teriam apoio de professores para filtrar a informação. Claro, isso já tem quase 20 anos e muito evoluiu. O que não evoluiu foi a capacidade de identificar o que é conteúdo que presta e o que não presta. Uma pesquisa agora apontou o que todo mundo sabia, mas agora é com rigor científico: alunos têm problemas para avaliar criticamente as informações da Internet, sendo influenciados por fontes não confiáveis

A drª Olga Zlatkin-Troitschanskaia é diretora de educação em negócios e economia na Universidade Johannes Gutenberg Mainz, na Alemanha. Em companhia de pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt, Olga descobriu algo meio óbvio: alunos têm sérias dificuldades de separar o que é informação real do que é alguma bobagem louca criada por uma mente ensandecida dotada de mais acesso à internet do que cérebro. O problema é que um energúmeno desses consegue se espalhar que nem um vírus, pois encontra outros loucos iguais a ele que irão replicar esta pseudoinformação.

Claro, você pode estar pensando que a pesquisa foi com aluno de Ensino Fundamental, menos propensos a ter capacidade de filtrar conteúdo, mas não. No referido estudo, os estudantes eram de diversas áreas de Ensino Superior, como Medicina e Economia.

O teste foi baseado na avaliação do Civic Online Reasoning, desenvolvida pela Universidade de Stanford, no qual os participantes do teste são apresentados a tarefas curtas. Eles são solicitados a navegar livremente na Internet, concentrando-se em informações relevantes e confiáveis ??que os ajudarão a resolver as tarefas dentro do prazo relativamente curto de dez minutos e a justificar suas soluções usando argumentos das informações online usadas.

A análise dos resultados foi baseada nas respostas dos participantes às tarefas. Além disso, suas atividades de pesquisa na Web durante a resolução das tarefas foram registradas para examinar seus pontos fortes e fracos ao lidar com informações online com mais detalhes, examinando quais sites os estudantes acessaram durante as suas pesquisas e quais informações eles usaram.

A análise de todo o processo requer análises complexas e consome muito tempo, mesmo porque, deve-se examinar por onde os lindinhos andaram para chegar nas respostas das tarefas. Ao se ter isto nas mãos, vamos para a avaliação dos resultados, que foram deploráveis: quase todos os idiot… digo, todos os participantes tiveram dificuldades em resolver as tarefas que lhes foram incumbidas. Mesmo sendo de áreas científicas e técnicas, o engraçadíssimo da situação é que a grande maioria dos estudantes NÃO UTILIZARAM nenhuma fonte científica.

Viram algo errado aí? Vou repetir: Futuros médicos não procuram informação em fontes científicas. Capaz de terem mandado um zap para a tia para saber a resposta das perguntas, e se isso não é o prenúncio de um desastre, eu não sei o que é.

Isso é muito sério! Não estamos falando apenas de verificar o signo ascendente, e não adianta site de caça farsa (fact cheking é minhas partes pudendas com miopia fazendo uso de instrumentos ópticos) se você tem estas ferramentas e não procura por elas. Se médicos pensam assim, se economistas não procuram fontes de dados confiáveis, se ninguém mais sabe que buscar informação na The Lancet dará melhores resultados que algum blog do Blogspot, então, estamos completamente ferrados.

Eu não sou confiável. As minhas fontes são. Por isso, eu sempre coloco o link pro pesquisador (como no caso da Olga) e para a pesquisa científica no periódico onde ela foi publicada. No presente caso, não teve publicação ainda, mas eu juro por Deus, tá? Vou até colocar o link da Universidade.

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