Cientistas criam robô dodói

Eu gosto de compartilhar notícias de avanços científicos e tecnológicos. Mas alguns abusam da paciência da gente. Não apenas isso, os jornais correm para noticiar isso, e já que quanto mais apelativa for a matéria, maiores as chances de divulgação, pesquisadores forçam a mão, o que leva a jornaleiros forçarem a mão, e sempre com resultados positivos, pois sempre terá um mané divulgando.

Por exemplo, saiu esta semana que alguns cientistas japoneses criaram um robô capaz de sentir dor, daí alguns já pensaram em androides, revolução das máquinas, humanização de robôs blábláblá. Só que não é bem assim.

O dr. Minoru Asada é professor de Sistemas de Máquinas Adaptativas da Universidade de Osaka e presidente da Sociedade Robótica do Japão, o que já mostra que tem algo de muito errado no silenciamento de robôs japoneses que perderam o lugar de fala. Ou o dr. Asada é um. Aposto que é identidade secreta do Jiban.

O Telegraph ficou enchendo linguiça com a matéria falando do Blade Runner, falando certamente sobre ele ser baseado num conto do Philip K Dick, mas falando merda ao dizer que os Replicantes eram robôs. Não eram, eram organismos geneticamente engenheirados. Mais blábláblá até mostrar o vídeo. Este aqui

Percebeu que a “dor” é um botão apertado. Um botão que controla as feições de um robô, apenas isso. Na base do

if Botão_apertado = 1
then Careta();
else DançandoPolca();

Que porra de sintaxe é essa?

Não enche! É só uma demonstração, e é menos lixona que o que foi apresentado.

O problema disso é o conceito de dor. No filme do Exterminador do Futuro 2, Aborrecente Connor pergunta ao T-800 se ele sentia dor, e o Arnold responde que ele registra a informação que foi atingido e os dados podem ser interpretados como dor, mas não é tão simples. Dor implica em algum tipo de sensação que registra algo de errado, e não um simples dado que você acabou de tomar um tiro. Você enxergar o que acontece poderia ser um registro, mas não necessariamente dor, como quando passa por uma cirurgia com anestesia local. Você tem dados processando informações, mas não exatamente dor, já que não tem desconforto.

Alegar que você aperta um botão e o “robô” apenas move motores fazendo o rosto mimetizar uma cara de dor não é a mesma coisa que sentir dor, já que o “robô” está muito longe de ser sensiente, ou seja, capaz de experimentar sensações (um monte de gente discute se isso implica apenas em auto-conhecimento ou uso de razão, o que pode confundir no quesito se qualquer animal fora os humanos são realmente sensientes, mas deixemos estas bobagens de lado).

Divulgação é importante, ainda mais porque você precisa se explicar para o pessoal que doou dinheiro pro seu laboratório, e o mínimo que quer é saber o que você anda fazendo com a grana. Mas vamos pegar leve com isso, pessoal!

Ou não. Pela quantidade de gente que divulgou, eles fizeram um excelente trabalho de marketing. Já garante mais umas doações.

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