Saiu orçamento da NASA, e é o maior em dez anos

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Quando Pato Donald Trump venceu a corrida presidencial, todo mundo ficou chocado (e é isso o que se ganha por chamar os amiguinhos de “deploráveis, né, Hillary?). começaram várias especulações sobre os severos cortes de Ciência e Tecnologia que ia acontecer dali por diante. Foi um Deus-nos-acuda. O problema é que o que aconteceu dali por diante foi bem diferente do que esperavam, e pelo segundo ano consecutivo, a verba à NASA é a maior da última década. Mas tem uma pequena pegadinha. Antes de tudo, vamos examinar o contexto da situação.

Em 30 de junho de 2017, Trump assinou uma Ordem Executiva para restabelecer o Conselho Nacional do Espaço, ao lado de membros do Congresso da NASA e empresas espaciais comerciais na Casa Branca. Buzz Aldrin estava lá também.

Em 11 de dezembro de 2017, foi anunciado que Trump havia assinado a Diretiva de Políticas Espaciais da Casa Branca 1, uma mudança na política espacial nacional que prevê um programa integrado liderado pelos EUA com parceiros do setor privado para um retorno do Homem à Lua, seguido por missões a Marte e além.

O documento solicitava que da NASA “liderasse um programa inovador e sustentável de exploração com parceiros comerciais e internacionais para permitir a expansão humana em todo o sistema solar e trazer à Terra novos conhecimentos e oportunidades.”

Como assim? Inciativa privada? É, pois é. Você acha que QUEM foi o responsável pela construção do Saturno V, módulo de comando e o módulo de pouso? A NASA não constrói nada. Ela faz as pesquisas, estabelece os critérios e certificações e é feito licitação das diferentes partes do projeto. O Saturnão, por exemplo, teve as suas partes construídas pela Boeing, North American Aviation, Douglas Aircraft e IBM. A NASA, como o nome diz, é uma agência que administra a grana e direciona para onde esse dinheiro vai, mediante as necessidades do projeto. Ou seja, não é nenhuma novidade fazer parcerias com as empresas privadas.

O documento assinado já premeditava a exploração do Espaço, volta do Homem à Lua e a futura ida à Marte. Para Trump, não vai ter essa de “plantar a nossa bandeira e deixarmos nossa pegada (…) vamos estabelecer uma base para uma eventual missão em Marte, e talvez, algum dia, para muitos mundos além”. A SpaceX também está nessa corrida. Os Chineses pretendem mandar astronautas, que segundo fontes loucas totalmente inventadas seria um entregador da Deal Extreme que levar bugigangas pra Lua, provavelmente para não ter que passar por Curitiba e poder entregar aqui em casa, com frete mais barato e entrega mais rápida.

Em fevereiro de 2018, o New York Times noticiou que a administração Trump quer chegar à Lua sem dar dinheiro adicional à NASA, e isso só ocorrerá depois que ele deixar o cargo, mesmo que ele ganhe a reeleição, preferindo dar ao setor privado um papel maior, o que soa estranho, pois parece que as empresas farão isso de graça ou “em troca de visibilidade”, como aquelas propostas caracu que fotógrafos recebem para fotografar casamentos de graça, enquanto os noivos gastaram uma grana pretérrima com a cerimônia, aluguel de espaço, comes e bebes etc. De repente, enchem os foguetes com propaganda e a fuselagem terá vários anúncios de adsense. Não faz sentido!

O NYT ainda informou que a administração Trump também estaria buscando reduzir o orçamento da Diretoria de Ciências da Terra da NASA, que inclui pesquisas sobre o clima e o cancelamento de várias espaçonaves como a missão Plankton, Aerosol, Cloud, Ocean Ecosystem. O orçamento de quase US$ 1,8 bilhão para essa parte da NASA seria cerca de 6,5% menor do que o promulgado para o ano fiscal de 2017. O governo Trump também quer acabar com os programas de Educação.

Um tal de POLITICO anunciou em outubro de 2018 que Trump teria ordenando que as agências do gabinete cortassem 5% de seus orçamentos propostos no próximo ano e expressando esperança de que alguns possam achar que podem cortar “muito mais” do que isso, alegando que isso levaria a uma severa machadada na NASA e seus projetos.

Várias mídias anunciaram que os investimentos junto à Estação Espacial Internacional – ISS, seria cortada, apesar de sua programação ser para até 2024, mas a expectativa é de que ela seja estendida por pelo menos até 2028. A atual meta não é dar tanta atenção à ISS quanto a volta da exploração espacial e visita a outros planetas, a ponto que tio Trump botou o Donald na mesa e disse que está disposto a liberar uma verba infinita pra NASA para ela fazer o projeto acontecer. Ele ficou decepcionado por dizerem que não será possível, mas que mesmo assim ele tensionava mandar americanos pra Marte ainda no seu primeiro mandato, esperando, no máximo, fazê-lo no seu segundo. A desculpa foi que ir pra Lua é fácil, mas Marte demanda tempo e dinheiro.

Sim, foi falado isso depois de ele ter dito que a NASA teria verba ilimitada. Bem.

Depois desse arranca-rabo todo, vejamos quanto foi cortado de verba da NASA… hummmmm, a lei publicada saiu dotando a verba da NASA com uma bela quantia considerável de 21,5 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2019, representando um aumento de 3,5% em relação ao ano anterior e 8% acima do proposto pela Casa Branca. Os fundos adicionais foram amplamente distribuídos por toda a agência, beneficiando especialmente os programas de Ciência, Aeronáutica e Exploração Humana.


Clica que amplia

2018 Proposta da Casa Branca Aprovado pelo Congresso
NASA US$20.736 US$19.892 US$21.500
Diretório Missão Científica US$6.222 US$5.895 US$6.906
– Ciência Planetária US$2.227.9 US$2.235 US$2.759
– Ciência da Terra US$1.921.0 US$1.784 US$1.931
– Astrofísica US$1.384 US$1.185,4 US$1.496,2
Educação/STEM US$100 US$0 US$110
Desenvolvimento de Sistemas de Exploração US$4.045 US$3.670 US$4.093
Estação Espacial Lunar N/A US$504 US$450
LEO Comercialização N/A US$150 US$40

Todos os valores em milhões.

Você pode baixar a planilha completa AQUI

O medo que os departamentos de Ciências da Terra, Educação etc tomassem uma machadada não se realizou e tiveram aumentos consideráveis. A Divisão de Ciências Planetárias ganhou um impressionante aumento de US$ 2,8 bilhões. O projeto do Telescópio Espacial James Webb ganhou permissão para aumentar o custo máximo da missão para US$800 milhões, mas ainda assim ganhou um esporro do Congresso por esta bagaça ainda não estar pronta enquanto gasta dinheiro a rodo. Taqui a grana, meu filho, mas queremos esta bosta pronta o mais rápido

A Divisão de Educação da NASA teve o nome mudado para “Engajamento STEM”, e apesar de sua verba ter sido zerada pela Presidência, os congressistas deram um Fuck This Shit, e não só mantiveram o programa como ainda ganhou um aumento expressivo de US$ 110 milhões. Diferente do Brasil, os congressistas americanos não acham que pagar para alguém chupar pirocas em banheiros públicos desenvolve tecnologias e melhora qualidade de vida (salvo de quem chupou e foi chupado). Os serviços comerciais de carga útil e o programa de exploração lunar voltado para a ciência receberam aprovação total. A NASA está plenamente em atividade. Agora, umas observações minhas.

CLARO, ninguém é estúpido de achar que Donaldo tem amor pela Ciência e quer que americanos voltem à Lua para vencer desafios. Pois é. Kennedy, quando fez aquele discurso não estava pensando em Ciência, e sim na URSS avançando em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que pudessem levar democracia radioativa pros Estados Unidos, saindo de Moscou. Trump quer que ele seja o cara imortalizado por reavivar a chama da exploração espacial; como todo político, quer ser lembrado para sempre, o que não foi diferente com Kennedy. Políticos não fazem nada em prol de algo diferente de seus egos. Ainda assim, entra o objetivismo: se ajuda a ter verbas e desenvolver ciência e tecnologia, que diferença faz?

A alegação “não é possível pois precisa de tempo e dinheiro”, bem, preciso lembrar que o programa espacial americano teve que praticamente dar um salto com tecnologias que não existiam e tiveram que ser inventadas em DEZ ANOS? Qualquer engenheiro sabe o mote da Engenharia: não existe problema insolúvel tendo tempo e dinheiro. E quando a grana está prometida a jorrar, nem o tempo continua a ser uma desculpa. Vai jorrar mesmo? Bem, fica difícil, mas compromissos assinados são uma garantia. Basta solicitar a assinatura.

Claro, devemos ter em mente que essa verba generosa não é só devido ao Trump (que queria cortar coisas que o Congresso levantou o dedo e disse “não, mesmo”. E isso também não foi amor à Ciência tampouco), mas no frigir dos ovos, a paranoia dos jornalistas, blogueiros e palpiteiros não se confirmou. Previsões sempre são perigosas, mesmo de sábios para sábios, quanto mais para jornaleiros. Agora é esperar quando iremos em direção ao Espaço, voando até a segunda estrela à direita e, então, direto, até amanhecer.


Fontes:

Reforço Positivo Negativo e o Experimento Monstro
Histórias de Pescador: Como prometer catar lixo espacial e enganar que vai conseguir

Sobre André Carvalho

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