Ciência diz ao paraplégico: levanta e pegue este copo d’água

Ceticismo.net de pires na mão
Brasil apresenta o SUS da pseudociência

Bill Kochevar fez algo que parecia impossível: beber água. Eu sei, você deve achar esquisito por ser algo trivial, e até era… ou foi… por muitos anos. Isso até que um acidente de bicicleta deu um fim nisso, quando Bill ficou paralisado dos ombros para baixo. Ele podia ter colocado sua fé em Jesus, mas Jesus não dá bola para quadriplégicos. Jesus só faz dor de cabeça passar, principalmente quando se toma analgésico. Hoje, Bill conseguiu parte do movimento dos braços e das pernas, usando apenas o cérebro e o melhor da Ciência do século XXI.

O dr. Robert Kisch é presidente do Departamento de Engenharia Biomédica da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio, e diretor executivo do Centro de Estimulação Elétrica Funcional. Ele é quem dirige o projeto BrainGate2, do qual Kochevar faz parte. Que trata em fazer com que ondas cerebrais acionem dispositivos através de interfaces homem-máquina.

Capta-se as ondas cerebrais, calibra-se os aparelhos e quando você gerar as mesmas ondas (isto é, pensando), o computador usará o famoso If Then, Se Isso, Faça Aquilo. Ou seja, ao pensar, você gera ondas cerebrais específicas e, com isso, o computador pode executar diversas, como mover um cursor do mouse ou ligar/desligar motores.

Kochevar, por exemplo, consegue que seu próprio braço de forma que lhe leve água até a boca, apenas pensando. o sistema capta as informações do cérebro e transforma em sinais que são reconhecidos pelos músculos. Para quem está tetraplégico, é uma vitória e tanto!

O objetivo da primeira fase do estudo clínico piloto do Sistema de Interface Neural BrainGate2 é obter informações preliminares de segurança do dispositivo e demonstrar a viabilidade de pessoas com tetraplegia usando o sistema para controlar ações, como as supracitadas. Por enquanto, ainda está em testes, e estes testes visam determinar a capacidade dos participantes em operar softwares de comunicação, simplesmente imaginando o movimento de sua própria mão.

Claro, não é mágica. O processo é invasivo, pois requer cirurgia para implantar um eletrodo no córtex motor do cérebro. Esta área cuida dos movimentos, desde abrir e fechar a boca, rodar a cabeça e controlar braços e pernas. E literalmente o que faz você se mover. Bill tem o seu córtex motor funcionando perfeitamente, mas isso só não adianta nada se não tiver como repassar a ordem.

Pense que você é o córtex motor e envia um comando qualquer ao seu filho que está em outra unidade da federação (estado, para os íntimos), digamos: para ele ficar pulando. Você manda a mensagem por carta, mas os Correios fizeram o favor de sumir com ela no portal dimensional que existe em Curitiba. Sem as instruções, seu filho não pode fazer nada. A lesão de Bill é a mesma coisa. As ordens saem do córtex motor, mas não chega onde deveria. Seu filho, com isso, não recebe a ordem e fica paradinho. Nesse mesmo momento, um monte de gente em Curitiba está pulando.

Assim, as informações produzidas no córtex motor de Bill não chegam aonde deveria e é aí que o sistema BrainGate2 age, servindo de ponte para se comunicar com seus braços e pernas. Daí temos coisas maravilhosas como isso aqui:

Lindo, não? Pense nisso quando você ler a notícia sobre o SUS abrindo vaga para pseudociências em suas unidades, quando medicina de verdade não parece ter lugar, pois demanda maiores recursos.

A pesquisa, diferente de Shantalla, Yoga, Aromoterapia, Reiki etc, foi publicado em periódico com revisão de pares, no caso o The Lancet.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • FranSalles

    a ciência realmente tem muito a fazer pela humanidade. É uma pena que idiotezas como, religião, estejam destruindo possibilidades.