Crateras de dinossauros ajudam a saber sobre a história de nossos avós

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Existe criacionista retardado (desculpem o pleonasmo) que realmente acha que homens e dinossauros conviveram. Tem até imagenzinha lindinha de homens cavalgando dinos, como esta aqui ao lado (não é que seja Jesus, não é. Mas bem que parece. Até tem a cara de quem nunca tomou banho). Ainda assim, dinossauros podem nos ajudar em muita coisa; como encontrar vestígios de hominídeos, mesmo estes tendo aparecido muito tempo depois.

Mas as crateras… ah, as crateras ainda estão lá…

Ashley Sharpe é doutoranda de Antropologia na Universidade da Flórida. Claro, sabemos que doutorando é estagiário de luxo do pós-doutor, no caso, do dr. John Krigbaum, que é professor de Paleoantropologia da mesma universidade e, por isso, tem até direito a uma página mais maneirinha (mas não muito).

Sharpe criou um mapa para determinar o local de nascimento de pessoas antigas e animais na América Central. Ela estudou os dados de concentrações de radioisótopos de chumbo encontrados em rochas de vários locais, como os da cratera Chicxulub, na Península de Yucatán (o lugar em que o meteorão do mal caiu e mandou boa parte dos dinos encontrar com Nossos Senhores Reptilianos do Espaço), bem como em Belize, Guatemala e Honduras, aqueles lugares que você não sabe identificar num mapa mudo.

Com esse mapeamento, arqueólogos, paleontólogos, antropólogos e outros “ólogos” serão capazes de usar o mapa com as concentrações de isótopos de chumbo que estiverem nos locais, de forma a ter um belo calendário, que irá de milhões de anos até alguns poucos milênios. Dessa forma, dá para se prever de por onde é possível ter havido migrações humanas e de outros animais, mas não de plantas, por motivos que se você precisar, é sinal que não aprendeu nada no colégio.

Mas o que tem o chumbo a ver com humanos?

Bem, a princípio os isótopos de chumbo podem ser usados como marcadores radioativos. Ao se determinar a quantidade de determinado isótopo, pode-se dizer qual a idade da rocha. Dentes têm uma peculiaridade: o esmalte de nossos dentes vai se formando e, com isso, absorvendo elementos do ambiente local. O chumbo, sendo metal pesado, entra em nosso organismo e não sai, o que não é nada muito legal se for em grandes quantidades, mas ocorrendo naturalmente, nem nos damos conta.

Quando a gente morre, nosso corpo começa a se decompor, seguindo as leis inexoráveis da Química, e com isso os ossos também absorvem parte dos elementos circundantes. Mandando isso para um bom químico e seus apetrechos que tanto amamos, nós podemos dizer pro paleontólogo, antropólogo e outros “ólogos” o que cada coisa tem ali, e traçar um panorama do que o sujeito andou fazendo durante a vida.

Mas o que isso tem a ver com dinossauros?

A rigor, nada, mas todo mundo começou a fazer esta chamada porque dinossauros são mais legais que um monte de Zé perambulando pelas Américas. A verdade é que Sharpe só tomou como base crateras e acidentes geográficos onde passavam dinossauros, e só. Como ninguém dá bola para um bando de caboclos perdidos nas selvas, embora isso seja importante, preferiram dar atenção na parte dos dinossauros.

A questão é saber como nós viemos parar aqui. Sacam aquelas perguntas imbecis tidas como filosóficas “Quem sou eu?”, “De onde vim?”. Pois, é, meu filho. Não será a Felozofia que vai lhe responder e sim Ciência de verdade. Somos Homo sapiens e estamos por aqui há poucas décadas de milênios. Viemos parar aqui graças a migrações humanas, e o estudo de Sharpe procura dizer através de análises que um camarada encontrado no México pode ter nascido e sido criado em outro lugar, tendo migrado com seus familiares.

É uma história de viagens, aventuras, perigos e descobertas. Somos aventureiros desde sempre e sempre teremos os olhos para lugares distantes e uma pergunta: “o que será que tem lá?” Daqui a cem mil anos, os arqueólogos do futuro estarão olhando de planeta em planeta, em busca de nossas origens, com o mesmo grau de fascinação que vemos um mapa e pensando “Estamos aqui. Será que viemos dali?”

A pesquisa foi publicada na Plos One. Divirta-se, pois é aberta.

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Sobre André Carvalho

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