Dieta vegetariana de longo prazo modificou o genoma. E não foi para melhor

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Claro, os veganzinhos do coração defenderão até a mote como as civilizações eram vegetarianas e viviam muito, tinham saúde, mortalidade infantil quase nenhuma e faziam cocô cheiroso (sério, já me falaram isso!). O problema é que isso leva a certos embaraços, principalmente quando a gente lê publicações científicas (aqueles que nunca aparecem em sites vegans).

Pesquisadores da Universidade de Cornell descobriram algo um tanto quanto desconcertante: Há evidências que uma dieta vegetariana levou a uma mutação que leva pessoas a serem mais suscetíveis à inflamações e aumento do risco de doenças cardíacas e câncer de cólon.

O dr. Tom Brenna, dr. Kumar Kothapalli (piada óbvia demais. Não tem graça) e o dr. Alon Keinan são pesquisadores da Universidade de Cornell e estão interessados em coisas que prestam para algo, e não em vegans malucos e seus surtos megalomaníacos e alucinações doidas. Assim, os bons doutores resolveram estudar uma mutação específica em uma população majoritariamente vegetariana: os cidadãos da província de Pune, Índia. Lá, cerca de 70% das pessoas são vegetarianas, principalmente por questões religiosas. Algo não muito diferente da religião da Nossa Senhora da Alface. Sendo assim, uma sociedade que há muito tempo pratica vegetarianismo (o motivo não importa) é excelente para estudar como nosso corpo funciona em termos de alimentação.

Usando dados pro Projeto 1000 Genomas, a equipe de pesquisadores levantou informações ao longo de muitas gerações e chegaram à conclusão que a mutação (que foi batizada de rs66698963) encontrada no gene FADS2, é uma inserção ou deleção de uma sequência de DNA que regula a expressão de dois genes, FADS1 e FADS2.

Liga o Ceticismo Translator, professor.

Nós temos o gene FADS2 que codifica a enzima conhecida por Fatty acid desaturase 2, isto é, uma enzima dessaturase de ácidos graxos de cadeia longa, como o ômega-3 e ômega-6, que compreendem um monte de ácidos graxos, como oácido araquidônico (prestem atenção, que voltarei neste sujeito aí). Nos humanos, os ácidos graxos Ômega-3 e Ômega-6 são muito importantes para manter as membranas celulares, funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos em perfeitas condições. Os ácidos linoleico e alfalinolênico são ácidos graxos essenciais, mas esta maravilha de projeto inteligente esqueceu de nos dar uma fabriqueta desses ácidos graxos. Já que não podemos sintetizá-los, só via alimentação, mesmo.

Com os ácidos linoleico e alfalinolênico, fica fácil produzir os demais ácidos graxos das séries ômega-3 e ômega-6. É como você querer levantar uma casa. Você pode produzir tudo: paredes, telhado, laje etc. O problema é que fatalmente você terá que comprar tijolos. Sem tijolos, nada de casa. Os ácidos linoleico e alfalinolênico são os tijolos. Se bem que você pode pegar barro e fabricar tijolos, mas seu organismo não vai tirar ácidos linoleico e alfalinolênico da cartola. Pedreiro > Projetista Inteligente.

Um dia, um evento aleatório que de aletório não tem nada, nem precisa ser planejado, já que o que é bom já nasce feito, apareceu uma mutação no gene FADS2, que também expressou o gene FADS1. Isso que nos deu a capacidade de trabalhar com ácidos graxos de cadeia longa e cheio de ligações insaturadas (reveja sua matéria de Química Orgânica do Ensino Médio).

Com isso, conseguimos produzir o ácido araquidônico. Esta coisinha lindinha está na mora dos farmacêuticos, pois de seu controle dependem as pessoas. Sendo da família dos ômega-6, o ácido araquidônico produz eicosanoides inflamatórios e cancerígenos, o que aumenta o risco de patologias como câncer, doenças cardíacas, aumento da pressão arterial, aumento da taxa de triglicerídeos plasmáticos, etc. Quem domina o ácido araquidônico tem a chave para, se não a cura, o controle de diversas doenças. O ácido araquidônico é um ácido graxo bem safado.

Mas o que isso tem a ver com vegetarianos?

A mutação supracitada tornou mais fácil para os vegetarianos absorver ácidos graxos essenciais de plantas. O problema é que isso também estimulou a produção de ácido araquidônico. Quando temos uma dieta de elevado teor em óleos, o seu lado X-Man – que não lhe deu asas, superforça, invisibilidade, de congelar tudo ou poderes mentais – produz muito ácido araquidônico, o que deixou vegetarianos mais suscetíveis às doenças que mencionamos.

No caso dos onívoros, essa mutação não faz a menor diferença, pois adquirimos outros aminoácidos e ácidos graxos sem a formação do ácido araquidônico. Talvez até seja um exagero que só porque você é um vegetariano que vai ter um câncer, mas normalmente é esse argumento (idiota) que os vegans usam só porque come carne. Comeu um bife? Pronto, está com câncer. Algo típico de gente maluca, vocês sabem, que nem os fanáticos de/por Jesus que dizem que não rezar pro deus deles ganhará câncer, AIDS e dor de ouvido (eles até torcem para que isso ocorra, mas é coisa de fanatismo, mesmo).

Nossa dieta molda nosso organismo. Nossa cultura molda nossa dieta. Sendo assim, o modo como somos e nos alimentamos muda, não só nossa cultura, como nossos sistemas bioquímicos até mesmo em nível genético, e isso é passado de pais para filhos.

Não, passar a ser vegetariano não fará você ter câncer amanhã. Mas não pense que pode acusar onívoros de morte certa só porque comeram bacon. Seu telhadinho também é de vidro.

A pesquisa foi publicada no periódico Molecular Biology and Evolution

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Johnny

    passar a ser vegetariano não fará você ter câncer amanhã. Mas não pense que pode acusar onívoros de morte certa só porque comeram bacon. Seu telhadinho também é de vidro.

    LISPECTOR, André.

  • Lismar Cardoso

    Haja saco agora para aguentar retardados digitando sobre a “inescrupulosa indústria de carne fomentadora de pesquisas científicas parciais!”

  • Leia o texto de novo. Eles estudaram um vilarejo que é estritamente vegetariano há séculos.

    Leia de novo, sim?

  • Eu coloquei o link do paper. Deixa de preguiça

  • Fernanda Heringer de Souza

    Os indianos consomem leite, a população de Pune não é estritamente vegetariana, se essa pesquisa fosse feita em algum lugar do norte seria até mais fácil de acreditar na parte dos 70% vegetarianos. E eles não servem muito como parâmetro para essas doenças, já que eles são extremamente sedentários e sabemos que essas doenças são causadas pelo sedentarismo também. Além disso, o índice de câncer entre os indianos não é alto, quando comparado com outros países

    NestorBendo respondeu:

    São vegetarianos (veganos?) escoceses…

  • Evandro Douglas Guidelli

    Veganzinhos do coração. Ahahahha
    Vai lá comer seu churrascão André, e deixa de usar tanta falácia de situação extrema.
    Duvido que essa galera da Índia tem tanta informação e acesso a diferentes tipos de alimentação quanto temos aqui praticamente do outro lado do mundo.

    Pryderi respondeu:

    Eu ouvi alguma refutação de uma PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA?