De acordo com ONG que não sabe matemática, plantas produzem mais proteínas que carnes

Lembram do que eu falei ontem sobre apelo à autoridade? Pois é. Sempre acontece. Mais uma vez, fica comprovado que o Ensino Superior está muito inferior ao que deveria ser. Isso aliado a um câncer chamado ONG, que não tem fosfoetanolamina que dê jeito (mesmo porque, ela não resolve nem o que dizem resolver). De acordo com o relatório de uma ONG, devidamente publicado num periódico com revisão de pares (SQN!), bois ocupam uma área muito maior, com menor fornecimento de proteína.

Sim, um trabalho muito bom, nem que seja pra imprimir e limpar a bunda, já que ele falha em simples conceitos que qualquer criança pode comprovar.

O dr. Gerd Sparovek é professor da Universidade de São Paulo, atuando na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz na área de conservação do solo e planejamento do uso da terra. Ele e o engenheiro florestal Vinicius Guidotti de Faria (que faz MBA, a pedagogia da Administração) trabalham para uma ONG chamada Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), que é cuti-cuti-cuti até no nome. Bem, eles produziram um dejet… um artigo devidamente publicado na Science na Nature na Plos One num pdf ridículo sem nenhuma fonte, link ou bibliografia que preste. Este… trabalho (que nem de acordo com a ABNT está, o que mostra que até meus alunos produzem trabalhos melhores que aquele lixo) traz importantes informações sobre a produção de comida, levando em conta a criação de gado de corte contra a agricultura, tomando por base a produção de proteína.

Como foi demonstrado pela Folha, e seu paywall maldito, cada hectare é ocupada por 1,34 boi, produzindo apenas 9,66 kg de proteína produzida por hectare, alimentando apenas 6,4 pessoas por mês. Ahá! Mas se plantarmos milho nesse hectare, nós teremos 3,57 toneladas de milho, produzindo 635 kg e proteína, alimentando 423 pessoas por um mês inteirinho.

Número 1: DESDE QUANDO um boi só produz 10 kg de proteína? Só se for fazendo sopa dos ossos, jogando a carne e o leite fora.

Número 2: ONDE que em um hectare (a saber, 10.000m2) só fica 2 bois (considerarei números inteiros. Não existe traseiros de bois andando sozinhos por aí)?

Número 3: 1 kg de milho produz 178g de proteína? Menos de 20%? O-HO! Negoção, hein?

Espertamente, ele não fala nada em pecuária extensiva. Porque, minhas florzinhas do campo, qualquer pecuarista que criar um boi por hectare (ok, vamos dizer dois) vai morrer de fome.

Então, Sparovek (que é vegetariano, mas jura de pés juntinhos que isso não tem nada a ver com o trabalho seríssimo dele, que sequer foi publicado num periódico desses que se paga para publicar) muda o tom, mostrando o custo de alimentar animais de corte. Claro, ele “ignorou” a criação de galinhas e porcos por hectare. Conseguem deduzir o motivo?

Para produzir 1 kg de proteína na forma de carne é preciso alimentar frangos com 1 a 2 kg de proteína vegetal (ração, dizem eles). Porcos? Para cada quilograma de proteína de carne suína, gasta-se entre 3 a 4 kg de proteína na ração, e para bois, gasta-se 7 a 8 kg. Mas… boi de corte não é gado confinado. Gado de corte é solto no pasto. Se for confinado, então não é esse valor mínimo de ocupação por hectare. Do que esses caras estão falando? Sim, porque eles “esqueceram” que plantas também são alimentadas com adubos, e protegidas com defensivos agrícolas. Cadê o percentual disso, hein?

Claro, a veganzada já está espalhando isso pela interwebs, inclusive o Robson (oi, Robson, como vai? Eu sei que você continua vindo aqui ler meus artigos e fazer flame com seus religiosos digo, seguidores aí no seu templo religioso, digo, site. Beijo na irmã). Obviamente, usarão esta merda de relatório vagabundo, com fontes tiradas do reto. Quanto a mim, eu só direi:

14 comentários em “De acordo com ONG que não sabe matemática, plantas produzem mais proteínas que carnes

  1. Opa! Estou sentindo uma treta! Vou ficar aqui só esperando os adoradores da alface sagrada virem encher com mais pdfs “verídicos”…. ou será que não tem mais esperança? O Veganismo desmascarado deu fim em um monte de gente…

    1. Você que pensa, eles vivem linkando o “desmascarando o veganismo desmascarado” para mostrar que o artigo do André foi refutado. Pior que o dito texto que “refuta” o artigo do Ceticismo.net é um amontoado de apelo a misericórdia, analfabetismo funcional e nada de periódicos revisados por pares!! Além do mais, vez por outra eles ressurgem do inferno, bostejam alguma coisa nos comentários de Veganismo Desmascarado, sendo posteriormente humilhados e chutados para o colo do capeta novamente. É um povo que não hesita em passar vergonha por aqui!!

      1. Verdade, quase 6 anos de Veganismo Desmascarado e eu só achei duas respostas em toda a internet (bem toscas por sinal), mas é como o Andé falou, seria surpreendente se eles usassem algum artigo preste.

      2. Aguardo o nazivegan do Robson Fernando “refutar” esse texto também.

        E aliás, por falar no Robinho, ele tinha (ou tem) um site no Tumblr (por que não estou surpreso com isso?) onde ele (juro por tudo que há de mais sagrado) compara o ato dele de abster-se de qualquer coisa de origem animal com a luta abolicionista e com a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA na década de 1960.

        Pois é. Para que Martin Luther King se nós temos Robson Fernando?

  2. Como sempre,quem não tem conhecimento sobre um assunto ou informação extensiva sobre tal,só tenta argumentar(só tenta),pois isso ai que saiu desse “artigo” foi dejeto mental.
    Ignoraram totalmente o fator custo,e só apelaram para o lado que eles juram errado,tipico de quem não sabe ver ambos lados e julgar pelo correto da questão.
    Já salvei este gif para casos como este.

  3. Gerd Sparovek? Tive algumas aulas com esse cara em umas duas disciplinas básicas. Pelo que eu me lembro, a coisa mais sofisticada que ele passou foi dimensionamento de terraços (o que eu revi em Hidrologia com um aprofundamento maior). Não posso me queixar das aulas, já que foram poucas e andavam conforme o cronograma, sem grandes problemas.
    Particularmente, não conhecia essa vertente “alternativa” dele, mas é certo que lá na ESALQ existem vários redutos ideológicos melancias (verdes por fora, vermelhos por dentro) não tão pernósticos ou que não se sobressaem tanto, até por conta de uma auto-regulação interna exercida pelos departamentos mais sérios (que, felizmente, ainda existem e são bem atuantes!).
    Sobre o que o André escreveu, nem estranho muito: no final da minha graduação (já melhor acostumado ao rigor da metodologia acadêmica séria), constatei vários artigos com modelagem matemática fajuta ou inexistente, delineamentos estatísticos capengantes (alguns com correlações claramente espúrias) e outros problemas relacionados a construção e dimensionamento dos experimentos, bem como interpretação e análise equivocada dos dados obtidos. Atribuo esses prolemas à nossa já conhecida tradição em péssimo ensino de exatas e ciências já no ensino fundamental e que continua débil no ensino médio. Aí, pobre das instituições de ensino superior, que pegam um substrato deteriorado e são obrigadas a nivelar por baixo para driblar o êxodo estudantil.

    “DESDE QUANDO um boi só produz 10 kg de proteína? Só se for fazendo sopa dos ossos, jogando a carne e o leite fora.”
    Muçarela de búfalo, André? :-)

  4. Bom, lá vou eu de novo tomar porrada.
    Não querendo defender o artigo do sujeito, mas 1,5 animal/ha ( deve ser UA/ha, : UA: unidade animal, um animal de 450Kg ) é o máximo que a própria EMBRAPA recomenda, acima disso o pasto exige manejo, como adubação. E como eu disse, é o máximo, tem gente que trabalha com menos que 1UA/ha. Sem falar do descanso do solo, então o pasto é divido em 4, sendo que sempre uma parte está em descanso, sem nenhum animal.
    Parece pouco, desperdício, mas é isso ai mesmo. E manejo do pasto, para aumentar a produtividade são poucos que fazem.
    Uma alternativa para aproveitar melhor o espaço seria o confinamento, mas o custo com estrutura e alimentação é alto.

    Agora a conta de 10KG/mês, ele deve ter feito a conta em cima do UA ( não, não li o artigo para ler o método). Bom, eu tenho lá um HA com 1 boi, só no capim e sal. Quero abater com 24 meses, digamos que chegou nessa idade com 450Kg, como a carcaça do animal é mais ou menos a metade do peso do animal vivo, então eu tenho 225Kg de carne ( o resto é sangue, miúdos, couro, etc ), dividido pelos 24 meses, da 9,37KG de carne/mês.
    Mas o tempo de abate pode ser menor e a carcaça rende mais. No meu exemplo da 15@ ( 225 / 15 ), mas é bem pouco, geralmente da mais, 18@ e com suplementação chega a mais de 20@.
    Se for 18@, da 270Kg de carcaça, com 24 meses da 11,25Kg de carne por mês.

    1. Não querendo defender o artigo do sujeito, mas 1,5 animal/ha ( deve ser UA/ha, : UA: unidade animal, um animal de 450Kg ) é o máximo que a própria EMBRAPA recomenda

      Eu não tenho obrigação de adivinhar o que o retardado quis dizer. É um merda de “pesquisador” que publica em pdf de ONG.

      o resto é sangue, miúdos, couro, etc

      Miudos como fígado, pulmão (bofe), estômago (bucho) etc? Eles são também comercializados e SURPRESAAAAAAAAAAAA, têm proteínas.

      Mais um a vez: eu não tenho obrigação de adivinhar o que ele quis falar.

  5. Na parte de 1,3 boi/ha a pasto, ele está certo se for exclusivo a pasto de média-baixa qualidade. Baixa qualidade vai a 0,8boi/ha e alta pode passar de 3 boi/ha.

    9kg/mês de ganho de peso é uma média baixa brasileira [300g/dia]. O normal está mais para 400g/dia. Lembrando que esses números só se aplicam em boi a pasto de baixa qualidade [60% dos bois eram criados assim quando vi esses dados em 2012] e na média do ano todo [estações secas e chuvosas].

    Sobre o leite, não sei.

  6. “Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez”.
    O problema é que este artigo da ONG é tão infantil, tão inacreditavelmente tosco e carente de embasamento, que fica realmente difícil encarar sua publicação como sendo apenas resultado de um rompante de burrice. Mas posso estar errado, claro. Afinal, longe de mim duvidar das incríveis realizações resultantes da estupidez galopante que coroa alguns indivíduos.

  7. Você esqueceu de calcular as proteínas vindas da vibração quântica e da luz. Ceticismo e ciências não combinam mesmo como dizia o Einstein.

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