O Épico Concurso da Polícia de Uttar Pradesh

Existe uma pergunta filosófica que atravessa séculos, de Platão a Juvenal, passando por qualquer pessoa que já assistiu a um noticiário com o estômago vazio: quem guarda os guardiões? A resposta, depois de acompanhar o concurso para soldado da polícia de Uttar Pradesh realizado entre 8 e 10 de junho de 2026, é simples e desoladora: ninguém. E talvez nem valha a pena tentar; mas aqui é o Ceticismo.net, e Uttar Pradesh mora em nossos corações rancorosos, então, o que se pode dizer se não…

Guardando a loucura e policiando o retardo mental, ESTA É A SUA SEXTA INSANA!!! Continuar lendo “O Épico Concurso da Polícia de Uttar Pradesh”

A incômoda privacidade

Em 1999, Scott McNealy, então CEO da Sun Microsystems, disse uma frase que deveria ter gerado protestos nas ruas e pelo menos uma CPI: “Você não tem privacidade. Supere!!” Na época, soou como a bravata arrogante de um executivo de tecnologia mimado. Hoje, três décadas depois, soa como um roteiro que o Vale do Silício seguiu à risca… e com prazer sádico.

A privacidade digital não morreu por acidente, nem por inevitabilidade tecnológica. Ela foi sistematicamente tornada inconveniente. Cada clique em “aceitar os termos”, cada “concordo” em negrito que ninguém leu, cada permissão concedida porque o aplicativo simplesmente não funciona sem ela, tudo isso foi projetado para ser exatamente assim: a resistência deveria custar mais do que a rendição. E funcionou! Continuar lendo “A incômoda privacidade”

Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria

Existe uma ideia muito popular, suficientemente errada para incomodar, de que as mulheres entraram no mundo dos negócios em algum momento entre a Segunda Guerra Mundial e a invenção do blazer feminino. A História, no entanto, tem o péssimo hábito de não cooperar com narrativas convenientes. Por volta de 1850 A.E.C., enquanto a Europa estava lá, na Idade do Bronze, sem nem saber escrever direito e se matando e trabalhar com uma agricultura plantada ainda de maneira tosca, mulheres assírias administravam empresas, faziam investimentos em sociedades de capital compartilhado, concediam empréstimos a juros e se correspondiam por escrito sobre fraudes financeiras com uma fluência que envergonharia muitos diretores financeiros de hoje.

Tudo isso gravado em tabuletas que sobreviveram 4.000 anos para nos lembrar que a Humanidade não mudou tanto assim; principalmente em termos de golpistas, salafrários, vagabundos e trapaceiros. Continuar lendo “Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria”

Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar

Existe uma categoria especial de tragédia humana que nem os gregos antigos previram: o sujeito que passa anos alertando a civilização sobre os perigos de uma tecnologia, usa essa mesma tecnologia às escondidas para escrever o livro de alerta, não verifica absolutamente nada do que ela produz, publica com grande alarde, recebe elogios de jornalistas premiados, aparece na Wired, e então é detonado pelo New York Times porque as citações são inventadas. Os gregos tinham Édipo. Nós temos Steven Rosenbaum. Continuar lendo “Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar”

O hábito não faz o monge, mas ajuda o golpista

Estamos em época de exacerbar o empreendedorismo. Há muitas formas,  mas tem uma  que dispensa CNPJ, plano de negócios e qualquer traço detectável de vergonha na face; não, não estou falando de tráfico de drogas, e sim ter uma batina, uma expressão de quem conversa diretamente com o Altíssimo em grupo de WhatsApp e um QR Code estrategicamente escondido na manga. É o Capitalismo da fé em sua forma mais pura, onde Deus entra com a aura, o Espírito Santo com a legitimidade e o fiel entra com o saldo da conta corrente, feliz da vida por ter contribuído com a obra divina.

Pequenas Igrejas Grandes Negócios, e alguns resolveram encurtar o caminho para a riqueza. Continuar lendo “O hábito não faz o monge, mas ajuda o golpista”

Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)

Existe uma frase em inglês que virou ferramenta universal para encerrar qualquer discussão sem precisar vencer nenhuma: “Think of the children” (Pensem nas Criancinhas). Traduzida com carinho para o português, ela cumpre a mesma função: substituir argumento por emoção e abrir caminho para decisões que não sobreviveriam a dois minutos de análise honesta. O Brasil, sempre atento às piores importações culturais, resolveu adotar a prática com entusiasmo. E isso começou simplesmente com um vídeo viral, um Congresso subitamente apressado (e ciente que em 2026 haverá eleições) e pronto: nasceu uma lei antes que alguém com conhecimento técnico suficiente tivesse tempo de perguntar o que, exatamente, estava sendo aprovado. Continuar lendo “Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)”

CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha

Negócio com múmias nem sempre dá boa coisa. Que o diga que teve o desprazer de ver o filme com Tom Cruise. Um exemplo disso aconteceu em outro do ano 2000. Um certo sujeito chamado Ali Aqbar, residente em Karachi (a maior cidade, principal centro econômico, comercial e portuário do Paquistão), aparece com uma proposta de negócio que mistura Arqueologia, mercado negro e uma autoconfiança verdadeiramente admirável para quem estava prestes a ser preso (para ser justo, ele não sabia disso… ainda). O que ele tinha em seu poder era a múmia de princesa persa, supostamente com 2.600 anos de idade, embalada num caixão dourado dentro de um sarcófago de pedra, disponível pelo módico preço de onze milhões de dólares.

Não era um iFony nem um Rolex de camelô. Era uma múmia com um preço bem camarada, diga-se de passagem. O que poderia dar errado? Continuar lendo “CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha”

Bela, recheada e desclassificada: o escândalo de botox que abalou o mundo

Desde que os humanos inventaram a beleza como competição, inventaram também a trapaça. Os gregos já ungiam os atletas com azeite para parecerem mais imponentes nas olimpíadas. Os medievais modelavam as armaduras para parecer mais musculosos. Os concursos de miss do século XX produziram décadas de cirurgia plástica negada com um sorriso e uma faixa no peito. Portanto, não há absolutamente nada de surpreendente no fato de que, em 2026, alguém tenha decidido injetar ácido hialurônico nos lábios de um camelo para ganhar um concurso de beleza. A humanidade é consistente, pelo menos nisso.

Péra… CAMELO????

Corcoveando pelas fraudes em concursos, esta é a sua SEXTA INSANA!

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Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte

A Agência Mundial Antidoping (World Anti-Doping Agency, WADA) já teve que lidar com muita Coisa ao longo dos anos. Sangue sintético, urina congelada de terceiros, testosterona escondida em cremes e shampoos, aquele esquema russo digno de roteiro de John le Carré envolvendo buraco na parede do laboratório. Mas nada, absolutamente nada na gloriosa história da trapaça esportiva preparou a WADA para o momento em que, a menos de 24 horas da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de 2026 em Milão, seu diretor-geral teve que sentar numa coletiva de imprensa e responder com a cara mais séria possível se a agência ia investigar atletas olímpicos que supostamente estavam injetando ácido hialurônico no pênis para ganhar medalhas no salto de esqui.

Pausa para você reler essa frase e confirmar que não, você não está tendo um derrame, e sim, vivemos numa linha do tempo completamente surreal em que tem que dar uma guaribada no pinto para não entrar numa fria em meio a uma competição.

Pintando e bordando com trapaça em olimpíadas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte”

Mulher que se dizia pastora agiu feito pastora e catou dinheiro de velhinhas

Na máxima Pequeníssimas Igrejas, Grandes Chances de Tirar Dinheiro, temos mais um exemplo do poder sacerdotal em… bem, não em salvar almas ou fazer trabalho pastoral, mas separar crédulos do seu dinheiro. Normalmente, isso é feito por meio da fé e pastores usam seus poderes religiosos para convencer pessoas em lhes dar dinheiro, mas o exemplo de hoje é meio estranho que uma dona foi em cana por se passar por pastora evangélica e capou 50 mil reais de duas idosas. Continuar lendo “Mulher que se dizia pastora agiu feito pastora e catou dinheiro de velhinhas”