Agricultura foi inventada antes do que se imaginava

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Eu sempre rio quando falam de tecnologia, como se isso fosse algo apenas com relação à microinformática da década de 1980 pra cá. Tecnologia, entretanto é maior que isso. Uma das maiores invenções da Humanidade não é nem nunca foi computadores, pessoais ou não. A primeira das grandes invenções foi a agricultura, isso sim. Bem antes da invenção da escrita. Aliás, a escrita só foi inventada exatamente por causa das grandes produções agropecuárias, em que era preciso negociar aquilo tudo e criar uma burocracia de forma a organizar essas contas, enquanto eu tenho que me virar com as minhas faturas.

Acreditava-se até agora que a agricultura tinha sido inventada há cerca de 12 mil anos, na área do Levante, uma região com nome tão genérico que podia se referir desde o Egito até a Turquia. Só que indícios arqueológicos parecem apontar para uma data bem anterior.

O dr. Ehud Weiss é especializado em arqueobotânica. Ele estuda as atividades humanas, o clima, práticas agrícolas, comércio, relações econômicas, estratificação social, habitat, tecnologia de alimentos etc de muito, muito tempo. Ele trabalha no Departamento de Arqueologia e Estudos das Terras Israelitas da Universidade Bar-llam. Em outras palavras, o dr. Weiss adora fofocas do mundo antigo, plantas velhas, coisa mofada e praticamente interessado em enlaces românticos com a minha bisavó. For The Science!

A verdade é que entender como era feito o comércio e a economia daquela época é entender a nossa cultura do passado. Para tanto, é preciso entender o que estava à disposição, desde leguminosas, oleaginosas e até fibras têxteis, passando por domesticação de animais, técnicas de cultivo, preparo do solo, colheita e transporte. Sim, pois é. Não bastava plantar trigo. Tinha que ter tecnologias de ponta (para a época) até transformá-lo em pão.

O dr. Weiss e seus colaboradores estudam algo que a um primeiro momento parece ser falta total de sentido: ervas daninhas. Acontece que nem naquela época alguém seria maluco de plantar ervas daninhas, já que essas ervas são danosas a qualquer cultivo. Só que a existência de vestígios dessas plantas demonstrou que havia plantio em larga escala lá pelos cantos do mar da Galiléia (tem nome de mar, mas efetivamente é um lago, mesmo. O Lago Kineret).

Tá, tudo bem. Agricultura em larga escala ainda não tinha sido desenvolvida ainda, só muito mais tarde. Mas só o fato de alguns toscos seres humanos nômades se tocarem que basta jogar umas sementes na terra úmida que brota uma plantinha igualzinha à anterior, mesmo que seja para consumo próprio, já pode, sim, ser considerada como invenção da agricultura. Santos Dumont não criou uma frota de 747’s para a United Airlines logo de início.

O material vegetal foi encontrado no local do povo Ohalo. Esse povo estava assentado exatamente na região do Mar da Galiléia, um dos sítios arqueológicos mais bem preservados de caçadores-coletores do Último Máximo Glacial. Como aquela região foi carbonizada, coberta por sedimentos do lago, e selada sem muito contato com o ar, em que o oxigênio não pôde atacar a matéria orgânica, o material vegetal está muito bem preservado, o suficiente para mandá-los direto pro laboratório em que técnicos fazem sua mágica!

Foram recuperados cerca de 150 mil espécimes de plantas, mas os seres humanos daquela época só trabalhavam com cerca de 140 dessas espécies, como cereais comestíveis, como o trigo selvagem, cevada selvagem, e aveia selvagem. Foram encontrados também ferramentas para moagem, em que se fabricavam farinhas para processamento e consumo e a presença de lâminas usadas para a colheita. Se isso não é agricultura organizada, eu não sei o que é. Se bem que arqueologia nunca foi minha especialidade, mesmo.

A pesquisa foi publicada no periódico Plos One. É mais um capítulo de nossa história, de nossas vidas, da vida de nossos antepassados. Aprendemos mais sabendo quando humanos se tornaram humanos modernos. Quando passamos a ser mais organizados, quando passamos de simples nômades até sedentários organizados, montando aldeias, vilas, cidade, reinos, impérios e o seu bairro.

Aquele pessoal da Antiguidade fazia a mesma coisa que você: tentava sobreviver de qualquer maneira, plantando e comprando suas necessidades. Hoje, em pleno século XXI, conseguimos comprar qualquer coisa (ou quase). Mas também, do jeito que anda a coisa, voltaremos aos tempos em que cada um tinha sua própria hortinha particular para produzir os seus víveres, ainda mais em tempos de inflação. Vai um sílex aí para você fazer suas ferramentas?

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Bruno S. Alencar

    O ser humano sempre plantando a mandioca.