O deserto que alimenta nossas florestas

Um dos erros mais comuns é achar que plantas se alimentam de matéria orgânica. Não se alimentam. Ela não "come" húmus e muito menos cocô. Quem deve comer cocô é quem ainda insiste que plantas se alimentam assim. Elas gostam mesmo é de material inorgânico, oriundo da decomposição da matéria orgânica no solo, por agentes decompositores. Se planta gostasse de matéria orgânica, ela ficaria feliz com um copo de plástico.

Já imaginou do que a Floresta Amazônica se alimenta? Por mais bizarro que possa parecer, não é da matéria orgânica em decomposição trazida pelo rio Solimões (também é). Muito da sobrevivência da Floresta Amazônica vem do Saara!

Todos os anos, uma enorme quantidade de poeira vinda do deserto do Saara chegam até a Floresta Amazônica todos os anos. Até bem pouco tempo não se sabia o tamanho deste montando, mas modernas modelagens estipularam que a quantidade é algo absurdo: 27,7 milhões de toneladas de poeira sendo trazidas pelos ventos alísios.

O dr. Hongbin Yu, pesquisador associado da Universidade de Maryland e pesquisador do Departamento de Ciência e Exploração, estuda essa viagem transcontinental de poeira, que parte de Bodélé Depressão no Chade, um antigo leito de um lago, onde minerais de rochas compostas de microorganismos mortos são rias em fósforo, que é um nutriente essencial para as proteínas vegetais e crescimento.

O dr. Yu-Yu Hakushô calculou quanta poeira pega o busum dos céus e faz esta viagem transatlântica até a bacia amazônica, onde fertiliza solos empobrecidos. Cerca de 22.000 toneladas de fósforo saarianos são transportados, mas apenas 0,08% do total de poeira, se instala na Amazônia a cada ano, substituindo a mesma quantidade que é lavado pela chuva e enchentes.

As novas estimativas de transporte de poeira foram obtidas a partir de dados coletados por instrumento do satélite CALIPSO chamado "LIDAR", um sistema de sensoriamento remoto que "ilumina" um determinado alvo com um laser e analisa os padrões de luz, sobra e reflexão. Praticamente, o satélite é apontado pra baixo e faz PEW! PEW! PEW!. E gerou dados capazes de serem transformados na animação abaixo:

A pesquisa foi publicada no Geophysical Research Letters, e mostra como um ecossistema depende de outro totalmente diferente, bem, bem longe. Um equilíbrio frágil, pois alguns anos mais poeira viaja do que em outros anos. Isso acontece simplesmente porque chove, tirando a poeira da atmosfera (ou, elo menos, a maior parte dela). E como nós mesmos estamos influenciando o sistema climático de regiões, fica fácil perceber que nós mesmos resolvemos andar na corda bamba.

2 comentários em “O deserto que alimenta nossas florestas

    1. Disse um sábio (que infelizmente não identifiquei com a ajuda do Google neste momento) que os gradientes movem o mundo! A ironia está no fato de que esperávamos o efeito contrário, dado o gradiente em questão.

      Aí, a natureza tá dizendo para nós:
      “HÁ! PEGADINHA DO MALANDRO! GLU-GLU-YÉ-YÉ!”

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