O problema das redes sociais para quem produz conteúdo

Até que ponto as redes sociais são tão importantes e/ou influentes para se divulgar conteúdo? Com certeza, não parece muito, pela maneira como as redes sociais trabalham e qual o foco delas. Acham que redes sociais existem para divertimento ou interação de pessoas, mas há muito tempo eu descobri que 1) Redes sociais só querem dinheiro, mesmo. 2) As pessoas não querem interagir, só agir.

Vi um vídeo do Derek Muller, do canal Veritassium que questiona a rede do Facebook como forma de divulgar conteúdo. O vídeo pode ser visto a seguir:

Se você não entendeu o que ele disse, Derek discute o modo como as informações aparecem nas redes sociais. No caso do Facebook, páginas legais que se segue ficam enterradas em um monte de postagem de casamentos e animais fofos. Se for aqui no Brasil (e Derek não é louco de examinar o Facebook brasileiro), veremos um monte de imagens de Nossa Senhora, como Jesus é legal ou imagens com piadas sem graça como Chapolim Sincero ou Sheldon Piadista (benzo-me).

Derek fala o óbvio, mas o óbvio, muitas vezes, passa desapercebido: Facebook existe para ganhar dinheiro. Assim, se você tem conteúdo e quer divulgá-lo, vai ter que meter a mão no bolso. Enquanto isso, se você é um cara muito bem visitado no YouTube, o Google mete a mão no bolso e lhe dá uns caraminguás. A bem da verdade, o Google não é bonzinho; mesmo porque, ele vai ganhar de outro lado: de empresas que irão pagar pelo patrocínio. Já o Facebook meio que decidiu ganhar dinheiro dos pequenininhos e montar uma bela grana no final.

Mas, e o retorno?

Dependendo do vídeo, seu canal vai ter muitos acessos, ainda mais com divulgação em outros meios, como o Twitter, por exemplo. Produzir conteúdo no twitter é muito difícil, já que 140 caracteres é algo para dizer "E aí, Galera!", jargão adorado pelos canais brasileiros. Alguém que fala pra cacete como eu se sente muito limitado. Em contrapartida, se você começa algum tipo de discussão no twitter (e eu me refiro a conversar sobre um tema), aqueles que te seguem não verão tudo o que se está falando. Primeiro, por não necessariamente seguir seus interlocutores, segundo porque muitos seguem trocentas pessoas e a timeline irá se misturando.

Muitos usam twitter pelo celular, que é uma verdadeira merda. Eu já escrevo uma bosta com teclado de verdade, no celular, piorou. E não sou o único. Perde-se dinamismo, em prol da interação. Blogs, como estas linhas presentes, são mais dinâmicas, pois você lê o texto de cabo a rabo (exceto no caso de 90% das pessoas, que mal conseguem passar da segunda linha, mas falarei sobre isso mais adiante); no entanto, não há interação, o texto é engessado, a não ser que você coloque uma atualização ou interaja nos comentários. Não existe modo perfeito.

Vídeos são uma mídia interessante, mas dão mais trabalho para gravar, editar e colocar os gráficos, apesar do resultado final ser excelente, mas trabalhar sozinho é problemático, a não ser que você só fale, fale, fale (ou berre, berre, berre, como canais brasileiros metidos a engraçados ou "cultos"). Há os que gravam conversas do hangout, mas eu (MINHA OPINIÃO) acho chato pra caramba. Parece que você tá ouvindo conversa dos outros e não sabe onde vai dar e ficar uma hora assistindo isso é… bem, algo bem chato. Já os podcasts são interessantes, pois você não precisa ficar com a cara no vídeo, vai escutando e fazendo o seu trabalho, o que não se aplica a mim, pois eu trabalho falando e interagindo (ou tentando interagir) com alunos. É um trabalho intelectual e não braçal, eu preciso ter a minha atenção voltada pro que estou fazendo, seja dando aula, preparando aula, pesquisando informações, corrigindo prova/trabalho etc.

Podcasts, apesar de jurarem até a morte, não é nada diferente da minha avo que ouvia os comunicadores da Rádio Tupi (sim, existem até hoje).

Mas se perguntarem se eu quero participar de um podcast? Sim, quero. Por quê? Não é contraditório? Err… sim, mas é uma experiência válida. Eu já pensei em fazer alguns vídeos, mas aí tenho o problema do tempo para preparar, escrever o que vou dizer (e a linguagem é diferente,como sabem), preparar os recursos visuais etc. Ficar falando, falando e falando, para sair a mesma coisa que o texto é perda de tempo meu e seu.

Dito isso, depois dessa imensa tergiversação em níveis astronômicos, vamos voltar ao ponto do Derek, que mostra como no YouiTube (sim, deu pra perceber qual a preferência dele), você é produtor de conteúdo, enquanto que no Facebook você é apenas um anunciante. E eu pude verificar isso de duas formas.

Primeiramente, as atualizações dos feeds não aprecem levar em conta as páginas que eu "liko", e sim gente que eu nem sei como foi parar lá. Depois, eu comecei um teste (a bem da verdade, bem antes do vídeo do Derek), em que eu fui ver como era esse negócio de impulsionar as postagens. Eu fiz o testes com uma pseudopágina no Facebook que eu tenho há algum tempo: O Adoro Ciência.

O Adoro Ciência acabou sendo apenas um meio de divulgar os textos escritos aqui no Blog. Não tenho muito tempo (ou paciência) de ficar colocando coisa lá toda hora. Quando tenho mais tempo, fico no Twitter escrevendo algumas bobagens, sacaneando uns amigos e sendo xingado, como é de praxe.

Eu comecei, vi que tinha que pagar e coisa e tal, para divulgar a página ou até mesmo o Ceticismo.net. Deixei pra lá. Os computadores de tio Zucka devem ter soltado ALERTA VERMELHO (ou azul e branco). Me mandaram um e-mail com um voucher valendo 100 reais para ser usado na criação de propaganda (taí uma forma para vocês tentarem). Bem, já que ganhei o crédito, porque não usá-lo? Criei a propaganda em 1º de Janeiro, para fins de métrica.

Resultados: de cerca de 20 curtidas que eu tinha até então (obrigado família), passou para 359 (números de hoje). As postagens na pseudopágina do "feice" ganharam uma média de visualizações em torno de 20 a 30. Teve uma que teve 49, e isso é considerando: até agora, não instantaneamente.

Para o clique direcionando para o blog, a resposta foi tão ridícula que eu sequer sei em que parte foi pessoal compartilhando coisas no Facebook e quais vieram da "ação marketeira". Se eu tivesse realmente pago, iria ficar bem insatisfeito, preferindo gastar dinheiro numa fézinha no jogo do bicho, onde eu teria melhores chances de ganhar dinheiro.

Eu levo em conta também que o ato de assinar canais no YouTube não é nenhuma maravilha em termos de dinamismo. De minha parte, a melhor ferramenta de Publicou/Divulgou é o RSS. Eu acho bem irritante ter que entrar no site para ver as novidades se eu posso ter tudo no Feedly, pronto para ser visto. Google Plus? Olha eu tenho amigo que compartilha coisa lá, mas é bem esporádico e só ele. Eu até coloco link das coisas do site lá também (sim, eu sei que deveria colocar link pra ele na página lateral. Vou resolver isso hoje, ok?). Eu tenho a vantagem de ter colocado botões de compartilhamento aqui, o que me ajuda bastante. :D

Ceticismo.net não é o maior canal de divulgação científica, mas não está entre os piores. Eu não faço uma melhor ação de divulgação nem tenho como fazer isso. Tem vezes que eu me esforço para ter, ao menos, uma postagem diária. Quando posso, até deixo agendado no wordpress para publicação automática (vocês não acharam que eu estava online direto desde antes do Natal até início de janeiro, não é?). Não sou paranoico com visualizações e retornos etc. Talvez por esta não ser minha fonte de renda. Eu encaro isso aqui mais como um divertimento e, bem, até que faço um bom trabalho.

De repente, pra este ano eu me dedique mais, não sei, não prometo nada. O que eu posso dizer, contudo, é que recebi convite para participar de um podcast (ironia das ironias). Se der certo, colocarei aqui para seu deleite, além de uma espécie de hangout. Mais uma vez, não prometo nada. O que prometo é que me esforçarei.para continuar sempre trazendo conteúdo que preste e se você quiser participar não esqueça de doar uns pichulés, nem que seja um pichulé do seu tempo para compartilhar os artigos, comentando, mandando pros amigos etc, eu ficarei muito satisfeito e manteremos nossa grande nação livre de terroristas, sem precisar ir pra Antártida pra descongelar algum herói.

7 comentários em “O problema das redes sociais para quem produz conteúdo

  1. André, por curiosidade e se não for incomodo , quanto tempo em média você gasta para gerar artigos e fazer a moderação do site?

    1. Qdo eu estou de férias, fico mexendo muito nele, moderando, respondendo e-mail e de flozô no Twitter. Tem dia que mal acesso, ou aprovo os comentários pelo celular, qdo estou com algum tempo livre.

      A feitura dos artigos pode ser demorada ou não. Vai depender se eu tenho que pesquisar informações paralelas, escrever, vê se tem algo errado, corrigir etc. Tem vezes que me passam notícias e eu escrevo pra danar, até ver que é coisa de uns 3, 4 anos.

      As séries me dão mais trabalho. Comecei a fazer a série sobre termodinâmica e não acabei até hoje e tem mais de um ano isso (quase dois, na verdade)

  2. Admiro sua facilidade de escrever. Os textos saem fluidos como numa conversação, porém sem as argumentações da outra parte.

    Textos são realmente completamente diferentes de vídeos e podcasts. Além da produção do script propriamente dito, tem a fluência da pronúncia. Quem não tem prática ou habilidade pronuncia com muitas pausas e tás , então , sim e outras palavras para amarrar as frases. E tem toda a cadência e entonação na pronúncia para o som ficar claro e atrativo. E se for vídeo ainda tem a expressão de rosto e gestos.
    Para estudo prefiro textos, absorvo mais rapidamente a informação e posso reler para fixar melhor os dados. Para quem assiste vídeos aparentemente eles são mais lentos na transmissão da informação, mas para quem gera é exatamente o oposto. Tem que se apressar para preencher o tempo que não para de correr na ampulheta.

    Marco Aurélio

    Em 17/01/2014, às 22:07, “Ceticismo.net” escreveu:

    Ceticismo.net inform respectfully: your comment on post O problema das redes sociais para quem produz conteúdo now have new reply

    here is your comment:
    André, por curiosidade e se não for incomodo , quanto tempo em média você gasta para gerar artigos e fazer a moderação do site?

    here is new reply comment:
    Qdo eu estou de férias, fico mexendo muito nele, moderando, respondendo e-mail e de flozô no Twitter. Tem dia que mal acesso, ou aprovo os comentários pelo celular, qdo estou com algum tempo livre. A feitura dos artigos pode ser demorada ou não. Vai depender se eu tenho que pesquisar informações paralelas, escrever, vê se tem algo errado, corrigir etc. Tem vezes que me passam notícias e eu escrevo pra danar, até ver que é coisa de uns 3, 4 anos. As séries me dão mais trabalho. Comecei a fazer a série sobre termodinâmica e não acabei até hoje e tem mais de um ano isso (quase dois, na verdade)

    Nem percebi mas já tinha enviado um reply via email de notificação. Coisa de hábito.

  3. Uma curiosidade. Acompanho seus artigos neste blog desde 2008, se não me engano, e noto que no início os comentários eram mais, digamos, toscos.
    Aí te pergunto: Os comentaristas estão melhorando ou você tem apertado mais o filtro?

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