Europa lança maior telescópio espacial da história

“O nome Hubble é duplamente famoso. A segunda fama é derivativa da primeira. No início, achava-se que as estrelas faziam parte de um aglomerado único. No entanto, alguns cientistas começaram a questionar isso, levantando a ideia que várias estrelas estariam em aglomerados próprios, muito, mas muito longe de nosso planeta. Kant foi um dos maiores responsáveis por isso e sua proposição do problema ficou conhecida como a “hipótese dos universos-ilha”. Edwin Hubble foi o cientista que demonstrou que esses “Universos-ilha” existiam e deu a eles o nome de “Galáxias”. Não satisfeito, ele demonstrou que sim, as galáxias se afastam, medindo o seu desvio para o vermelho (em inglês, Redshift). Daí veio a fama do cientista Hubble.

Em 24 de abril de 1990, foi lançado pela NASA em , a bordo do Ônibus Espacial Discovery o telescópio espacial Hubble. Veem a imagem de abertura deste artigo (cliquem para ampliar)? Agradeçam aos dois Hubbles. Em 19 anos de serviço, o telescópio Hubble nos trouxe imagens magníficas, pois ele é capaz de fotografar imagens não só nas linhas espectrais que nossos olhos distinguem, mas consegue enxergar em infra-vermelho também. No entanto, aos poucos ele está se tornando obsoleto. Por isso, a ESA – Agência Espacial Europeia lançou hoje os mais avançados e potentes telescópios jamaios criados: o Herschel e o Planck.

Os dois telescópios espaciais foram lançados nesta quinta-feira (14/05) pela ESA para investigar os primórdios do Universo e estudar a luz mais antiga existente, formada apenas 380 mil anos após o Big Bang. Isso pode parecer muito em termos de nossa tosca e limitadíssima longevidade (chamar meros 100 anos de “longevidade”, em termos de Universo, é o cúmulo da arrogância). Mas levando em conta que o Universo possui seus mais de 13 bilhões (sim, fundamentalistas idiotas, BILHÕES!) de anos, 380 mil é fichinha. ;)

A dupla de telescópios, batizados em homenagem aos cientistas William Herschel e Max Planck têm a missão de estudar e pesquisar as teorias atuais da Física e até trazer evidências da existência de um outro Universo anterior ao atual.

Os telescópios, com custo de US$ 2,89 bilhões, foram lançados a bordo de um único foguete partindo de uma base na Guiana Francesa, e é bem capaz de algum idiota dizer que isso mataria a fome no mundo. Mataria, é? Bem, em junho de 2008, a Polícia Federal daqui deflagrou uma operação de combate a fraudes em licitações públicas em prefeituras de diversos municípios do País. Os suspeitos estariam envolvidos num esquema de desvio de verbas do PAC. A suspeita foi que a movimentação foi de cerca de R$ 2,7 bilhões até aquela data, conforme noticiou o Jornal do Brasil.

É claro que é muito dinheiro. 2,89 bi de dólares é muito mais que 107 mil reais… Se bem que este último valor é só para a manutenção de um site

As pessoas esquecem que o avanço da tecnologia espacial nos propiciou muitas coisas. Computadores mais rápidos e precisos, instrumentos cirúrgicos, ligas especiais, ferramentas especializadas e até transmissão de TV. E isso para algum zé ruela poder ver Big Brother. :(

Quando os dois satélites chegarem em suas órbitas, eles se separarão, afim de tomarem posições diferentes de observação. O espelho primário do Herschel, com 3,5 metros de diâmetro, é uma vez e meia maior do que o refletor principal do telescópio Hubble e, por isso, pode ser considerado o maior telescópio do mundo (e fora dele). Mas isso é só por enquanto. Há a previsão da NASA lançar, em 2014, o Telescópio James Webb, com fabulosos 6,5 metros de diâmetro em seu espelho primário.

O Herschel traz inovações tecnológicas que lhe permitem observar, através de nuvens de poeira e gás, estrelas no momento em que elas nascem. As inovações também permitem que o telescópio observe distâncias inimagináveis no espaço, para ver galáxias que existiram quando o Universo tinha entre a metade e um quinto de sua idade atual, vendo coisas onde nenhum homem jamais esteve. Nem mesmo o Capitão Kirk.

O outro telescópio, Planck, vai mapear o céu com ondas de luz de comprimentos ainda mais longos, na porção de micro-ondas do espectro eletromagnético. Ele fará as medições mais detalhadas daquilo que os cientistas chamam Cosmic Microwave Background (CMB), a Radiação Cósmica de Fundo em Microondas.

Formado 380 mil anos após o Big Bang, esse sinal tênue de micro-onda é o calor remanescente da grande explosão que originou o Universo, a “luz mais antiga” existente, e que ainda cerca o Universo nos dias de hoje. Essas ondas geraram radiação eletromagnética chamada de micro-onda (similar ao do forno no qual você esquenta sua comidinha). “[O telescópio] Planck tem a visão mais apurada até hoje, os instrumentos mais sensíveis e a gama mais ampla de frequência” disse o cientista do projeto Planck da ESA, Jan Tauber. “Ele vai nos permitir identificar todas as características básicas do Universo com grande precisão – sua idade, seus conteúdos, como evoluiu, sua geometria, etc.”

Uma questão-chave envolvendo o telescópio Planck diz respeito à chamada “inflação”. Ela é a expansão mais rápida do que a luz que, os cosmólogos acreditam, o Universo teria sofrido em seus primeiros momentos de existência. Mais uma vez, se faz necessário explicar uma coisinha: Big Bang (não é Big Ben) NÃO FOI nenhuma explosão. Não houve reações químicas. O que houve foi uma expansão da singularidade, formaram-se prótons, elétrons, nêutrons, átomos, moléculas etc. Mas não foi instantâneo. Pelo menos, não segundo a nossa visão ridícula de como a Natureza deveria se comportar.

Segundo a teoria (teorias científicas são baseadas em estudos e comprovações. Não me façam perder tempo refutando suas besteiras) mais aceita, o Big Bang deixou uma “pegada”, que é a CMB, e que essa informação pode ser resgatada com instrumentos suficientemente sensíveis. O Planck foi desenhado para ter essa capacidade.

“Vamos investigar questões nunca estudadas, onde a Física é muito, muito incerta”, disse o cientista George Efstathiou, da Cambridge University, na Grã-Bretanha. “É possível que encontremos uma marca impressa antes do Big Bang, ou é possível que encontremos uma marca de outro Universo e então teremos encontrado evidências de que somos parte de um ‘Multiverso'”, acrescentou.

Eu mal posso esperar para ver as imagens. Tem gente que prefere se contentar com as milhares de estrelas visíveis (ou quase, se você estiver numa grande cidade) à noite. Por que se contentar com tão pouco se temos bilhões e bilhões de GALÁXIAS, cada uma com bilhões e bilhões de estrelas?

Abaixo, um brinde: Um vídeo produzido pela própria ESA sobre o telescópio Herschel (em inglês). Have fun, folks.

2 comentários em “Europa lança maior telescópio espacial da história

  1. bacana, não acho que dinheiro gasto em construção e desenvolvimento de aparelhos científicos (no caso telescópios) voltados para pesquisas sejam um desperdício, a ciência precisa avançar sempre, pena que aqui no Brasil, nós que curtimos astronomia não conseguimos encontrar vidros comuns (soda lime) com espessura acima de 19 mm (está muito raro) pois existe uma fórmula que tem que ser levada em conta quanto maior o diâmetro do espelho, maior a espessura do vidro (para telescópios amadores) imagine um vidro especial como o pyrex então. coisas de país sub. :shock: :mrgreen:

    Curtir

Deixar mensagem para sergiobiju Cancelar resposta