
Há quem diga que Marte é um deserto morto e sem graça. Bom, aparentemente até deserto tem senso de humor, porque enquanto o rover Perseverance tentava fazer uma selfie decente para comemorar seus 1.500 dias marcianos (ou sols) de passeio pela Cratera Jezero, um pequeno vórtice de poeira resolveu fazer uma aparição especial; sim, um legítimo Saci Espacial no fundo da foto.
O Universo pode ser cruel, mas tem timing.
A imagem foi registrada no dia 10 de maio, enquanto o rover descansava em um local poeticamente apelidado de “Witch Hazel Hill”, uma colinazinha simpática na borda da cratera, onde Perseverance está explorando há cinco meses. A NASA não comentou se o nome tem a ver com alguma planta, bruxa ou loção para acne, mas já virou cenário de selfie.
Justin Maki, líder da equipe de imagem do Jet Propulsion Laboratory (o pessoal responsável por fazer robôs se comportarem em outro planeta), comentou que a imagem ficou ótima porque o tempo estava “limpo”… ou tão limpo quanto Marte permite. Com a atmosfera relativamente clara, foi possível flagrar o redemoinho de poeira a cerca de 5 quilômetros ao norte, passeando por um vale com nome que parece personagem nórdico: Neretva Vallis.
Mas não é só estética que importa. A selfie também serve como check-up geral do Perseverance. Afinal, ele já está em Marte há 1.500 sols, o equivalente a 1.541 dias terrestres, ou, em termos de envelhecimento tecnológico, uma eternidade. A equipe usa essas imagens para ver se o rover ainda está inteiro, com os parafusos no lugar e sem peças a caminho da aposentadoria.
A selfie é, tecnicamente, uma colagem de 59 fotos tiradas por uma câmera chamada WATSON (sim, é uma sigla, e não, ele não toca saxofone nem trabalha com Sherlock). A câmera fica no final do braço robótico, e teve que fazer 62 movimentos precisos — cada clique com um campo de visão diferente — para montar o autorretrato. Tudo isso para captar o rover olhando para o próprio braço, como quem pensa: “será que eu tô bonito hoje?”
E se você acha que o demônio de poeira foi só uma coincidência, saiba que ele também apareceu em 29 de abril, quase duas semanas antes da selfie, quando o Perseverance estava perfurando uma amostra de rocha. Porque, aparentemente, esses redemoinhos gostam de plateia.
O estado atual do rover? Poeirento, cansado, mas em plena forma. Já coletou 26 amostras de rochas (uma ficou sem lacre, talvez por preguiça), perfurou 37 pedras, e andou mais de 36 quilômetros — o que, para um robô com seis rodas num planeta onde tudo parece igual, é praticamente uma maratona épica.
“Estamos meio empoeirados, mas ainda lindos por dentro”, disse Art Thompson, gerente do projeto, num raro momento poético. O Perseverance continua energizado por seu gerador termoelétrico radioisotópico (o que é basicamente um reator nuclear de bolso) e todos os sistemas estão “no verde”, o que, para engenheiros, é a versão técnica de dizer “tá tudo ótimo, obrigado”.
Atualmente, o rover está zanzando por uma região chamada “Krokodillen”, nome que não sei se foi inspirado em um crocodilo norueguês, um parque aquático alemão ou um devaneio geológico, mas que com certeza vai virar pano de fundo para mais uma foto… com ou sem demônios de poeira.
Fonte: Mãe da criança.


Imagino o saci chegando perto do Rover pra ver a foto e aproveitando pra tirar um pouco da poeira dos instrumentos dele. Os dois devem ser parças.
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