USP seguindo antiga tradição paulistana de avaliar quem tem e quem não tem direitos

Nietzsche alertou para não combater os monstros temendo se tornar um deles, e que se você olhar para dentro de um abismo, o abismo olhará para dentro de você. Um perfeito exemplo disso é a escolha de quem pode e quem não pode se candidatar a vagas em universidades públicas pelo critério de cotas com análise se você tem a cor certa, as feições certas, o cabelo certo, só faltando pedir um exame de DNA. Aliás, se pedissem um exame de DNA não passariam (tanta) vergonha. E a vergonha é generalizada, como o caso da USP que negou vaga para um rapaz pardo, porque, segundo o tribunal racial, ele não é pardo e nem escocês; acho que acertaram a metade.

Avaliando suas informações antropométricas para saber se você pode comentar aqui, esta é a sua SEXTA INSANA!

Pessoal de Humanas adoram uma avaliação racial. Bem, eles poderiam ter estudado algo como História. O amiguinho deles, Platão, em “A República”, defendia uma forma de melhorar os seres humanos por meio da permissão seletiva à vida. Sim, isso mesmo! Para Platão, a reprodução humana deveria ser controlada e monitorada pelo Estado. Nós chamamos isso de “Eugenia”, o processo de seleção de seres humanos com base em suas características genéticas, com o objetivo de melhorar as gerações futuras.

Este termo foi criado pelo cientista inglês Francis Galton em 1883, que achava que raças superiores e de melhores estirpes conseguem prevalecer de maneira mais adequada ao ambiente, e há quem diga que isso é a conclusão dos trabalhos de Darwin, sendo que ele jamais falou qualquer coisa nesse sentido.

Claro, você vai se lembrar primeiro de como a Alemanha Nazista pregava a superioridade de raças, mas isso já recebia mais atenção do que deveria por parte de políticos antes mesmo da Primeira Guerra Mundial. Só depois da Segunda Guerra Mundial, que viram que aquilo que os alemães faziam não era muito legal, como esterilizar 140 mil judeus compulsoriamente e matar 6 milhões nos campos de concentração.

Mas calma! Aqui no Brasil tivemos um representante à altura. Seu nome era Renato Kehl.

Antes de 1917, houve algumas iniciativas esparsas que mencionavam a eugenia como um caminho possível, mas foi com o médico paulista Renato Kehl que a teoria adquiriu adeptos e defensores. O entusiasmo generalizado causado por uma conferência realizada por Kehl na Associação Cristã de Moços de São Paulo impulsionou a fundação da Sociedade Eugênica de São Paulo (SESP), em 1918. A primeira associação do tipo na América Latina contou com cerca de 140 associados. Entre eles estavam o fundador da Faculdade de Medicina de São Paulo, Arnaldo Vieira de Carvalho, o sanitarista Arthur Neiva, o psiquiatra Franco da Rocha e o educador Fernando de Azevedo.

Getúlio Vargas – aquele outro pulha vagabundo que é adorado por Esquerda e Direita por motivos que eu jamais irei entender – importou vários europeus, principalmente italianos para virem trabalhar no Brasil. Não, ele não estava pensando em dar uma vida melhor a eles. Vargas queria mesmo era branquear a população.

E somado tudo isso, a gente pensa que deveríamos aprender algo com o passado, mas não é o que acontece. Tudo volta a acontecer, por vezes com sinal trocado. Por exemplo, neste ano, a USP definiu que candidatos selecionados pelo Provão Paulista e Enem teriam a autodeclaração racial aferida de forma virtual. A avaliação foi feita assim, porque, segundo a USP, “isso demandaria um calendário de bancas de heteroidentificação incompatível com o calendário dos vestibulares do Enem, das universidades paulistas e do Provão Paulista”. Em outras palavras, os funças não querem trabalhar e mandaram essa e jogaram como desculpa “ain, isso faria os candidatos viajarem grandes distâncias”, mas que a verdade é que o cara não quer pegar o trânsito de SP, nem correr o risco de assaltantes levarem o carro do fofinho.

Alison dos Santos Rodrigues teve a autodeclaração racial negada pela USP e perdeu a vaga em medicina. Junto com outros alunos, ele entrou com um processo, e ele nem foi o único! Só a USP recebeu 204 recursos de candidatos que tiveram a autodeclaração racial negada ao concorrer às 2.067 vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas que estudaram em escolas da rede pública. Apenas 51 desses recursos foram deferidos, ou seja, os alunos tiveram a sua pertença racial aprovada.

A USP não informou se o número de requisições registradas neste ano é maior do que em 2023. A USP arrumou um migué defendendo o modelo que adota para a política de cotas e para a avaliação dos candidatos. No caso do Alisson, a decisão foi negada porque Alison foi descrito e avaliado como sendo uma pessoa “de pele clara, possui boca e lábios afilados e que o cabelo raspado impede saber o tipo de cabelo que ele tem. Ou seja, a Beyonce, Taís Araújo e o Michael Jackson seriam considerados brancos.

Pensem na situação. O cara vai para o tribunal racial banca examinadora e será examinado que nem bicho para saber se tem a cor certa, os lábios condizentes, cabelo curto ou raspado perderá pontos, olhos azuis também será um critério de impossibilitar a admissão e nada de nariz fino. Ou seja, esta menina seria considerada branca.

Sim, a banca que luta contra estereótipos usa o mais pérfido e torpe estereótipo de negros para alegar quem é branco e quem não é. Segundo o juiz que deu ganho de causa a Alison, o candidato pode (cof cof cof) ter sido prejudicado pelo processo de avaliação da comissão, já que não foi garantido a ele o direito de ser analisado presencialmente por ter sido aprovado pelo Provão Paulista como acontece com os candidatos selecionados pela Fuvest, vestibular próprio da USP.

“Com efeito, a avaliação presencial poderia ter surtido resultado diverso, à medida que condições de iluminação e definição de equipamentos eletrônicos podem gerar distorções. Há, destarte, probabilidade do direito invocado”.

Ou seja, é pra avaliar pessoas como fossem animais e de uma forma tão ridícula que primeiro é por foto, depois vídeo e só depois presencialmente, como se fosse algo… assim:


– Você é negro, rapaz?
– Sou, sim, senhor.
– Não tá parecendo, não!

Esse é o mundo que vocês criaram.


PS. Nesses longos anos com cotas, já melhoraram a Educação de forma que todos tenham um ensino decente de forma que cotas não sejam necessárias? Não, né?


PS2. Das profundezas do Inferno, Renato Kehl ri satanicamente.


Fonte: Folha

3 comentários em “USP seguindo antiga tradição paulistana de avaliar quem tem e quem não tem direitos

  1. Este “tribunal racial” não é uma exclusividade da USP. Há alguns anos atrás, na Universidade de Brasília, houve o caso de gêmeo que um foi considerado pardo e outro não.

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  2. A título de combaterem o racismo se tornaram racistas. A frase de Friedrich Nietzsche nunca fez tanto sentido.

    Melhorar a qualidade do ensino básico público ninguém quer, não da voto, é investimento de longo prazo e a maior parte dos nossos rasos políticos não vão por esse caminho.

    Acredito que daqui uns 50 anos alguém saberá que essas coisas aconteceram e fiacará indignado.

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