O Control+Tab dos antigos

Quando eu escrevo artigos, não nem que sejam informações paralelas e adicionais, que não necessariamente farão diferença, mas ajudam em trazer mais subsídios para o melhor entendimento ou simplesmente porque é legal saber mais. No caso dos artigos especiais, eu fico com mais de uma janela dedicada a isso, com trocentas abas. É um trabalhão monumental, além de eu me perder várias vezes, mas no fim tudo dá certo.

Entretanto, fica a dúvida: como os antigos historiadores, eruditos, pesquisadores e cientistas faziam quando precisavam consultar mais de uma obra?

Esta estante acima é uma máquina de leitura do século XVIII, que atualmente está na Biblioteca Palafoxiana, localizada no México. Por sinal, a primeira biblioteca pública das Américas, fundada em 1646 e ocupando o andar superior do Antiguo Colegio de San Juan localizada no centro histórico da cidade de Puebla, no estado de Puebla. A biblioteca foi montada graças à doação de 5000 livros da coleção particular do bispo Juan de Palafox y Mendoza. Atualmente, a coleção contém mais de 45.000 livros impressos nas épocas coloniais dos séculos XVI, XVII e XVIII, abrangendo as áreas de Direito, História, Medicina, Arquitetura, Hagiografia e diversos tomos sobre a vida colonial depois que o México conquistou sua independência.

Em 1981, a Biblioteca Palafoxiana foi declarada Monumento Histórico Nacional e, em 2005, sua magnificência e riqueza cultural lhe proporcionaram o título de Memória do Mundo pela UNESCO.

A seguir, um pequeno vídeo do local.

Como dito, esta estante móvel data do século XVIII, logo, não é original da fundação da Biblioteca. De qualquer forma, estantes móveis assim, para se ler vários livros ao mesmo empo na feitura de alguma pesquisa, não era nenhuma novidade. Um inventor, cientista engenheiro e erudito chamado Agostino Ramelli (1531-1608) criou o seu próprio sistema.

Ramelli devia ser um cara que lia muito, ainda mais que sua principal obra “As diversas e artificiais máquinas do capitão Agostino Ramelli Da Ponte Della Tresia, Engenheiro do próprio rei cristão da França e da Pollonia: nas quais estão contidos uarij et industrious Mouimenti, digno de grande especulação, por causa do benefício infinito em todo tipo de operação”.

Sim, este é o título do livro, não o texto integral dele.

Ramelli criou o seu próprio sistema de leitura com engrenagens um tanto mais complicado, mas não menos funcional. Trata-se de um sistema de engrenagens epicíclicas em que uma engrenagem gira em torno de outra como um sistema planetário. As prateleiras do dispositivo mantém uma inclinação constante de 45 graus que apoia os livros no ângulo perfeito para leitura. É uma máquina fantástica, bonita e historicamente precisa que poderemos usar para ensinar a história do livro e as tecnologias de leitura durante as eras medieval e moderna.

A “roda de livros” de Ramelli era fabulosa, ainda que não tão elegante quanto a da Biblioteca Palafoxiana. Original, não tem nenhuma mais, mas há duas réplicas no Rochester Institute of Technology (RIT) construiu duas rodas: uma está na Cary Graphic Arts Collection no RIT e outra na Biblioteca Rossell Hope Robbins, na Universidade de Rochester.

O que não se pode é deixar de ler. Leiam muito, nem que seja Ctrl+Tab no navegador.

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