A face radioativa da Lua

Se você é daqueles Team Aristóteles, bem, ele mais errou do que acertou (dizem que acertou). Ele achava que a Lua era uma esfera absolutamente sólida, lisa e perfeita. Errou completamente, como Galileu mostrou. Ela tem aquele aspecto de areia mijada, cheia de buracos, e vocês jamais verão divulgadorzinho de ciência dizer que a Lua tem aspecto de areia mijada, cheia de buracos, mesmo ela tendo aspecto de areia mijada, cheia de buracos.

Somando a isso tem o fato de ela ser tudo, menos simétrica, quando o lado que a gente sempre vê no céu ser bem diferente do lado que fica escondido.

Matthieu Laneuville é pesquisador do cientista planetário do Earth Life Science Institute. Ele e outros pesquisadores ficam no mundo da Lua pensando como ela pode ser tão diferente. Matthieu estuda como as faces da Lua têm características significativamente diferentes, muitas relacionadas à atividade geológica. Cerca de 1% do lado oposto da lua é coberto por crateras causadas por atividade vulcânica na Lua. Mas e aí.

Tudo começa há 4,5 bilhões de anos atrás, a Terra e a Lua se formaram quando Theia, um objeto do tamanho de Marte colidiu com a proto-Terra. A hipótese do impacto gigante explica de onde veio a Lua, já que o porradão (você também não verá os divulgadores científicos escrevendo assim) arrancou um naco da proto-Terra e isso ajudou a formar a Lua, que durante todos esses bilhões de anos tem sido alvo de asteroides, aerólitos e aerolotes.

Matthieu e seu pessoal investigaram a história geológica da Lua e descobriram uma nova explicação para a assimetria entre os lados distante e próximo, por meio de modelagem computacional e observações existentes da superfície lunar. A resposta estaria nas concentrações de elementos radioativos na Lua.

Sabe-se que elementos radioativos liberam calor durante seu decaimento, quando núcleos pesados se transformam em núcleos mais leve, liberando radiação alfa, beta e gama. A pesquisa mostrou que elementos radioativamente instáveis emanam calor suficiente para derreter as rochas onde esses elementos estão localizados.

Mas calma, não é só isso! os pesquisadores também descobriram que a assimetria também está ligada a uma propriedade do KREEP, uma assinatura de rocha que é a abreviação de rocha enriquecida com potássio (símbolo químico K), elementos de terras raras (REE – que inclui cério, disprósio, érbio, európio, entre outros) e fósforo (símbolo químico P). O KREEP foi identificado pela primeira vez com as missões Apollo na superfície lunar e está associado às crateras e, portanto, a atividades vulcânicas e outras atividades geológicas.

A pesquisa apontou que, além do aquecimento causado pela decomposição radioativa de elementos instáveis, o material enriquecido com KREEP na superfície lunar tem pontos de fusão mais baixos., aumentando as alterações geológicas esperadas.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Geoscience, e tá liberadão aqui pra você.

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