Pesquisadores criam detector de vírus portátil (ou quase)

Para mim, uma das coisas mais fascinantemente ficcionais eram os tricorders médicos. Tipo. O dr. MacCoy passava o saleiro (sim, aquilo era um saleiro que a produção achou bem futurista para ser usado como algum dispositivo do século XXIII) e o tricorder lia o que a pessoa tinha. A não ser se estivesse usando roupa vermelha. Neste caso, já partia pro “He is dead, Jim”, a fim de economizar tempo de filmagem.

Mas já pensou se tivéssemos um treco para ajudar médicos a não só mandar um “é virose, como já dizer qual vírus sem-vergonha está por detrás a infecção? Bem, é isso o que estão desenvolvendo. Sim, usa nanotubos. Nanotubos é a moda agora. Senta e aceite!

O dr. Mauricio Terrones é químico (com ele a oração e a paz). Como todo ser supremo, Maurição (eu posso chama-lo assim, pois é parça. Vocês são mortais) decidiu que pode ser uma luz no mundo. Para tanto, ele é professor de Física, Química e Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade da Pensilvânia.

Maurição sabe que o futuro do presente ou presente do furuto ou alguma bobagem dessas, é o grafeno, nanotubos de carbono e coisas similares. Que tal dfar uma utilidade pra essa bagaça além daquelas postagens toscas do Olhar Digital ou Mashable como se essa bagaça fosse resolver todos os nossos problemas? Bem, todos não vai, mas que tal analisar sangue para identificação de vírus como o do ebola e do zika?

Junto com seus colaboradores, Terrones (eu tive que me esforçar para não escrever “torrones”) desenvolveu um dispositivo portátil chamado VIRRION. Segundo Toblerone, digo, Terrones, este treco promete capturar e identificar partículas virais em amostras em questão de minutos; sua “floresta” de nanotubos de carbono que capturam e classificam partículas virais, dependendo do tamanho e, em seguida, o operador será capaz de identificar os vírus usando a espectroscopia Raman.

A espectroscopia Raman é uma técnica fotônica de alta resolução que pode proporcionar, em poucos segundos, informação química e estrutural de quase qualquer material, composto orgânico ou inorgânico permitindo assim sua identificação. Esse fenômeno foi observado experimentalmente em 1928 por Chandrasekhara Venkata Raman, na Índia e, por esse motivo, foi chamado de efeito Raman.

Sua análise se baseia na luz, monocromática, colimada, coerente e de determinada frequência, espalhada ao incidir sobre o material a ser estudado, cuja maior parte da luz espalhada também apresenta a mesma frequência daquela luz incidente. Somente uma pequena porção da luz é espalhada inelasticamente frente as rápidas mudanças de frequência, devido à interação da luz com a matéria, e é uma característica intrínseca do material analisado e independe da frequência da luz incidente.

Traduzindo do wikipedês, a espetroscopia Raman se baseia em atingir um corpo com uma luz de uma cor só (é isso o que “monocromática” significa). Pode acontecer duas coisas: ou a luz é espalhada de forma igual, mantendo seu comprimento de onda e frequência (aka, sua “cor”) ou gera um espalhamento de luz com energia diferente da que incidiu. Ou seja, não terá o mesmo comprimento de onda ou frequência. Sua “cor” não será a mesma. E se eu criar um padrão para cada substância química, ao incidir o feixe de comprimento de onda bem definido, ao obter o resultado, é só comparar com os padrões e descobrir quem é a substância que está ali.

Como um vírus é o que químicos chamam de PFDP (proteína filha da puta), basta eu ter uma sequência de proteínas para estabelecer um padrão e examinar o vagabundinho que estará causando problemas.

Não, você jamais leria isso no site da Penn State ou numa ata de um Congresso de Química Analítica. Eu não estou escrevendo pra eles de qualquer forma, mas pelo menos não digo que energia não existe ou que diamantes evaporam.

De acrodo com a pesquisa de Maurição, o VIRRION pode detectar vírus em questão de minutos, requer apenas alguns mililitros de amostra e é barato e facilmente portátil, potencialmente tornando-o adequado para clínicas remotas e até mesmo no ponto de atendimento. Vai ser implantado até o fim do mês? Vou ficar devendo esta informação. Muitos desses trecos para exames nos cafundós do Judas ficam só na promessa, mas seria muito interessante se algum visse à luz do dia, ainda mais em se tratando de nanotubos de carbono, que faz tudo, menos sair da bosta do laboratório.

Claro, não será por causa disso que você não irá querer saber mais, certo? A pesquisa completa está disponível na PNAS. Corre lá pra ler.

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