Pesquisadores mapeiam de genes que datam das Cruzadas. Jornaleiro se preocupou com a cabeça

Guerras hoje são muito o do sem-graça. Segundo historiador militar e filósofo capitão Rodrigo Cambará, guerras existem para dar diversão aos homens. Ficar numa salinha com ar-condicionado e um whey do lado apertando botões para que um Predator mande umas democracias do outro lado do mundo é algo que qualquer mané faço. Isso nem dá mais terror, só faz pessoal ficar bolado. Bom mesmo era antigamente, quando nossos ancestrais saíam na porrada no mano-a-mano, esmagando os seus inimigos, vendo-os fugindo diante de você e ouvindo o lamento de suas mulheres. Isso sim era maneiro. O cara tá lá escondido numa fortificação, aquele covarde? Manda-se um recado. Como? Catapultando a cabeça de alguém com aquele recadinho silencioso “saca só o que eu vou fazer contigo!”.

Mas calma lá. isso você acha hardcore demais? Pois melhora (ou piora, dependendo de qual lado você está lutando): há evidências que pessoal juntou o insulto à injúria e mandou a cabeça de um camarada não só para espalhar terror, mas doenças também, comprovando mais uma vez que guerra biológica não é coisa recente.

Você deve ter estudado sobre as Cruzadas, aquele belo movimento de amor à Cruz de Nosso Senhor, levando um pouco dos princípios de amor de Jesus Cristo a povos infiéis, enquanto saqueavam mulheres, estupravam vilas, matavam terras e se apropriavam de crianças e sangue, fazendo correr rios de velhos. Não necessariamente nessa ordem. A selvageria era dos dois lados e ninguém poupava ninguém, muito menos o Papa, que era pop e não saía de roma, pois não era idiota.

Num remoto lugar esquecido da História, encontrou-se uma sepultura em Sidon, no Líbano, datada do século XIII com nove esqueletos do século. Eram todos do sexo masculino tendo sido violentamente mortos durante a batalha, o que se podia notar pelas lesões nos ossos. Como o inimigo não era muito chegado nesse lance de diplomacia e respeitar os mortos, os defuntos foram descartados de qualquer jeito num poço e queimados.

Sim, eu sei. Você vai achar um absurdo, mas é guerra. Pro pessoal que está lá guerreando não tem essa de “guerra não faz ninguém grande”. O cara não quer ser grande, ele quer é ter certeza que seus garotos não vão morrer pelo país deles, mas sim certificar que os outros é que morrerão pelo país deles.

Ainda assim, não apenas isso! O homem medieval poderia ser ignorante em muitas coisas, mas uma coisa ele sabia muito bem: corpos apodrecem. Apodrecimento traz doenças. Motivo? Sei lá, não me interessa, melhor nos livrarmos disso. Assim, queimar os corpos era a melhor saída e garantia que não haveria focos de doenças. Ah, sim. E ainda de quebra humilha o inimigo. Win-Win!

Não só apenas estes corpos foram encontrados lá. Tinha o crânio de um camarada (só um crânio, mesmo. Os outros estavam completos), cuja análise genética retornou que ele tinha ascendência europeia e estava lá para levar democracia papal. Os arqueólogos estimam que aquilo era uma arma de terror e bacteriológico, pois muito provavelmente fora arremessada com uma catapulta para espalhar medo e doenças no campo dos cruzados.

Funciona assim. Você mandava uns soldados para espionar o inimigo. Ninguém gosta de espiões (principalmente o pessoal que envia os espiões deles, mas os outros espionando é sacanagem!). Se o cara era preso, era interrogado e morto (às vezes, uma coisa acarretava a outra). iam fazer o que lá com aquele sujeito? Bem, cortavam a cabeça e mandavam de presente para o exército que enviou aquele desinfeliz, como minha avó costumava chamar. Co um pouco de sorte, deixavam apodrecer um pouquinho para, aí sim, mandar via Sedex do Inferno. Como naquela época Curitiba ainda não tinha sido fundada, a encomenda chegava direitinho, mas num estado deplorável, do mesmo modo como algumas de minhas encomendas chegam atualmente.

O dr. Marc Haber é geneticista do Instituto Wellcome Sanger. Ele analisou o que sobrou do cabeção e comparou com a população genética local. Normalmente, os cruzados chegavam lá no local, encontravam umas moças bonitas para se apropriarem (casamento era secundário) e isso gerava descendentes, que nem sempre seguiam os passos do pai (que normalmente picavam a mula e iam embora).

Em algumas outras ocasiões, o pessoal de Jesus viajava para o Oriente Próximo e seus filhos acabavam abraçando a causa, principalmente porque estavam tudo na pindaíba e precisavam sobreviver de alguma forma. A melhor maneira era conquistar território (Oceania ia depender das cartas) para ter um lugarzinho só seu.

Só que o planomiou e acabou não dando em nada disso; os descendentes ficavam por lá, mesmo, se tocaram que não tinha como ir pra Europa (que eles nem sabiam direito onde era, nem se importavam), passavam seus genes adiante com as moças casadoiras locais e isso resultou no povo que tem lá hoje, que ainda mantém traços genéticos dos antigos cruzados que estavam dando um rolé por lá.

A bem da verdade, é essa a pesquisa: a análise e mapeamento genético da população de Sidon e cercanias, tentando resgatar sua história genética e mapear toa a sua ancestralidade, e não apenas ficar olhando a cabeça sem corpo, mas o pessoal do The Telegraph achou que mapear um vilarejo é sem graça e, HEY!, vamos dar atenção àquela caveira ali perdida.

A pesquisa foi publicada no American Journal of Human Genetics e está disponível para leitura para qualquer aventureiro que queira saber mais. Com um pouco de sorte, até os jornaleiros  do Telegraph leiam, mas eu duvido.

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