Uma sinfonia impactante da Lua

Aristóteles, grande sábio da Antiguidade, disse que a Lua era maciça, sólida e totalmente perfeita. Ela não tinha nenhum defeito, totalmente lisinha como a bunda de um bebê. Claro, o tosco de Estagira tinha problemas em olhar pra cima e olhar pra Lua, que mesmo a olho nu dá pra ver que ela não é lisinha, mas estamos falando de um sujeito que foi casado duas vezes e achava que mulheres tinham menos dentes que homens. O mundo sopralunar era perfeito, lindo, maravilhoso. Uma pena que Aristóteles fosse tão ignorante ao ponto de escrever um mundaréu de bobagens, enquanto Aristarco de Samos já tinha dito que a Lua tinha crateras e girava ao redor da Terra, assim como a Terra girava ao redor do Sol. Aristarco não tinha o reconhecimento de Aristóteles e seus escritos padeceram ignorados por séculos.

Só com Galileu é que tivemos certeza da imperfeição da Lua, com seus vales, “mares”, montanhas e crateras. Muitas dessas crateras possuem milhões de anos, outras, algumas centenas, mas delas, 111 possuem idade de cerca de 1 bilhão de anos.

Imagine que alguém organizasse as crateras por tamanho, extensão e profundidade. Imagine que usassem isso para atribuir sons, relacionando o tamanho da cratera com notas musicais. Inclua o fundo de um violoncelo. Nós obtemos… música, espremendo os principais impactos de asteroides em um minuto, e, com isso, compondo uma maravilha musical.

Pesquisas mostram que os impactos na superfície lunar se tornaram mais frequentes há cerca de 290 milhões de anos. A Terra também teve a sua cota, mas hoje não é tanto assim. Por pura sorte acabamos tendo chance de evoluir espécie inteligente e com capacidade de desenvolver tecnologia para transformar catástrofes em arte. É uma lembrança que mesmo as mais belas coisas têm um passado obscuro, terrível. Mas também nos lembra que podemos transformar o caos em algo belo, angariando dados, informações e transformando em conhecimento, dando umas pinceladas para divulgar o que acontece fora do quintal de nossas casas.

Agradecimentos ao Inácio que compartilhou esta maravilha.

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