Pesquisa mostra como bactéria de infecção oral não causa Alzheimer, independente do que andam falando por aí

Você deve ter visto pessoal compartilhando e comentando sobre a incrível descoberta do que causa o Alzheimer: uma bactéria. Pois é, pessoal falou bobagem novamente. Não é isso. Indo pro TL;DR o que foi descoberto é como agentes infecciosos poder direcionar (e não criar) doenças degenerativas como o Alzheimer, bem como sua progressão. Isso significa dizer que uma bactéria não está fazendo as pessoas contraírem Alzheimer, e sim como a infecção age sobre uma pessoa que ou tem e apresenta ou tem, mas ainda não começaram os sintomas.

O dr. Jan Potempa é professor do Departamento de Imunologia Oral e Doenças Infecciosas na Faculdade de Odontologia da Universidade de Louisville, em Louisville, no Kentucky, EUA. Ele é biólogo, isto é, é profissional da parte da Química que estuda coisas que se mexem por si mesmas.

A pesquisa de Potempa estuda a bactéria Porphyromonas gingivalis, uma bactéria safadeenha comumente associada à doença gengival crônica. Antes achavam que esta bactéria poderia causar o Alzheimer, só que até agora ninguém achou nenhuma prova definitiva, segundo o próprio Potempa, mas não é por causa disso que iam deixar de pesquisar. Afinal, também tinham dito que roupa velha fazia aparecer ratos.

O que a pesquisa mostrou é que, em modelos animais, a infecção oral causada pela P. gingivalis acarretou numa colônia dessas desgracentas no cérebro. Lá, elas aumentou a produção de beta-amilóide (A?), um componente das placas amilóides comumente associadas ao mal de Alzheimer.

Beta-amilóide é um pedaço de uma proteína ainda maior que é encontrada na membrana gordurosa que envolve os neurônios. Esses pedaços acabam se juntando e formando placas e é essa uma das causas do Alzheimer, pois, quanto menores os pedaços, mais compactas são as placas formadas. Essas placas acabam por bloquear a sinalização entre as células nas sinapses e é daí que vem os sintomas da doença.

Lembrando: a bactéria não produz beta-amilóide. Ela intensifica o surgimento das beta-amilóides!

A equipe de Potempa também encontrou as enzimas tóxicas do organismo. As gengivites secretam essas toxinas que são transportadas para as superfícies exteriores da membrana bacteriana e demonstraram mediar a toxicidade da P. gingivalis numa variedade de células. A equipe correlacionou os níveis de gengivite com patologia relacionada a dois marcadores: tau, uma proteína necessária para a função neuronal normal, e ubiquitina, um pequeno marcador de proteína que marca as proteínas danificadas.

Mas em síntese, o que os pesquisadores descobriram (e é isso que foi publicado no periódico Science Advances) foi a presença de P. gingivalis no cérebro de pacientes com Alzheimer, estudando tecidos humanos pós-mortem, isto é, de pessoas já mortas. Em nenhum momento a pesquisa diz que o Alzheimer é causado pela P. gingivalis exclusivamente e até é perigoso dizer isso, ou as pessoas acharão que basta se encher de antibióticos para prevenir a doença, que ainda não se tem uma explicação definitiva de como é causada em detalhes.

Isso está levando ao estudo do processo para desenvolver tratamento para mitigar os sintomas do Alzheimer, mas devemos ser honestos em admitir que em nenhum momento a bactéria safadeenha causou a doença. Se você vir qualquer coisa dando a entender isso, pode xingar que eu deixo.

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