Uma pílula de insulina no capricho para os dependentes químicos

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Ser dependente químico é uma tristeza. Não é legal para a saúde e tem que fazer de tudo para tentar não sucumbir. Sendo assim, alguns diabéticos passam por transtornos por depender da substância química chamada insulina. Basicamente, ainda se depende das injeções, mas daí eu me lembro da cena do doutor McCoy em Star Trek 4 (o das baleias) quando ele passa por uma velhinha no corredor do hospital e ela lhe diz que precisa de diálise. Ele, com seu jeitinho alegre e atencioso solta um “Meu Deus, isso aqui é a Era das Trevas?” (que foi dublado como “Isso aqui é um açougue medieval?”) e dá uma pilulinha para ela e sai alegremente. Sim, a velhinha não precisou mais de diálise. Tudo bem que isso era em 1987 e nem mesmo plutônio se comprava em farmácias mais. Aquilo era ficção científica pura, certo?

Há 30 anos, podia ser, mas hoje pesquisadores estão estudando a viabilidade de entregar insulina para o corpo do paciente por via oral. Sim, também com uma pilulinha. Seria sonhar muito?

O dr. Samir Mitragotri é professor de Bioengenharia da Faculdade de engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade Harvard. Como bom engenheiro ele sabe que se algo não pode ser melhorado é porque está quebrado de vez.

O problema básico da insulina é que ela pertence à classe das proteínas hormonais. Cada hormônio atua numa função específica do metabolismo como um mensageiro químico. A insulina age mantendo controlado os níveis de glicose no sangue. Mas por que isso é um problema? Não é que seja um problema propriamente dito, mas pelo fato da estrutura química que ela tem que a impede de ser ingerida por via oral de maneira simples. Toda proteína que chega no sistema digestório será desmontada em aminoácidos, de forma que estes aminoácidos sejam remontados na proteína que o corpo efetivamente vai precisar. A insulina é montada e secretada pelo pâncreas, mas infelizmente, o corpo dos diabéticos não sabe pegar aminoácidos e transformá-los em insulina.

O que a pesquisa de Mitragotri, que tem nome de bruxo malvado de algum jogo de RPG, visa é encapsular a insulina de forma que ela fique sem ser atacada por tudo o que o corpo secreta até que ela seja absorvida. De início, a equipe de Mitragotri conseguiu um envoltório resistente ao suco gástrico e às secreções no intestino. Esse revestimento de polímero se dissolve quando atinge um ambiente mais alcalino no intestino delgado, onde o líquido iônico que transporta insulina é liberado e ela pode ser absorvida.

A insulina foi encapsulada num gel de ácido colino-gerânico que conseguiu ser capaz de penetrar duas barreiras finais: a camada de muco que reveste o intestino e as junções estreitas das células da parede do intestino, através das quais drogas de moléculas grandes como a insulina não podem passar facilmente. Mas ainda não chegaram a um consenso, pois há outras técnicas sendo testadas.

Como início, parece promissor, Mitragotri planeja realizar testes em animais para ver a eficiência in vivo. Seguindo os passos, os testes em humanos começam em alguns anos. É uma boa promessa e, daqui a um tempo, quando falarmos pros nossos netos que tínhamos que nos perfurar duas vezes ao dia e nada de doces ou íamos pra vala, eles sacudirão a cabeça e pensarão como conseguimos sobreviver nessas épocas de tortura desnecessária. Eu respondo que conseguia viver bem porque sempre tive certeza que a Ciência iria dar um jeito isso, como eu um jeito em várias doenças.

A pesquisa foi publicada na PNAS.

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Sobre André Carvalho

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