Ossos são excelentes para adagas, confirma pesquisa. Seu cunhado tem um para doar?

Hormônios não fazem diferença na hora de mulheres escolherem suas metades da laranja
Lago ácido, quente, venenoso e mortal. Que lugar melhor para se ter vida?

Papua Nova Guiné é um lugar exótico. Por “exótico” é algo tão longe e esquisito que imaginamos mil cenários; quase todos fantasiosos. Lá poderia ser até Wakanda, mas sem o Vibranium. Só que não é bem assim. Papua Nova Guiné não fica na África, mas na Oceania e é praticamente um monte de ilhas juntas. Aquele lugar é um caldeirão cultural há séculos, com mais de 800 línguas diferentes e uma população de cerca de 7 milhões de habitantes. É praticamente um Rio de Janeiro sem as favelas (não que o país seja muito melhor que isso).

Papua Nova Guiné ainda tem muitos aborígenes, semelhantes aos aborígenes australianos. Alguns deles pertence à tribo Korowai que, por sinal, antropófaga. E por falar em antropofagia, sabe essa imagem que abre o artigo? Pois é, são adagas. Adagas feitas com ossos humanos.

Essas adagas têm uma história interessante. Pertenceu a um sujeito (ainda sob a forma de osso da perna dele) que foi preso numa dessas brigas de tribos. Tentaram matar o sujeito arrancando a perna dele, mas o cara sobreviveu. Daí o mataram mesmo para valer e o devoraram. Aí eu chamo este pessoal de selvagens e virão aqui me xingar, dizendo que eu sou preconceituoso com culturas.

Fazer adagas com ossos humanos (principalmente de gente de tribo inimiga) era e ainda é bastante comum. O detalhe é que essas adagas não eram apenas armas, mas também um símbolo de prestígio, como um troféu. Elas eram feitos de fêmures humanos e valorizadas, como uma última honraria ao guerreiro que caiu. Eu, de minha parte, acho que honrar o sujeito seria libertá-lo, mas quem sou eu para discutir com gente que ainda vive na pré-história?

Ah, sim, não fique triste. Ou melhor, eles não ficavam tristes quando não tinha ninguém para tirar a perna fora. Quando estavam na puberdade, sua primeira caça era os casuares, aves ratitas nativas das florestas tropicais da apua Nova Guiné e Indonésia, bem como de algumas ilhas próximas a nordeste da Austrália. Como toda ave ratita, os casuares são aves que apresentam gigantismo, asas atrofiadas, osso esterno sem a quilha no peito, pernas longas, pescoço comprido em “S” e penas pouco desenvolvidas, que nem as emas daqui do Brasil. E não, não estão perto o suficiente da Austrália para serem altamente venenosas, mas não longe o suficiente para serem apenas galinhas gigantes. Caçar um casuar é coisa de guerreiro habilidoso.

Só que casuar é coisa de caçador Nutella. Caçador malvadão mesmo preferia caçar humanos e usar seus ossos para fazer as adagas; e mesmo assim tinha hierarquia, afinal, é tribo primitiva, mas não é bagunça! Quanto a maior curvatura transversal dos adagas ósseas humanas, fica indicado que o dono do osso era forte, e, por isso, indica que muito provavelmente deu trabalho para mandar o sujeito pra vala, conferindo status e privilégio na tribo.

Tudo muito bom, tudo muito legal, mas afinal de contas: essas adagas eram boas mesmo, no quesito de serem usadas como arma? Foi o que o dr. Nathaniel Domini, do Dartmouth College resolveu testar.

Não, péra. O interesse do cara era saber se a adaga feito com osso humano era da boa mesmo, fazendo testes mecânicos? Sim, isso mesmo! Nathaniel é um antropólogo e biólogo evolucionista que estuda o comportamento, ecologia e morfologia funcional de humanos e primatas não-humanos. Ele trabalha com análises mecânicas, moleculares e isotópicas, a fim de entender melhor como e por que mudanças adaptativas ocorreram durante a evolução dos primatas. Não só isso, Nate quis saber a que ponto estas propriedades dariam uma boa arma, ou o que os nativos viram de excelente no material para produzir a arma, além de impressionar os amigos na roda de bar.

Bem, Nate e seu pessoal coletaram algumas dessas adagas e meteram numa tomografia computadorizada para examinar a mecânica estrutural. Das 11 adagas ósseas que ele estudou, cinco eram feitas de ossos humanos e seis eram feitas de ossos de casuares.

O que Nate descobriu foi que as adagas oriundas de ossos humanos e dos casuares têm propriedades materiais semelhantes. Semelhante, mas não igual! A geometria das adagas ósseas humanas fazia com que elas possuíssem momentos de inércia mais altos e maior resistência à flexão. As análises de desempenho mecânico demonstraram que elas eram superiores nas adagas ósseas humanas, revelando maior resistência a cargas maiores com menos elementos defeituosos. De um modo geral, as adagas feitas com ossos humanos eram mais para mostrar prestígio e distinção, já que iPhones lá são difíceis de conseguir a última compra está retida em Curitiba até hoje.

Nos modelos tridimensionais obtidos, Nate e seu pessoal (nenhum cedeu o próprio osso) realizaram testes virtuais de estresse. Com a ajuda das imagens computadorizadas, eles estimaram a densidade do material e a geometria da lâmina, e usando um verificador mecânico uniaxial e simulação computacional verificada, que era preciso aplicar muita força para quebrar as adagas. Em comparação, as adagas feitas com ossos humanos eram 30% mais resistentes que as feitas com ossos de casuares.

A pesquisa publicada no periódico Royal Society Open Science. Ele não visa discutir se é certo ou errado usar ossos humanos. É uma curiosidade para saber das características de nossos ossos, um pouco de análise de comportamento de outras civilizações humanas e como os materiais de que nós somos feitos foram muito bem aproveitadas por tribos há milênios.

Ah, sim. O artigo está totalmente aberto. Vai lá ler e aprender um pouco mais!

Hormônios não fazem diferença na hora de mulheres escolherem suas metades da laranja
Lago ácido, quente, venenoso e mortal. Que lugar melhor para se ter vida?

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!