Com união, a Ciência pode, mas sem passear por rua vazia

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O brasileiro tem sérios problemas em entender como a mais básica atividade humana funciona. Não, não estou falando de ir ao banheiro (se bem que larga maioria não sabe que é necessário dar descarga e lavar as mãos direito). Estou falando de política. Brasileiros ainda não entenderam como ela funciona, por isso, ainda ficam chocados com o que acontece nas notícias ou quando sai foto do Lula defendendo o Temer, PSDB se aliando ao PT etc.

Cientistas não entenderam isso, também. Querem que os políticos os adore, sem fazer nada por eles. Querem que a população os ame, mas se fecham nas torres de marfim. André quer divulgar ciência, mas isso não recheia Lattes, então, não falam comigo. Passeiam por ruas vazias, e acham que isso resolve. Até agora nada.

Então, me perguntaram como deveriam fazer.

Se vocês não entenderam, ninguém deu a menor pitomba para o pessoal que resolveu passear numa avenida vazia em pleno domingo. Não causa desconforto, não causa transtorno, não chama a atenção. Vocês viram alguma manchete nos jornais? Não, porque não fez a menor diferença. Sinto muito, mas é verdade. Taxistas sabem fazer manifestações melhores, por isso consegue eleger candidatos. Incomodam, chamam a atenção, elegem seus representantes, cobram ativamente e estão no Congresso e Assembleias Legislativas.

Cientistas acham que ficar passeando pela rua resolve algo. Não está resolvendo desde a Marcha Pela Ciência em 2015. Não trazem o povo para perto de si. Não se fazem presentes no dia a dia. O Iberê Thenório do Manual do Mundo sabe divulgar mais ciência, mesmo sem ter formação na área. Se você que é formado não consegue fazer algo como o Christmas Lectures, lamento, a verdade é que tem mais que tomar na cabeça e não colher os frutos de uma árvore que não foi plantada. Lattes não garante verbas e apoio institucional, da população ou de políticos.

Agora, vejam isto aqui. Prestem atenção na mensagem.

É a campanha Together Science Can, e no site está escrito.

A CIÊNCIA É PODEROSA

Em um mundo em mudança, precisamos nos unir para comemorar o poder da colaboração internacional. Adicione sua voz para manter a ciência aberta.

Se você procurar no YouTube por Marcha Pela Ciência, verá que quem mais teve visualização foi o Pirula. Ok. Quantos políticos viram isso? Vou dar uma dica: quase nenhum. Quantos políticos se importaram? Nenhum.

Vejamos as notícias!

Hummm, conseguiram mil pessoas? Mandaram muito bem, hein? SQN. Isso num domingo. Número pouco expressivo andando numa avenida vazia, ninguém sequer nas janelas.

Volta pro Together Science Can. O vídeo é chamativo, e não um vlog reclamão. Desçam até o fim da página. Vejam quem apoia. Difícil? Acho que não. Gente sambando na Paulista, acho, não vai angariar simpatia de empresas e políticos. Vira festa, carnaval, dilui a seriedade. Se bem que simplesmente passear num domingo não é algo que eu tenha como sério, a propósito. Será que não tem um marqueteiro que veja isso e bole uma ação? Alguém com uma suíte Adobe piratona, pegando tutorial no Tubo, e fazendo uma edição caprichada? É difícil?

É. É difícil para um povo choramingão que aprendeu a ter tudo na mãozinha. É por isso que os filmes brasileiros são deploráveis. A hora que tiverem que competir num mercado usando seus próprios recursos, num instantinho terão que produzir algo de qualidade. Por isso as novelas brasileiras são bem produzidas, e os filmes, recebendo verbinha da ANCINE é um cocô. MAS NO Brasil, receber verba de empresa parece algo ruim, “mimimi as patentes”. Para quem não produz nada? Não tem o que reclamar. Ou aprendam a redigir contratos.

Verbas são destinadas e somem. Vai parar em laboratórios clandestinos, sujos, imundos, produzindo algo com recurso federal alegando que cura câncer sem nenhuma comprovação, sendo tocado por um professor aposentado que sequer deveria estar lá. A Glaxo iria financiar? Claro, mas daí teria que apresentar os artigos, e quando os artigos eram que a “a apoptose do inferno faz as células”, a mesma ladainha da década de 1950, claro que a empresa vai cair fora, ou exigir resultados.

Ah, mas a empresa não está visando o bem da população e sim o dinheiro

Ótimo. Explica isso para a Petrobrás e para a galera de “O Petróleo é Nosso”, que vai dar outro aumento no gás de cozinha, podendo chegar a 75 reais.

Quando averba de uma neurocientista é um quinto de um chupador de pirocas, vemos que tem muita coisa errada e é com as próprias instituições e pesquisadores. Não há dinheiro para todo mundo. As comissões de orçamento trabalham com a grana que foi liberada. Foram votadas pelos congressistas. Aqueles congressistas que o pessoal da marcha não foi conversar, preferindo passear em rua deserta.

Deu gosto de ver o Together Science Can. Um dia, quem sabe, o Brasil aprenda a fazer algo semelhante.

Mas eu duvido.

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Sobre André Carvalho

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