Grandes Nomes da Ciência: Herakleides

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O jovem fechou os olhos. Deu seu último suspiro. Seus anos chegam ao fim e aí preparou-se a sua jornada ao outro mundo. Seguindo suas instruções, ele foi bem preparado, bem de acordo com sua classe social, mas com requintes de uma religião que para ele já era antiga.

Passados 2 mil anos, olhamos para o que sobrou desse outrora jovem e podemos entender o que ele queria e como foi feito. Esta é a história da Múmia de Herakleides.

A rigor, ninguém sabe quem foi Herakleides. Aliás, não se sabe nem mesmo o nome verdadeiro dele, já que o corpo pertenceu a um cidadão romano, mas Herakleides é um nome de origem grega, ‘Ηρακλειδης, que significa Filho de Héracles (ou Hércules, para os romanos). O nome está escrito em grego, mas a arte no retrato dele é claramente romana.

Mas vamos ao que se sabe.

Herakleides, que é assim como será chamado daqui por diante, pouco me importando se o nome dele era Titus Maximus ou Zé da Cuíca.

Herakleides era um romano abastado, ou não teria como pagar um ritual de mumificação completo. Ele era fã da antiga religião egípcia e, por causa disso, pagou para ser mumificado. Claro, não foi feito que nem nos tempos dos grandes reis do Egito, já que a antiga arte de mumificação se perdeu e se sabe apenas fragmentos e hoje sabemos desses fragmentos por fontes escritas em hieróglifos e por gente como Herakleides que achou muito legal ser mumificado também.

Algumas coisas diferem, entretanto. Egípcios retiravam todos os órgãos, exceto o coração. Isso porque ao chegar nos portões do Outro Mundo, Anúbis iria pesar o coração para saber se ele era mais leve que uma pena. No caso de Herakleides, o coração foi removido, junto com quase todos os órgãos. Só o pulmão ficou. Motivo? Ninguém sabe.

O tratamento do corpo seguiu padrões específicos, como envolve-lo em sal. O sal age como agente desidratante e retirando a água dos tecidos; e sem água, nada de ação de agentes decompositores. A isso seguiu-se esfregar todo o corpo com óleos aromáticos, que acabam selando a superfície. Depois bandagem e mais óleos.

Foi colocado um talismã em seu peito e um íbis mumificado, o que é curioso, pois nunca tinha se feito isso antes. Uma clara variação, idealizado por alguém que achou uma boa ideia, apesar de isso nunca ter sido feito pelos egípcios.

Diferente de múmias egípcias, Herakleides não foi parar num sarcófago. Seu corpo foi apoiado num pranchão de madeira, e envolto com mais bandagens.

Por fim, cobriu-se tudo com um pigmento vermelho. A cor vermelha indicava status social na sociedade romana. A cor roxa só para imperadores.

Herakleides não foi o único romano a ser mumificado. Muitos outros foram influenciados pelas crenças religiosas egípcias da vida após a morte. A adaptação romana das crenças egípcias da vida após a morte e o desejo de proteger os mortos foram vistos não apenas pela colocação de amuletos, mas também pelo uso de hieróglifos no corpo da múmia. Na área do tórax, há pássaros, de perfil, desenhados com contornos negros, com preenchimento de cor branca e verde nas asas e na linha de chão; o resto do corpo do pássaro é preenchido com uma folha de ouro plana. O abdômen ilustra um homem, preenchido com folha de ouro, com o mesmo esboço preto, posição de perfil e uso de branco e verde, com asas esparramadas de lado a lado, flanqueadas por dois desenhos menores.

Um retrato com estilo romano foi posto por sobre o rosto da múmia, representando como seria o rosto de Herakleides. Tudo foi ornado com ouro e, aos pés, o nome “Herakleides”, de onde foi batizada a múmia, mas provavelmente significava um título, como dizer que o jovem ali, morto aos vinte anos e preparado no ano 125 da Era Comum, era tão forte e vistoso que só poderia ser descendente do próprio Hércules.

A Múmia de Herakleides conta um pouco da nossa história e de nossa relação com o desconhecido, com a nossa visão particular de nosso lugar no universo e como encaramos o último passo de nossas vidas, que muitos acreditam ser o início de uma nova. ela mostra que nós simplesmente não aceitamos bovinamente a nossa realidade, buscando outras experiências e nos posicionando enquanto seres conscientes. Isso não é apenas uma questão de “Ah, mas ele acha que vai renascer”. È uma questão que somos seres inquietos e esta inquietação nos faz ir mais adiante do que a Natureza se mostra e foi por causa disso que criamos a ciência, a cultura, as obras de artes e tudo o que nos distingue de outros animais.

Pôxa, André. nem pra ter umas fotinhas, né?

Tem coisa melhor. Tem vídeo!

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Sobre André Carvalho

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