As ondas de uma perturbadora Dafne

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Dafne é a ninfa filha do rei Peneu. Éros, o deusinho espírito-de-porco dá uma flechada em Apolo e acaba se apaixonando pela ninfa. Como bom FDP que Éros era (dsclp), este dá uma flechada com uma ponta de chumbo em Dafne e esta acha que Apolo era o cacete e rejeita o sujeito. Apolo não queria largar da garota e Dafne caindo fora pois não curtia stalker; daí acabou pedindo para papai a livrar daquilo, e este a transforma num loureiro. Apolo desolado diz que se ela não podia ser sua esposa, que se tornasse, então, sua árvore sagrada, levando consigo sempre um ramo de louros. Bernini imortalizou a cena.

A Era dos Mitos não existe mais (vai acreditando nisso), mas homenageamos corpos celestes com nomes de deidades, seres supranaturais e heróis para nos lembrar de nosso fascínio pelo que está além de nosso planeta. Dafne não é diferente. Um dos satélites de Saturno, o Senhor dos Céus, mostra que apesar de não ser famosona, faz diferença, e essa diferença foi registrada.

Dafne é um satélite natural de Saturno, que recebeu o nome provisório S/2005 S1 quando foi descoberto em 1º de maio de 2005. Ele se situa no Vão de Keeler (Keeler Gap), um vão com 42 km de largura no Anel A, a aproximadamente a 250 quilômetros da borda externa do anel. Mas o interessante é como a descobriram.


Clica que cresce.

Por causa da órbita de Dafne ser inclinada, as forças gravitacionais formam ondas perpendiculares, revolvendo a poeira, gelo e neve dos anéis. E não, Dafne não é grande. Não chega nem a 8 km de diâmetro, mas mesmo assim, a perturbação gravitacional cria essas ondas, que chegam a ter 1,5 km de altura.


É composição artística, Zé.

As fotos são incríveis e mostram como a dinâmica planetária funciona. Saturno é ótimo para entendermos o Sistema Solar, pois ele mesmo é um pequeno modelo de como as forças gravitacionais funcionam. Acaba sempre dando fotos maravilhosas, como essa, com a luz do Sol incidindo de forma oblíqua, criando longas sombras.


Quer maior? Clica na imagem.

A força gravitacional é fraca e tal, mas faz diferença na vastidão do espaço, quando você é o maior sujeito por ali. Agora imaginem se houvesse poeira espacial suficiente para vermos o que os planetas que orbitam o Sol fazem.

Dafne, a ninfa perturbada por um destino causado por um deus sem ter o que fazer repousa quieta entre os domínios do Senhor dos Céus. Ainda assim ela mostra que está ali, que faz diferença, que seu espaço, ainda que pequeno, perturba o que tem em volta, sem nos deixar esquecer que ainda que pequena, ela pode mostrar que algum poder ainda tem, mesmo que seja com o fraco poder de uma força gravitacional.


Fonte: Mãe da Criança

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Sobre André Carvalho

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