Um álbum de família do Sol

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Enquanto você se preocupa com as fanfics que rolaram nas eleições, besteiras vindas pelo WhatsApp, maluquices em geral, resultado de jogo de futebol entre outras coisas, deixe-me compartilhar algo que eu acho legal. O Sol. Sim, o Sol, nosso amigo Sol, que está lá, que é longe daqui. Entre várias “fotos” que foram tiradas no alvorecer da fotografia, quando ainda se chamava daguerrótipos, o Sol estava lá, lindo e imponente.

A foto acima é o primeiro registro do Sol e um dos primeiros daguerreotipos que se salvaram. Esta imagem foi tirada em 2 de abril de 1845 e é magnífica. Ela foi tirada por Lion Foucault e Louis Fizeau, e com pouco mais de 12 cm de lado nos traz coisas fantásticas, como manchas solares, por exemplo, usando este equipamento:

Aquelas pequenas manchinhas pretas no Sol não são lá bem umas “manchinhas”. São regiões do Sol onde ocorre uma redução de temperatura e pressão das massas gasosas, ou seja, são regiões mais frias do Sol (“fria” em termos de temperaturas de milhares de graus celsius). Foram vistas pela primeira vez por Galileu Galilei, e foi ele quem cunhou o termo “manchas solares”, registrando meticulosamente sua observação.

Gostaram da imagem? Bem semelhante à foto de Foucault e Fizeau, né? Pois bem, só que Galileu não tinha máquina fotográfica, pois ele estava uns séculos antes dela ter sido inventada. Ee tentou observar o Sol diretamente e quase ficou cego por causa disso. Sendo assim, ele inventou o “helioscópio”, uma forma de captar as imagens do Sol pelo telescópio e projetá-lo numa tela, sobre a qual ele desenhava por cima.

Tempo passou e a tecnologia foi se aprimorando, e isso graças ao daguerreotipo, que foi criado em 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre (“daguerreotipo”, entendeu?). Ele foi o precursor das máquinas fotográficas. O modelo comercial foi projetado e fabricado por Alphonse Giroux, tendo sido apresentado publicamente em 1839, na França. Curiosamente, os caras não lucraram com as patentes, pois, no mesmo ano, o governo francês declarou o invento como domínio público. Qualquer um poderia construir o dispositivo.

Já operar aquela trabuzana era pura dor de cabeça. A exposição tinha que ser feita por longos e entediantes 25 minutos. Fotografar pessoas era um saco, ainda mais se fossem crianças. Normalmente, os olhos saíam borrados por eles nunca pararem numa posição, e os fotógrafos acabarem desenhando a mão, mesmo.

As placas eram impregnadas com prata, que depois era sensibilizada com vapor de iodo, formando uma camada de iodeto de prata, que é fotossensível. A exposição à luz faz com que a prata se reduza (ganhe elétrons) e forme prata pura, finamente dividida, isto é, formando grãos muito finos, que não são brilhantes, mas escuros. Daí temos o negativo. No laboratório, o fotógrafo repetia o processo, gerando “positivo”, revelada vapor de mercúrio, e ficada com tiossulfato de sódio, de forma com que a reação não continuasse. O resultado é uma imagem detalhada, em positivo e em baixo relevo.

Por causa da prata, os daguerreotipos não eram lá muito baratos, e pobretão não tinha motivo para estampar a cara marcada por varíola e sífilis de qualquer forma, mas com o tempo, ela passou a registrar coisas importantes, como paisagens, eventos etc. Alguns aparelhos tinham até cerca de 1 metro de lado, o que garantia belas fotos na melhor resolução, até então imaginada.

Em 28 de julho de 1851, Johann Julius Friedrich Berkowski usou a tecnologia de sua época para registrar para a posteridade a primeira foto (claro, um daguerreótipo) de um eclipse solar, feita no Observatório Real em Königsberg, Prússia (agora Kaliningrado, na Rússia). Berkowski adaptou um pequeno telescópio refrator 6 cm, anexada a um heliômetro de Fraunhofer de cerca de 16 cm, tudo isso montado num daguerreótipo. Claro, por causa da intensa luz do Sol, a exposição não podia ser muito longa. Apenas 84 segundos foram necessários. O resultado?

Warren de la Rue, na Inglaterra, e Jules Janssen, na França, começaram a registrar fotos diárias do Sol (quando possível, por motivos óbvios) desde 1858. Ao longo de 14 anos, de la Rue registrou o ciclo solar completo em 11 anos, através de uma série de quase 3000 imagens que mostram claramente as manchas solares e outras características. Em 18 de julho de 1860, de la Rue e sua equipe registrou o eclipse solar em terras espanholas. Um lindo trabalho também.

Magnífico, não? Dá até pra ver algumas ejeções de massa coronal. Hoje, nossa tecnologia nos permite fazer imagens do Sol em vários comprimentos de onda. Como nessa montagem:

Mas não caia no erro de achar “Ah, hoje é melhor”. Não é. Estamos usando a tecnologia de HOJE, como Foucault, Louis Fizeau, Berkowski, de la Rue,Janssen e tantos outros usaram o melhor da tecnologia de sua época. Daqui a muito empo (5 anos?) estaremos rindo das imagens que obtemos hoje, que serão inferiores a muitos celulares do futuro.

Desde Galileu, o primeiro a fazer registros do Sol e suas manchas solares em papel, com pena e tinta, até o Solar Dynamics Observatory, temos muito o que ver, muito o que apreciar, muito o que aprender. Mas não esqueça dos visionários do passado. Seus trabalhos ainda sussurram em nossos ouvidos e é bom que estejamos alertas para entender o que eles têm a nos dizer.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Alvaro_G

    Salve Helios! Que teus fortes cavalos continuem a cruzarem o éter!