Técnica híbrida mistura tecidos vivos e polímeros para restaurar ossos

Bactérias do intestino ajudam a prever a ocorrência de infecção depois da quimioterapia
Altos índices de amoníaco jogado no ambiente afeta ciclo do nitrogênio

Todos os dias, várias pessoas se acidentam, ou são acidentadas de propósito, se me compreendem. São batidas de carro, surras, quedas, catástrofes naturais e toda sorte (deveríamos dizer “azar”, mas não foi eu quem inventou a língua) de coisas erradas que podem ferrar com o nosso corpo, principalmente nossos ossos. Mesmo porque, ossos – se você se lembram das aulas do Ensino Fundamental – protegem nossos órgãos, nos dão sustentação e ajudam na locomoção. Uma fratura já não é brincadeira, quanto mais acidentes mais graves; e se levarmos em conta a demora na recuperação, sendo pior ainda com o avanço da idade, temos que arrumar uma maneira de restaurarmos esses ossos.

Eu perguntei ao reconhecidíssimo e muito importante departamento de Filosofia em que eles poderiam ajudar. Afinal, dizem que Filosofia é a mãe da Ciência, certo? Infelizmente, a resposta que me deram foi “não sabemos, o jacaré cor-de-rosa nos informou que somos de Humanas, mas Heidegger…”. Saí pesaroso e acabei vendo o que o pessoal especializado em Biomateriais poderia ajudar.

O que seria mais legal para se fazer isso, além de impressoras 3D? Eu já tinha publicado artigo que descreve a técnica em que se usa polímeros de diferentes tipos para serem aplicados como substitutos de ossos. Mas seria tão legal ter tecido vivo ali, certo? Afinal, com pequenas lesões ele mesmo se resolveria, certo? Bem, é nisso que trabalha o dr. Warren Grayson, professor associado de Engenharia Biomédica na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

O dr. Grayson é um pesquisador que leva muito a sério normas e não vai trabalhar usando colant e sapatilhas verdes, embora alguns não achem que ele tem viés social por não ir em banheiros públicos. Ele apenas quer fazer as pessoas terem melhor qualidade de vida, nem que seja eugenista ao fazer próteses.

A ideia de Dick, digo, Warren é misturar ossos naturais pulverizados a um polímero especial, mas muito amado, formando uma resina que será usa em uma impressora 3D para tampar o buraco necessário.

Pense na situação: seu dente está com cárie, podre, nojento e seu dentista vai remendá-lo. Ele fica enchendo o seu buraco (o do dente) com massinha e colocá-la pra secar. Isso é legal, mas trabalhoso e sabemos bem que não é todo profissional que faz serviço profissional, certo? No caso da técnica por impressão 3D, o seu buraco (o do osso) seria mapeado e gerado uma imagem em 3D que encaixe ali exatamente. Dá-se Ctrl+P e a  impressora faz o restante.

Claro, fala-se “buraco”, mas pode-se enfiar a prótese em qualquer parte (do osso, claro. Outras impressões em 3D que resolvam suas outras necessidades).

É um tecido vivo, composto por colágeno, que é uma proteína, e hidroxiapatita. Além disso, tem a resistência de fosfato mineral, que é o que as pessoas chamam de “cálcio” dos ossos. Essa mistureba de coisas não está de qualquer jeito, pois a Seleção Natural selecionou quem não tinha as estruturas ósseas adequadas, mandando pra vala evolutiva. Os ossos que tinham as matrizes depositadas em camadas distintas, com a camada “mole” (o colágeno) logo seguida de uma camada “dura” (a hidroxiapatita), apresentam melhor qualidade em sua finalidade e é por isso que isso vem se mantendo ao longo dos milênios.

Claro, nada disso é muito simples. Temos 3 dimensões envolvidas, e as próteses têm que conferir a mesma segurança, resistência e estabilidade. A impressora 3D consegue modelar isso, adicionando de cada vez camadas bem fininhas, e intercalando as partes “mole” e “dura”.

O polímero escolhido foi a policaprolactona, um polímero biodegradável com ponto de fusão igual a 60ºC. Este polímero não é desconhecido dos pesquisadores que trabalham com regeneração óssea. Essa baixa temperatura de fusão é ótima para se trabalhar com tecidos vivos que seriam destruídos em temperaturas altas, mas convenhamos que será muito difícil de chegar nessa temperatura em ocorrências do dia-a-dia.

Aos poucos, Graysson e sua equipe desenvolvem o que será uma revolução para a recuperação de lesões em ossos. Já estão estudando em como fazê-los combinar com tecidos ósseos de origem humana, bem como criar uma rede vascularizada para levar sangue às células no interior desses ossos 2.0.

A pesquisa foi publicada no periódico Biomaterials Science & Engineering

Bactérias do intestino ajudam a prever a ocorrência de infecção depois da quimioterapia
Altos índices de amoníaco jogado no ambiente afeta ciclo do nitrogênio

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!

  • Rodrigo Pessolato

    Ossos primeiro, depois músculos e por fim tecido a ficção chegando pras nossas vidas, de Star Wars a Homem Bicentenário tudo pela impressora 3D. Quero uma.