Bactérias do intestino ajudam a prever a ocorrência de infecção depois da quimioterapia

 

Combater o câncer não é fácil. Sendo uma doença muito danosa, não dá pra tratar apenas com algumas pilulinhas e uma promessa. É preciso armamento pesado. A radioterapia e a quimioterapia são este armamento. É a nossa melhor arma atualmente, com funcionalidade comprovada. Claro, não sou idiota de dizer que eles não deixam sequelas. A quimioterapia entra como um zagueirão de time de segunda divisão que vem varrendo tudo, até os colegas de seu time. É um preço a ser pago ara melhorar, mas para quem está sendo tratado, é muito, muito pior do que estas palavras podem traduzir, reconheço.

Enquanto temos uma legião de pesquisadores (pois eles são muitos) lutando para descobrir tratamentos contra o câncer, outros pesquisadores combatem os efeitos adversos do tratamento por quimioterapia, como infecções, por exemplo.

O dr. Dan Knights é professor-assistente no Departamento de Ciência da Computação e Engenharia e do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Minnesota. Já o dr. Emmanuel Montassier já trabalhou na Universidade de Minnesota também, mas hoje é pesquisador do Hospital Universitário de Nantes, na França. Com a união de seus poderes, eles estudam como minimizar o risco de infecções no sangue, por causa de elevadas doses de quimioterapia. Se os médicos pudessem prever a tendência de uma pessoa a ter infecções assim, eles já poderiam ir preparando o tratamento, certo?

E é aí que entram as bactérias do intestino.

No caso do combate à cânceres em que é necessário transplante de medula óssea, o tratamento é bem doloroso, e não-raro os pacientes desenvolvem algum tipo de infecção. Cerca de 15 a 30% destes pacientes morrem como resultado das infecções. Isso acontece porque a quimio vem logo com a doze na mão, disposta de acabar com o velório de tudo o que tiver pela frente. O problema é que isso inclui o sistema imunológico, e nem sempre se tem uma prévia. É aí que entra a pesquisa de Knight e Montassier.

Levando em conta que com a queda do sistema imunológico, há mais risco de infecção, e essa infecção vem direito da flora intestinal a princípio, as batériazinhas – que ajudam em 99% das vezes, mas tem aquele 1% infeccioso – caem na corrente sanguínea.

Em algumas clínicas, todos os pacientes recebem antibióticos preventivos ao longo da sua quimioterapia. Em outras clínicas, alguns pacientes recebem antibióticos preventivos porque os antibióticos podem levar a um aumento da resistência aos antibióticos nas pacientes. Normalmente, no Brasil, os médicos preferem pagar pra ver e esperar os primeiros sintomas da infecção, a começar pela febre, daí vai na base do antibiótico de amplo espectro, ara ver se mandam os agentes infecciosos para as profundas da vala evolutiva.

O problema e se escapar aqueles sem-vergonhas que evoluíram para uma cepa um pouco mais resistente.

Na pesquisa pesquisada pelos dois pesquisadores, o ponto principal era compreender a configuração inicial das bactérias do intestino, antes do paciente começar o tratamento, analisando a potencialidade de risco da infecção na corrente sanguínea. Sendo assim, eles coletaram amostras de fezes de 28 pacientes com linfoma não-Hodgkin antes dos demais pacientes começassem a quimioterapia. Knight e Montassier sequenciaram o DNA bacteriano para medir a quantas estavam o ecossistema bacteriano no intestino de cada paciente.

Onze dos 28 pacientes adquiriram uma infecção da corrente sanguínea após a sua quimioterapia, mas curiosamente os pesquisadores descobriram que os pacientes podem ter tido mais do que má sorte contra eles. Eles tinham significativamente mais diferentes misturas de bactérias do intestino do que os pacientes que não tiveram infecções. Isso poderia ser o indício de algo.

Utilizando ferramentas computacionais, os pesquisadores, então, criaram um algoritmo que pode aprender como as bactérias são boas e más na hora de estudar um conjunto de pacientes; podendo-se, então, prever se um paciente novo que não tenha passado pelo tratamento ainda terá uma infecção, oferecendo uma precisão de acerto da ordem de 85%.

Este teste, do jeito que sendo apresentado, é meio carinho, embora esteja com boa precisão. Claro, ainda faltam mais testes e, quem sabe, a evolução tecnológica não o simplifique, deixando-o mais barato e acessível.

A pesquisa está disponível na íntegra no periódico de acesso aberto BioMed Central. Divirta-se!

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