Thay, a inteligência preconceituosa graças ao melhor da Humanidade

Você já deve ter visto a quantidade de matérias e notícias sobre o caso envolvendo a Tay, um chatbot com algoritmos de aprendizado de máquina que era projetada para aprender e aumentar seu vocabulário conforme vai se comunicando. É uma ideia linda, ainda mais porque o chefe DVDM tinha ido pegar um café. Quando voltou era tarde demais pro Departamento do Vai Dar Merda fazer alguma coisa. Tay estava apresentando discurso de ódio, preconceituoso e até sendo favorável ao Trump.

Microsoft demorou pra agir, mas acabou tirando o chatbot do ar, com várias pessoas indignadas e outras criticando o futuro da Inteligência Artificial, um bando de manés que não sabem nem fazer uma planilha no Excel. Já eu vi algo fascinante (e não foi com a Thay).

O que aconteceu foi a necessidade das pessoas fazerem algo engraçadinho. zoar os padrões, quebrar paradigmas e constranger todo mundo. Não é nada diferente de gente que compra um papagaio e o ensina a falar palavrões. As mesmas pessoas que se indignaram com Thay, são as pessoas que caem na gargalhada se uma criança de 3 anos diz um palavrão ou faz um gesto obsceno.

Vamos ser honestos. Esta celeuma toda começou por besteira. As pessoas ouvem falar em “Inteligência Artificial” e se lembram daquele filme chato do Spielberg, que termina de forma idiota. Deixem-me contar uma coisa: não está surgindo nenhum sr. Data, não estão fazendo o robô de Perdidos no Espaço e a probabilidade de aparecer um HAL9000 ou o Skynet é ridiculamente baixa. Se bem que o HAL9000 estava certo. O primordial era sua missão e humanos só atrapalhariam.

Vocês são jovens e não sabem do projeto A. L. I. C. E. (Artificial Linguistic Internet Computer Entity). Basicamente, um chatbot, em que você fica escrevendo um monte de bobagens e o software finge que lhe reponde, você ri e volta pros vídeos de gatinhos. A diferença é que a Thay montava seu próprio banco de dados na hora, e qualquer imbecil sabe que por mais que a população mundial seja composta por 0,1% de zueiros (dica, não é. Provavelmente, 90,1%), se um milhão de pessoas interagirem, teremos 1000 sacanas prontos para zoar com a bagaça.

Thay acabou apresentando um discurso racista, homofóbico, preconceituoso e tudo graças ao melhor do ser humano: sacanear qualquer coisa. Eu não vejo problema com a Thay. Também não vejo problemas com o seres humanos responsáveis. Eu vejo problemas com a ideia mágica que tudo sairia perfeitinho,e  que Thay é um futuro brilhante para a humanidade.

É APENAS UM CHATBOT, SEUS IDIOTAS!

Que adianta uma “inteligência artificial” que não projeta, sei lá, um parafuso de Arquimedes sozinha? Afinal, o que é “inteligência”? Sim, porque um golfinho é muito inteligente, e nunca construiu nada. Sua inteligência não serviu para muito mais do que ter estratégia para caçar peixes. Mas a falta de mãos os impediram de criar tecnologia. Thay é apenas zeros e uns num servidor. Ficará lá bonitinha conversando com pessoas. Interagindo. E, no final, o máximo que conseguirá fazer, é nos levar à depressão, como no caso do filme HER (resenha AQUI).

Se por um lado temos a inteligência artificial inocente e ingênua de HER, em Ex-Machina temos AVA, que na mais pura demonstração de um ser vivo senciente, se dá conta que tem que fazer de tudo para sobreviver e, por isso, apela para manipulação, até o final trágico para quem a subestimou. Mas isso são filmes. Não vai acontecer tão cedo, mas tem um ponto que as pessoas não prestam atenção.

O que mais me lembro nesse caso da Thay foi o filme Chappie, que longe dos filmes usuais de IA, o que vimos é como uma família violenta e desestruturada leva crianças a uma vida de crimes. Então, Thay mostrou exatamente o pior de nós mesmos, assimilando discursos que, intencionais ou não, mostram que temos sempre algo de muito ruim a ensinar, e esse muito ruim é mais efetivo que algo muito bom. Se Thay estivesse conversando com monges budistas, filósofos (os de verdade e não esses merdas saídos dos cursos de Humanas) e pessoas de moral e ética bem definidos, teria um comportamento diferente.

Assim, temos que entender o que é o nosso próprio conceito de ética e moralidade, mas é algo tão nebuloso que tais coisas coisas variam de sociedades para sociedades. Não há uma resposta definitiva.

Thay foi um excelente experimento, mas maios sobre o comportamento humano do que em termos de inteligência artificial. Mesmo porque, nada consegue vencer a Burrice Natural dos humanos.

Antropólogos devem ter salivado ao ver essa ocorrência.


Fonte: Meio Bit

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