Melhor Coreia bota quente e explode bomba H… diz a lenda

A Coreia do Norte, vulgo melhor Coreia, é o melhor exemplo de um país que parece ter sido fundado para ser um eterno meme, mas não para quem mora lá. Aquela tristeza mais parece um filme de terror, entre a paranoia estatal e a aquiescência bovina do povo, que chega ao fanatismo, o que, claro, é fomentada pelo Estado.

Agora, houve anúncio que a Melhor Coreia detonou uma bomba termonuclear, também chamada de bomba de hidrogênio, ou Bomba H para os íntimos.

Vamos a um pouquinho de História. Tudo começa com o Japão, que sempre teve ideias maravilhosas, como começar uma guerra com a China, com quem nunca se entendeu. A Primeira Guerra Sino-Japonesa durou entre 1894 e 1896. Depois de vencer a China (o que é curioso, mas mostra que nem sempre maior contingência garante vitória, provando que torcida não ganha jogo), o Japão passou a mão pelo queixo, pensou “Por que não?” e marchou até a Coreia (só havia uma, mas vamos chegar lá).

Os filhos do Império do Sol Nascente rumaram para a Coreia dada a sua importância estratégica, além do fato que ganhar território sempre foi algo muito legal desde que Gronk viu que Moog morava num lugar mais maneiro. A descoberta do fogo ajudou a dar um jeito naquele neandertal idiota, e usar pedra lascada de maneira mais eficiente ajudou no jogo de War pré-histórico.

Vamos ser honestos, coreanos, chineses e qualquer um que more no Oriente Distante não gosta nadinha de japoneses. Não sei por quê. Dizem que é por causa dos massacres, estupros em larga escala e genocídios em geral, como o que aconteceu em Nan Qing. Chamar um coreano de japonês é garantia de ser tão bem recebido quanto escrever suras do Corão na fachada de uma sinagoga.

Chegou a Segunda Guerra Mundial. Por algum motivo que ninguém sabe explicar direito, Japão ficou amiguinho do Führer. A presença militar japonesa na Coreia aumentou de 46 mil soldados em 1941 para 300 mil em 1945. 2,6 milhões de coreanos foram voluntariamente obrigados a servir como força de trabalho. Homens coreanos foram alistados no exército compulsoriamente. Toda cultura coreana era proibida e havia um imenso plano para erradicação cultural nativa. Em 1943, ficou decido que a Coreia seria um país independente após a Guerra, mas assim que esta (junto com duas bombas atômicas no quengo) acabou. Os filhotes de Stalin ficaram babando pelo potencial geográfico estratégico da Coreia. Ficou decidido que a Coreia continuaria sob domínio soviético, já que o Exército Vermelho já estava tomando conta daquilo há um bocado de tempo. Ninguém se preocupou em consultar direito os coreanos. Foi na base do Olha, só, nós garantimos sua segurança se vocês nos ajudarem na guerra contra o Japão, valeu? Boa, sabia que podíamos contar com vocês. Os coreanos ergueram os braços se perguntando do que diabos os bebedores de vodka estavam falando.

Os meninos de Washington viram que aquilo não ia dar em boa coisa. Em julho de 1945, a Coreia foi dividida no paralelo 38, com a desculpa que se a URSS se voltasse contra os EUA, pelo menos a capital estaria sob domínio, digo, coordenação dos americanos. O clima de insatisfação por parte da população gerou greves, revoltas e uma resposta severa da polícia. A URSS se recusou que a ONU supervisionasse as eleições para uma Coréia unida, a Coreia do Sul disse “Farei minhas próprias eleições com prostitutas e blackjack”. A Coreia do Norte resolveu ter suas próprias eleições também. A cada minuto, as duas Coreias estavam cada vez mais longe de se tornarem um único país.

A República da Coreia (a “Do Sul”) foi formalmente estabelecida em 15 de agosto de 1948.


Primeira eleição na Coreia do Sul. 1948

A “Do Norte” passou a ser chefiada pelo seu primeiro ditador psicopata: Kim Il-Sung. A Do Sul expulsou os comunistas de lá, estes se revoltaram e resolveram lutar contra a Pior Coreia. A URSS estava ais feliz que pinto no lixo. Kim Il-Sung foi até Moscou pedir ajuda, este deu de livre e bom grado, além de entrar em contato com outro maníaco, mas na China: Mao Tsé-Tung. Este mandou de presente milhares de soldados de etnia coreana. Já deu pra perceber que a merda está formada, né?

Em 28 de junho de 1950, a Coreia do Sul, com o seul na mão, mandou explodir as pontes sobre o rio Han para deter o avanço da Coreia do Norte. Não adiantou nada. O Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 82, condenando a invasão da Coreia do Norte. A Resolução 83 autorizou intervenção militar para por fim no conflito e o Supremo Comandante-Em-Chefe de Todas as Forças Armadas dos Estados Unidos da América, Harry Truman, mandou que a Força Aérea e a Marinha fossem botar moral lá na península coreana, dando plenos poderes ao general Douglas MacArthur para ver ele dava um jeito naqueles malditos comunistas! A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ficou possessa. Josef Stalin não deve ter ficado nada satisfeito, porque nenhum dos seus analistas previra isso. Imagino quantas cabeças não rolaram. Um armistício foi decretado em 1953, tendo sido considerado nulo pelo pessoal da Melhor Coreia em 2013.


Invasão da Coreia do Sul pela Coreia do Norte. 1950

Kim Il-Sung praticamente mexeu fundo na psique dos norte-coreanos. Seu culto à personalidade fez de um país comunista que seguia o ateísmo dialético de Karl Marx numa nova religião, em que ele, o Glorioso Líder, era o Messias. A própria Constituição do país cimenta que as ideias de Kim Il-Sung são o único princípio orientador do Estado e suas atividades como a única herança cultural do povo. Não que seja uma religião, mas se você não demonstrar o merecido respeito, com certeza sofrerá sanções que fariam as condenações infernais da Igreja Católica um passeio no parque. Este culto ao poder dos Kim (o sobrenome vem na frente) foi o que garantiu a sucessão hereditária daquela família de psicopatas.

Todas as principais publicações, como jornais, livros didáticos etc. deviam incluir “palavras de instrução” de Kim Il-Sung. Não, Kim Il Sung. Quem escrevesse errado, quebrasse a frase em duas linhas, não demonstrasse o verdadeiro respeito ao escrevê-las e coisas similares que a paranoia governamental achasse que você estava desrespeitando o Grande Líder que derrotou os japoneses sozinho (de acordo com a versão oficial) era executado.

Acho tão legal essas imagens de ditadores maníacos e autocratas. Eles adoram este tipo de culto às suas personalidades. Será que vemos em outros lugares do mundo?

Para controlar o “respeito” ao Grande Líder, qualquer veículo de mídia externo foi proibido. Nem jornal, revista, História em Quadrinhos etc. NADA disso é admitido até hoje. Você quer visitar a Coreia do Norte? Ótimo, eles lhe aceitam de bom grado. Se você for pego com um celular, vai pra cadeia. Filmes? Se for da Rússia, China ou Bollywood, você pega uns aninhos de cadeia. Produzidos nos EUA? Pena Capital. BANG! Se você for estrangeiro, terá um julgamento justo. Depois, será preso. Se der mole, executado, principalmente se seu consulado dormir no ponto.

Afinal, por que diabos você iria querer visitar a bosta de um país que nem tem luz elétrica direito?


Identifique na foto onde fica a Coreia do Norte

Sai um psicopata, entra outro. Kim Jong-Il, a Estrela Guia do Século XXI, General Glorioso que Desceu do Céu, Comandante Sempre Vitorioso de Vontade Férrea e mais uns 90 títulos assumiu o poder. Kim Jong-Il nasceu numa humilde cabana de madeira na Montanha Sagrada de Paektu. Uma andorinha foi vista no céu, assinalando a chegada da primavera antes da hora. Uma nova e brilhante estrela apareceu no céu e um arco-íris duplo foi avistado nas proximidades. Ao jogar golfe, Kim Jong-Il não conseguiu um hole-in-one, quando se acerta o buraco com uma tacada só. Uma pessoa comum conseguiria isso, mas o Grande Líder conseguiu 11 desses. Os seguranças confirmaram e ninguém no clube teve motivos para negar isso. Os chatos do Comitê Para Segurança do Estado, mais conhecido pela temida sigla KGB, dizem que ele apenas nasceu na Sibéria e nada de mais notável ocorrera na época.

Para vocês terem uma ideia da maluquice que é a psique norte-coreana, quando um grupo de oftalmologistas fez trabalho voluntário lá, restaurando a visão de várias pessoas, elas se recusaram a tirar as bandagens enquanto não estivessem de frente para uma foto de Kim Jong-Il, pois era a primeira coisa que eles queriam ver. medo da polícia secreta? Verdadeira devoção? Não se sabe. A Coreia do Norte é algo estranho. Por lei, as pessoas têm que viver um longo luto, afinal, os Grandes Líderes morrem, como assim ficar alegre? Por isso que em todas as fotos, as pessoas expressam choro, mesmo em companhia do Grande Líder de então.


Eles que disseram!

Saiu um, ficou mais um. Assumiu Kim Jong-Un, que foi eleito como personalidade da revista Time, com uma ajudinha do 4Chan, claro. O sujeito é tão certinho da cachola que já mandou matar gente só porque não alimentaram direito suas tartarugas. O problema é que esqueceram que tinha que ter comida, mas isso é detalhe, e o Grande Líder não gosta de detalhes. E agora, a Melhor Coreia anuncia que fizeram testes com uma Bomba H. O país tão avançado que combate o capitalismo ocidental enquanto ganha de presente toneladas de alimento da ONU. Sim, claro que explodiu uma bomba, Kim.

A Coreia do Norte afirmou hoje que realizou um teste de bomba de hidrogênio “bem sucedido”. Segundo comunicado estatal, a explosão provocou um terremoto magnitude 5,1 quando explodiu às 10h, hora local, em Punggye-ri, no nordeste do país. De acordo com o United States Geological Survey (USGS), o epicentro foi a 19 km a leste-nordeste de Sungjibaegam, a uma profundidade de 10 km. Curiosamente, já ocorreu um abalo semelhante mais ou menos na mesma área em 12 de fevereiro, de 2013. Mas, claro, dessa vez foi a bomba-H. Vamos à transmissão oficial, com cortesia da BBC (bônus track: a tiazinha animada apresentando o comunicado):

Uma bomba de hidrogênio é basicamente um caldeirão atômico que se usa para “derreter” núcleos de isótopos de hidrogênio mais pesados, como deutério e trítio. A diferença entre eles é que enquanto o hidrogênio “normal” tem apenas um próton em seu núcleo, o deutério tem um próton e um nêutron. Uma água feita com esse isótopo de hidrogênio é chamada “água pesada” e é usada em usinas nucleares para “frear” nêutrons que ficam zanzando, de forma a garantir reações controladas. Quimicamente, possui as mesmas características que a água “comum”.

A bomba de fissão é uma bomba em que um núcleo instável é bombardeado com nêutrons, se separando em dois núcleos distintos, liberando mais 2 nêutrons, os quais atingirão outros núcleos, iniciando uma reação em cadeia. Uma bomba de fusão segue o caminho contrário. núcleos mais leves se fundem gerando grande quantidade de energia, mas para que isso ocorra, é necessário também grande quantidade de energia. Só uma coisa pode prover rapidamente essa quantidade de energia instantaneamente: uma mini bomba de fissão.

Assim, enquanto uma pequena cápsula de fulminato de mercúrio faz detonar uma granada feita com TNT, uma pequena bomba de fissão é o estopim de uma bomba de hidrogênio. Mas isso tem um problema: bombas de fissão são muito fáceis de fazer (em termos de engenharia). Sua baixa eficiência (relativa) as faz não serem mais interessantes, mas uma bomba de fusão é o máximo, mas um inferno para ser produzida em termos de logística, material e recursos humanos. Estamos falando de um país faminto, cujo próprio governo teme fome em grande escala por causa da seca de 2015 que acarretou numa perda de produção de cerca de 50%. Isso é muita coisa, ainda mais num país atrasado tecnologicamente.

Dessa forma, é pouco provável que eles realmente tenham uma, e eu tenho plena certeza que ninguém na OTAN perderá o sono por causa disso, exceto o estagiário, que terá que ficar fazendo relatórios e mais relatórios.

Mas vindo do povo que efetivamente descobriu um ninho de unicórnios, quem sabe…


Fontes:

17 comentários em “Melhor Coreia bota quente e explode bomba H… diz a lenda

  1. O país chafurda na miséria, todo o investimento vai quase que exclusivamente para a área militar e o máximo que conseguem é isso aí.

    Melhor Coréia sendo a melhor Coréia

  2. Também acredito ser um possível blefe. Anos atrás (2012, salvo engano) lançaram um míssil intercontinental, uma ameaça ao ocidente. Depois descobriram que se tratava de uma tentativa de lançamento de satélite em órbita. Mas não antes de negociar com os ianques porcos capitalistas uma carga imensa de comida em troca do compromisso de andar na linha e não matar todo mundo.
    No ano seguinte a mesma coisa. E depois. E depois. Mais um cargueiro de comida pra acalmar os vermelhinhos a cada teste.
    Agora essa notícia. Não duvido que tenham armas – duvido que de fusão -, mas parece até que a política econômica internacional da Melhor Coréia se resume a ameaçar de tempos em tempos a comunidade internacional de puxar o pino da granada em troca de comida.

  3. Tem certeza que se você for estrangeiro o tratamento é esse? Quero dizer, preso por portar celulares e etc? Eu já li alguns relatos de estrangeiros que foram pra lá e eles nunca citaram isso.

    1. Eu estou inventando, cara. Não sabia? Eu fico inventando essas loucuras para ver quem é burro o suficiente para acreditar. Sorte nossa que temos gente antenada como você que não acredita em qualquer bobagem que lhe contam.

      1. Vish, deu respostinha na defensiva, já sei que é passivinho que se encolhe quando é deparado com uma errata.
        Minha pergunta foi séria, pois, como disse, desconhecia desse tratamento mesmo já tendo lido diversos relatos de estrangeiros que foram para lá (todos contrários ao regime e que expuseram os males do governo com seus cidadãos e turistas, aliás). Mas pelo jeito você não tem maturidade o suficiente para encarar a dúvida de um leitor de seu blog sem recorrer ao sarcasmo.

        1. Filhota, vc cria conta fake de email para poder encher op saco e acha que eu lhe darei atenção? Não, gentinha como você não merece nem terá mais permissão de relinchar aqui.

    2. Nah, esse lance de que todo estrangeiro é constantemente vigiado é conversa fiada. Acredita nisso não, mano.

        1. Eu estava sendo irônico, até porque celulares estrangeiros são proibidos e nem queira ir pra lá como jornalista se passando por turista!

    3. Li que o trajeto dos turistas na Coréia do Norte é extremamente controlado pelo exército! Só se pode visitar locais estritamente autorizados pelas autoridades. Se sair do caminho, ó, cana!!

      Pessoalmente, gostaria muito de visitar a livraria desse país, por ser famosa em incentivar o pensamento crítico:

  4. Só não entendo como o povo ainda adora esse ditador… (E tem gente no Brasil que APOIA ele, dizendo que a fome na coreia do norte é culpa do capitalismo norte americano e do imperialismo japonês.) .

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