Borobudur: Um passeio pelo centro do Universo budista

Om. Ooooooooooom. Shanti Om. Shaaaaaaanti Shanti Ooooooooooom.

O mistério cerca Borobudur (não confundir com Barad-Ûr). Ninguém sabe com certeza detalhes particulares de sua construção. O que se sabe é que Borobudur, um dos maiores templos budistas do mundo e fascina pela sua imponência, serenidade, espiritualidade e cultura de um povo que já não mais existe, uma cultura de séculos no passado que muito se perdeu nas brumas do tempo.

Eu sei que você está cansado de ir pra Disney, Orlando e Miguel Pereira. Já pensou em Borobudur?

O estupendo complexo de Borobudur está situado em Yogyakarta, Indonésia. Esta grandiosidade teve a sua construção começada nos idos do século VIII, em que a dinastia Sanjaya mandava no pedaço; mas parece que eles eram como brasileiros e paravam a obra por motivos obscuros. Foi o que aconteceu com Borobudur que, convenhamos, não deve ter saído nada barato, mesmo levando em consideração uma bela quantidade de escravos. mas logo a cessaram. Lá pelo ano 780 da Era Comum, os reis da dinastia Sailendro começaram a governar a região e acharam uma boa ideia uma construção com apelo religioso, já que isso sempre foi uma boa ideia em todas as sociedades, desde que o mundo é mundo.

O templo principal é uma estupa construída numa colina, afinal, a bagaça tinha que ser grandiosa, além de ficar de olho em quem chegasse perto. Aquela época não era muito tranquila, vocês sabem… Estupas são construções erguidas sobre os restos mortais cremados de alguma figura imponente da religião budista. No caso, esse templo principal foi construído tendo três níveis, com formato piramidal, o que é bem lógico, pois a base larga e pesada fornece um grande apoio para uma edificação, que terá materiais mais leves, diminuindo suas seções gradativamente. Ou seja, quanto mais se sobe, mais leve será a seção, distribuindo as cargas para baixo e pros lados. Não é à toa que vemos construções piramidais em todo mundo, ainda que não sejam iguais, como se formos comparar as pirâmides egípcias com as maias.

Só a base dessa pirâmide era composta de cinco terraços quadrados e representa o o kamadhatu, a esfera dos desejos, a qual passamos até nos desvencilharmos da necessidade de nos apegar a bens terrenos e impor nossa vontade. Já a parte do meio é um cone (sem a ponta) com três plataformas circulares representando o rupadhatu, a esfera que designa as formas. Abandonarmos nossos desejos, mas ainda damos muito valor às formas. Não é uma boa coisa se queremos chegar na iluminação. Por fim, no topo, vinha uma estupa para ninguém botar defeito. Três plataformas circulares representando a arupadhatu, a esfera da ausência de forma. O Ser e o Não Ser. Não há qualquer nome ou forma. Só existe. É a essência pura, a iluminação. É quando você, meu amigo, pode se tornar um buddah, um iluminado, como Sidarta Gautama conseguiu.

Cada nível era uma estupa, pois a construção tinha que ser muito bem abençoada.  Em torno das plataformas, existem 72 estupas, com uma estátua de Buda em cima, e a base cobre uma área total de 2.520 m2. Aquilo demandou tempo e dinheiro, mas os reis tinham os dois sobrando.

No século XIV, a rápida expansão do Império Islâmico levou a população local a abraçar a religião de Mohammed SAAS. Ainda assim, eles não eram os selvagens de hoje. Os povos árabes respeitavam a educação, a cultura e as religiões antigas. Eles tinham suas determinações, então, mandaram cobrir com uma leve camada de argila as faces humanas, de forma a garantirem que a doutrina do Alcorão Sagrado, que manda que não haja figuras humanas reproduzidas, mas sem destruí-las, pois eles não eram os energúmenos do ISIS. Assim, todo o complexo foi preservado, para, na década de 1970, ser restaurado com a ajuda da UNESCO.

E você? Gostaria de dar um giro por Borobudur? O Google te ajuda. Que tal um Google Borobudur View? Isso mesmo. O Google colocou um digníssimo para andar por todo aquele local, com uma câmera na mochila.

Pronto para dar um passeio por lá?

O Google tem um instituto cultural. Eu sei, eu sei, corporação malvada, imunda, que me dá email de graça e sabe de todos os meus dados, assim como o Zé Ruela do Serpro. Aprendemos mais, sobre outras civilizações, sobre nós mesmos. Entendemos nosso lugar aqui e ele é efêmero. Grandes impérios surgiram e desaparecerão. Muitas civilizações floresceram e decaíram, sem que nós sequer conheçamos todas elas. Algumas desapareceram na poeira, outras deixaram resquícios.

Cada fragmento de informação é uma pérola que precisa ser conservada, admirada, estudada e posta para que todos tenham acesso. Hoje, sabemos dessas coisas magníficas num deslizar de dedo pela tela de um smartphone. Acho, então, que ter toda essa informação sendo negligenciada para dar lugar a meme retardado e conversa tosca no whatsapp é uma lástima. Mas ainda haverá aqueles que amam a cultura, a História, a educação refinada. E é pra essas pessoas que eu escrevo aqui.


Fontes:

Um comentário em “Borobudur: Um passeio pelo centro do Universo budista

  1. “Não é à toa que vemos construções piramidais em todo mundo”, mas alguns veem nisto uma prova que foram construídos por E.T.s… se você não entende nada de física, nem de matemática e nem de porra nenhuma você vai ser o quê? Ufólogo é óbvio!

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