Pesquisadores rastreiam tuberculose por meio de análise genética

Tuberculose, por muitos e muitos séculos, era uma das condenações à morte mais eficientes dada pela Natureza. Não por acaso, aparece em muitas obras literárias como carrasco cruel, como é o caso de A Dama das Camélias e Floradas na Serra. Entretanto, graças a Jeová , digo, à Ciência, hoje não é mais tão complicado assim. Só que não existe almoço nem Evolução de graça. Por causa da Seleção Natural, cepas de Tuberculose acabam se tornando resistentes aos antibióticos. O que se faz?

O que se faz é Ciência! Cientistas estão usando sequenciamento de DNA para detectar a propagação de tuberculose multi-resistente entre pacientes.

O dr. Graham Cooke é professor de doenças infecciosas da Faculdade de Medicina, do Departamento de Medicina do Imperial College de Londres. Ele pesquisa coisas lindinhas desde HIV até tuberculose.

Esta desgraceira é transmitida pela inalação de gotículas minúsculas de uma pessoa infectada com o Mycobacterium tuberculosis, mais conhecida como "bacilo de Koch", já que é um bacilo descoberto em 1882 por Robert Koch. Ela normalmente afeta os pulmões, mas também pode afetar outras partes do corpo, tais como o cérebro, os rins ou da coluna vertebral. Na maioria dos casos, a tuberculose não só é tratável como curável também. O problema é que as pessoas infectadas podem morrer se não receber tratamento adequado, achando, sei lá, que estão apenas com um resfriado forte. Afinal (e isso é mais acentuado no Brasil) há a famosa automedicação, e médico, segundo nossas tias, não sabe de nada.

O problema maior é a nefasta mão da Seleção Natural. Quando cepas de bactérias estão expostas ao antibiótico, elas vão linda e gloriosamente pra vala evolutiva. entretanto, sempre tem umas desgraçadas que são um pouco mais resistentes, e dada a velocidade de reprodução, teremos mais indivíduos aos quais o remédio não fará nem cócegas. Assim, teremos cepas cada vez maiores em número, capazes de resistir aos medicamentos, e como essa porcaria de doença é facilmente transmissível, outras pessoas ganharão de presente o bacilo mais fortinho.

A tuberculose é, provavelmente, a doença infecto-contagiosa que mais causa mortes no Brasil. Estima-se, ainda, que mais ou menos 30% da população mundial estejam infectados, embora nem todos venham a desenvolver a doença. Anualmente são notificados cerca de 6 milhões de novos casos em todo o mundo, levando mais de um milhão de pessoas ao óbito. Aqui, a cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença, o que nos faz ocupar o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

Muitas pessoas se comportam como transportadores do bacilo. O bacilo está feliz da vida, morando dentro das pessoas e estas não conseguem eliminá-lo ou destruí-lo e, uma vez reativado o foco, passarão a ser infectantes; e o mal uso de antibióticos está tornando a tuberculose resistente a remédios cada vez mais.

A primo-infecção é aquela em que ocorre quando a pessoa entra em contato com o bacilo pela primeira vez. A proximidade com pessoas infectadas, assim como os ambientes fechados e pouco ventilados favorecem o contágio. Essas bactérias do inferno podem sobreviver nos pulmões por longos períodos sem causar sintomas, o que damos o nome de "infecção latente".

A análise genética de algumas cepas do bacilo da tuberculose revelou veio de um homem de 44 anos de idade que morreu da doença em 2012. Ele contaminou um profissional de saúde que tinha trabalhado na África do Sul, quando ambos foram internados na mesma enfermaria quatro anos antes. Essas coisas conseguem tanta resistência que acabam viajando o mundo todo. Hoje, a tuberculose multirresistente é uma senhora dor de cabeça a vários infectologistas. É esse o foco de pesquisa do dr. Cooke.

Em 2010, a agência equivalente à ANVISA da Inglaterra começou a realizar testes genéticos em amostras de bactérias da tuberculose para ajudar a identificar as ligações entre pacientes e entender melhor como as infecções são transmitidas. Os pesquisadores, liderados pelo dr. Cooke, usaram informações genéticas para rastrear a fonte de infecção em um paciente britânico que nunca tinha viajado para o exterior. O perfil de DNA da amostra bactérias foi igualado ao de um paciente que morreu em 2008. Esse paciente era exatamente o que tinha tinha trabalhado como um profissional de saúde No Hospital Tugela Ferry, na África do Sul, onde se deu uma das mais graves epidemias de tuberculose resistente a medicamentos em 2005.

A pesquisa foi publicada no Emerging Infectious Diseases, cujo DOI não está funcionando direito ainda.


Fonte: Mãe da Criança

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