Você sabe que esquentando muito a água (ok, fervendo), vai passar o cerol em tudo que estiver vivo ali. Só que muitas vezes a preguiça não deixa você esperar até a fervura, e você sabe que existe uma temperatura a partir da qual a vida complexa deveria começar a reconsiderar seriamente suas escolhas. Proteínas perdem a forma, membranas ficam instáveis, processos celulares começam a falhar e aquilo que até então era um organismo passa a caminhar perigosamente na direção de sopa orgânica. Para os eucariotos, seres cujas células possuem núcleo e outras estruturas internas, acreditava-se durante décadas que a fronteira estava por volta dos 60 °C. Era uma espécie de placa biológica de “não ultrapasse”.
Então apareceu uma ameba na Califórnia que aparentemente não sabe ler placas. Continuar lendo “A bactéria que curte um calorzinho”




Ei, você aí! Você, mesmo! Eu sei que você detesta sujeira e mete desinfetante em tudo, joga cloro pra todo lado, usa lança-chamas se deixarem! Finalmente, você conseguiu se livrar daqueles malditos germes, germes, germes pra todo lado! Finalmente, sua casa está limpa, certo?
Você não é nada sem seu intestino. O malvadão é que aguenta toda a merda que você apronta. Não apenas isso, você também não é nada sem as bactérias que estão lá, ainda mais que estas mesmas é que vivem na merda. As células do intestino e as queridas bactérias estão sempre lá, juntinhas, mas ainda não se sabe em detalhes como é essa relação entre o casalzinho.
Infecções não são brincadeira, mas do jeito que andam as coisas, é pior ainda quando pessoal usa antibiótico como, bem, como brincadeira. Já falamos várias vezes como o uso indiscriminado de antibióticos acarreta em superbactérias, aquelas bactérias hiper-resistentes do mal que não são mortas facilmente com algo mais fraco que uma GAU-8 Avenger. O problema então é saber: QUANTO dar de antibiótico e QUANDO é hora de parar?
O Clostridium difficile já traz no nome que não é brincadeira. Este bacilo (uma bactéria mais sacana que as outras) é que nem o seu cunhado. Assim como aquele inútil está se servindo do conteúdo da sua geladeira, a C. difficile é um comensal do trato gastrointestinal. Assim como o seu cunhado, que só lhe traz dor de cabeça, o Clostridium é responsável por doenças gastrointestinais, que variam desde uma diarreia até uma colite pseudomembranosa. Você não quer contrair uma colite polimembranosa, a infecção mais comumente adquirida em hospitais.
Lembram do artigo sobre a bandagem elétrica que acaba com biofilmes de bactérias? Aí você ficou: MUAHAHAHAHA, mete eletricidade nessas disgramadas e mandem-nas pro Inferno das Bactérias. MUA-HA-HA! Agora, imagine que você está dando um rolé num parque e vê uns caras colocando eletrodos numa piscina natural para dar uns choques no que tiver á e descobre que as bactérias lá não só estavam vivinhas da silva como adorando a eletricidade a ponto de se alimentarem dela. Bizarro, não?
Bandagens são uma tecnologia de uso médico conhecida desde os antigos egípcios, que aplicavam tiras de algodão, algumas vezes embebida em betume para imobilização. Elas ajudam a cicatrização ao não expor feridas abertas ao ar, cheio de “humores capazes de fazer espíritos malignos entrarem”, se por “espírito maligno” você entender como bactérias.