Pesquisa “mostra” que cérebro fica com informações depois de morto. Mas não é bem isso

Eu não quero, você não quer, ninguém quer morrer. Bem, tem o caso dos suicidas, mas isso é outra história. Quase a totalidade das pessoas não fica feliz com a ideia de morrer agora, CABLOFT! O que diferencia é que algumas pessoas não conseguem lidar direito com os fatos da vida (dica: eu vou morrer, mas você também vai. Get Over It!). Então, mitos, histórias e religiões surgiram para dar a esperança que há algum outro lugar depois que se vai. Vida após a morte, reencarnação etc.

Então, leio uma notícia em que um pesquisador reúne relatos de gente que morreu por alguns minutos, viu túnel e aquela xaropada toda que conhecemos. Pauta fria, eu sei, mas não custa relembrar coisinhas.

A principal delas é que, diferente do que você pensa, portais de notícia, jornais, revistas etc. não estão interessados em passar informações. O interesse é vender jornal, assinaturas, exemplares, propaganda ou tudo isso junto. Assim, jornalistas têm que arrumar notícias, nem que seja tiradas do reto, que atraiam leitores, e quanto mais bombástica, mais suculento é, e isso atrai um monte de gente (normalmente baixa cultura ou intelecto), que se maravilha com essas besteiras e, claro, começa a repassar desvairadamente.

A mente cética não aceita qualquer coisa logo de início, por isso, somos os chatos, os estraga-prazeres, aqueles que iremos sofre muito por não acreditar patati-patatá. Tirar as pessoas da preguiça mental é um ato hercúleo, que eu já deixei há muito tempo. Escrevo aqui, lê quem quer. Dane-se!

Mas jornalistas não querem isso. Suas profissões visam apenas uma coisa: dar lucro pros seus patrões e, portanto, precisam deixar as notícias cada vez mais apetitosas para  amassa inculta. Assim, ET, OVNI, Jesus nas Torradas e, claro, vida após a morte é prato principal. Dessa forma, eles começam a berrar uma coisa no título, sendo que a história real é um pouquinho diferente, que nem fazia aqueles meninos jornaleiros de tempos d’antanho. Por isso, eu chamo essa classe de "jornaleiros". Eles não querem informar, querem vender jornal.

O título da matéria do Globo é "Consciência pode permanecer por até três minutos após a morte, diz estudo". Então, vamos ver o estudo…. Nenhum? Cadê o link da publicação? Cadê o título do artigo indexado? Quem é o pesquisador principal? Em qual periódico foi? Por que o Globo não deu essas informações? Fácil, não é disso que se trata a matéria. É aquela bobajada de túneis brilhantes, gente vendo seu corpo enquanto flutua etc. Teve um que disse que se lembra do barulho das máquinas. Vruom vruom vruoooooooooom. Ah, não. Desculpe. Isso é um sabre de luz.

A matéria foi "inspirada" neste artigo do Telegraph. Notem a diferença entre os títulos.

O cientista envolvido é Sam Parnia, figurinha conhecida neste ramo por "provar" que existe algo após a morte, mesmo não provando nada. Nárnia, digo, Parnia é pesquisador do departamento de Medicina da Universidade Stony Brook. Ele pesquisa ressuscitação cárdio-pulmonar e tenta salvar pessoas o melhor que pode. Uma pena que os jornaleiros da Folha chapam a manchete Sam Parnia, o médico que pode trazê-lo de volta da morte.

Jornaleiros gonna jornaleirar. Parnia pode ser muito bom, mas ele não vai dizer a ninguém "Levanta-te e anda", porque passará vergonha quando nada acontecer. Esse besteirol vem de muito tempo, a Super Interessante falou dele em 2005. Com tanto tempo assim, ele deve ter vários artigos publicados nessa área, com muitas descobertas.

Só que não!

Descrever que a pessoa fica zureta e tem alucinações que parecem reais não prova nada sobre vida após a morte. Será que temos alguma explicação para isso? Sim, temos!

Mais uma notícia vagabunda, mais pseudociência, mais venda, mais compartilhamentos etc. Nem em sonho eu acharei que o presente artigo terá 1 centésimo das visualizações e compartilhamentos que a notícia do Globo terá. Nem mesmo quem não acredita nela deixará de postar, de divulgar, de disseminar mais essas bobagens, em vez de divulgar coisas como eu e muitos outros escrevemos. O bizarro é mais tentador de compartilhar, e os jornais agradecem encarecidamente.

Mas porque o cérebro retém essas informações. Bem, o seu HD também guarda informações se não tiver nenhuma corrente elétrica passando por ele, assim como disquetes (pergunte ao seu pai). A bem da verdade, não entendemos nem a morte ainda, não sabemos até que podendo podemos dizer "agora sim, fulano está mortinho da Silva a partir deste exato momento. Assim, o Deus das Lacunas age e as pessoas ao invés de ficarem curiosas e quererem procurar mais e entender o que se passa, abre o livro religioso na passagem favorita (ou uma aleatória qualquer) e ali terá a resposta.

Simples, não é mesmo? E é isso que os veículos de "informação" espera de vocês, pois é isso que os fará conseguir pagar as contas no final do mês.

4 comentários em “Pesquisa “mostra” que cérebro fica com informações depois de morto. Mas não é bem isso

  1. E junto da matéria eles colocam a imagem da novela com a legenda “Cena da novela “Amor Eterno Amor” da Rede Globo retrata a experiência de quase morte estudadas pelos cientistas da Universidade de Southampton”. E isso lembrou que nessa novela a psicóloga da personagem principal realizava regressão de vidas passadas. Como se a psicologia estudasse isso! Mas o senso comum acredita que sim. E também porque alguns psicólogos usam essa “técnica”, por acreditarem realmente que isso funciona, ou para lucrar em cima de quem acredita nisso. Muitos psicólogos tiveram seu registro cassado por relacionar sua profissão com religião, mas que eu sei, só em profissionais que eram evangélicos, mas o que se vê também, e é só digitar no google, psicólogos se intitulando de “psicólogos espíritas”, vc acha vários links. Se isso não é misturar religião com psicologia, só lamento, e acredito que esses profissionais não recebem nenhuma notificação do CFP por isso. Então se um psicólogo colocar “Associação Brasileira de Psicólogos Evangélicos”, ou “Associação Brasileira de Psicólogos Católicos”, está tudo bem? Vamos jogar no ralo todo esforço e trabalhos que outros profissionais fizeram para que a psicologia se tornasse reconhecida como ciência. Aí vc tem que fazer um trabalho na faculdade sobre biocibernética bucal, ou escutar da professora que o CFP proíbe receitar os florais de bach pq não é reconhecido cientificamente, mas em outra aula ela diz que receita os florais em casos quando o indivíduo não apresenta problema grave, pq ela não quer submeter o indivíduo, uma criança, a remédios pesados. É palestrante querendo fazer uma conexão entre espiritismo e psicologia, pq o pessoal da psicologia é mais “mente aberta”. Aham, sei! E esse mesmo professor recebe verba pra realizar um estudo sobre a glândula pineal. Até aí, bacana. Mas é pq ele recebeu o espírito desencarnado de um outro professor encorajando-o a fazer esse estudo, e assim, outros estudos não recebem verba. E ainda tem que ouvir da colega de turma que ela acredita na brincadeira do compasso e quando vc questiona “tu realmente acredita nisso?”, tem que ouvir da turma “cada um acredita no que quer”. “é isso aí, cada um acredita no que quer!” Ok, então seja um profissional que acredita na brincadeira do compasso. E porque estou dizendo sobre psicologia? Porque é a área que estudo e vejo os bombardeios místicos e espiritual querendo parear com a psicologia. As revistas não são fontes confiáveis, vc procura artigos acadêmicos e percebe que os estudos que foram feitos são questionáveis, e sim claro, devem ser, mas há uma carência de pesquisas críticas, parece que o aluno escreve qualquer coisa, e está bom, desde que segue as normas da ABNT e tenha referências, qualquer referência. André, vc sempre diz que o brasileiro não gosta de ciência, e realmente, a maioria, não gosta. Percebe-se que se não ter algo “místico” no meio não é interessante, não dão importância.

  2. O interesse é vender jornal, assinaturas, exemplares, propaganda ou tudo isso junto. Assim, jornalistas têm que arrumar notícias, nem que seja tiradas do reto,[…]
    .
    Atesto e dou fé. O retardo mental é tão grande, que larga maioria só lêem as coisas pelos jornais, que existem para ganhar dinheiro com notícias, nem que eles mesmos inventem.

    Ler esses títulos sensacionalistas chega a ser um insulto à inteligência.

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