As mais antigas (até agora, frise-se) artes rupestres já encontradas

Nessa longa estrada da civilização, o Homem vem correndo e não pode parar, na esperança de não ser extinto, sendo devorado por um jaguar. Todos sabemos (ou pelo menos vocês deveriam saber) que seres humanos surgiram em muitos lugares, mas principalmente na África. Poucos vestígios ficaram desses pioneiros e o pouco que sabemos de sua vida vem de pinturas rupestres, na maioria dos casos.

Achava-se que as primeiras pinturas foram feitas na Europa, mas pesquisadores encontraram indícios de pinturas mais antigas na Indonésia que, caso não saibam, não fica na Europa, mas na Ásia.

O dr. Alistair Pike, Chefe Adjunto do Departamento de Arqueologia da Universidade de Southampton, Reino Unido. Ele estuda pinturas rupestres, principalmente arte parietal (pinturas em paredes), com desenhos do dia-a-dia do pessoal de antigamente, mais velho até que a sua avozinha, e isso significa muito, MUITO tempo. Pesquisando arte rupestre estêncil, ele datou pinturas com mais de 39,9 mil anos de idade, isto é, seres humanos já estavam produzindo arte rupestre há 40 mil anos, no Pleistoceno. Legal, né?

Peraí! O que é arte rupestre estêncil? E como se data isso? Vocês estão adivinhando, né?

Arte estêncil é quando você usa algo como máscaras. No caso da pintura da Indonésia, veja:

Estêncil é uma técnica que você usa máscaras para pintar. É como você fazer buracos em forma de letras e passar o colorjet em cima, ou colocar a sua mão e soprar pigmentos naturais por cima dela, deixando a parte que a sua mão estava sem tinta. Adivinhe qual das duas foi usada na foto acima.

Para datar as pinturas, analisa-se pedaços da parede pintada que se destacaram e caíram no solo, ficando depois enterrados pelos sedimentos os quais aí se depositaram; esse solo produzido criará camadas e poderemos datar as camadas. Pode-se usar carnono-14, mas só se estas pinturas forem encontradas em rochas perto de fogueiras, já que rochas mesmo não tem carbono para ser datado. No entanto, este não é o único. A técnica de datação usou método radiométrico de urânio/tório. Compara-se as taxas de em que o urânio-238 (U238) decai para tório-234 (To234). A meia-vida do U238 é de 4,468 bilhões de anos, e, por isso, nos dá tranquilamente a datação de rochas.

Meia-vida é o tempo que determinada quantidade de material radioativo decai até a metade dessa quantidade. Por exemplo, suponha que eu tenha 40 kg de U238. No final de 4,468 Bi de anos, eu terei 20 kg. Mais 4.468 Bi anos, e eu terei apenas 10 kg. E sim, não me passou desapercebido que a meia-vida do U238 é mais ou menos a idade da Terra.

Mas aí vão datar a rocha como um todo, não a pintura. Duh!

Sim, seria, SE fosse o caso, mas não. Os arqueólogos não datam as rochas onde as pinturas foram feitas. Pelas s rochas escorreram lentamente gotas de água que formou solução salina de cálcio. Esse cálcio acaba reagindo e formando carbonato de cálcio, insolúvel, acabando por formar uma pequena crosta de CaCO3 por sobre a pintura. Só que ali foi também depositado pequeníssimas partículas de urânio e, por isso, não é tão radioativo para que os pesquisadores que lá entrassem tivessem seu DNA melecado ao ponto de ganhar poderes fantásticos.

Sim, a Natureza é muito chata!

Analisando a quantidade de tório na amostra coletada, os pesquisadores puderam determinar a idade em que a crosta se formou, o que foi pouco depois da pintura ter sido feita. E sim, este método é muito preciso e constante. E, sim! Para ficar mais maneiro, temos vídeo!

A pesquisa foi publicada na Nature. Essas pinturas são as mais antigas testemunhas da criatividade humana, de nosso intelecto. Somente o ser humano é capaz de fazer arte. Depois da arte, que é registrar o mundo segundo sua perspectiva, é a tentativa de entender e reproduzir o que se vive. Daí para a criação da Ciência foi um pulo, mas um pulo em termos históricos, não em termos de nossa ridícula expectativa de vida.

Essa descoberta mostra-nos a necessidade de proteger as cavernas, muitas das quais foram danificadas por mineração ou mesmo vandalismo. Você gostaria que alguém chegasse na sua casa e rasgasse as fotos de seus pais já falecidos? Destruir este acervop é destruir nossa própria história, mesmo datando da pré-história.

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