O gelado reino de Netuno

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O reino dos planetas-deuses é desolado. A partir do planeta-guerreiro, o sistema solar já está muito frio, espaçado, praticamente morto. Quando chegamos no planeta-deus Netuno, não há água líquida, seu reino marinho repousa apenas na mitologia. É muito frio, deserto, sem vida; mas, nem por isso, vazio. Há uma imensa vizinhança circundando o reino de Netuno, magnífica, mas indiferente, com uma frieza de dar dó, pois além de não dar bola para as bactérias que andam sobre a Terra e constroem mísseis balísticos, os longínquos mundos perto de Netuno estão longe demais do Sol para serem paraísos caribenhos. No máximo são como Zamhareer , o infeno de gelo.

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O astrônomo Alexis Bouvard publicou suas tabelas astronômicas sobre a órbita de Urano em 1821. O problema é que os cálculos não batiam com as observações, o que é um tanto incômodo. Os astrólogos de então não se importaram, já que isso não fazia a menor diferença nas suas "previsões", como hoje ainda não faz; e, para esses astrólogos, não havia (e não há) nada depois de Urano. Mas Bouvard era um cientista e levando em conta que a teoria corrente não explicava as observações, e as observações replicadas apontavam a mesma coisa, o que se tinha que fazer era substituir a teoria vigente, coisa que gente como Aristóteles, Platão e Ptolomeu não tinham o costume de fazer.

A explicação seria que algo interferia na órbita de Urano. Esse "algo" tinha que ser grande. Esse "algo", portanto, tinha que ser um planeta. John Couch Adams calculou a órbita desse suposto oitavo planeta em 1843 e enviou seus cálculos para o Astrônomo Real Britânico, Sir George Airy, mas este – fazendo uso de uma expressão que não é lá muito científica – cagou e andou pro que Adams enviara. Adams desistiu da ideia de falar mais alguma coisa e deixou por isso mesmo.

Urbain Le Verrier, apesar de francês, não se rendeu à indiferença. Independentemente de Adams, ele calculou as órbitas e chegou às mesmas conclusões: tem algo grandão por aquelas bandas. Assim, ele encheu o saco de todo mundo, mandando suas continhas e pentelhou um monte de astrônomos para saírem procurando pelo trecão que estava flutuando lá por aquelas bandas (EU SEI, GENTE!!!)

Airy viu que os cálculos de Le Verrier batiam com os de Adams (obviamente, não pediu desculpas a John) e mandou o diretor do Observatório de Cambridge, James Challis, que ficasse catando o planeta. Challis ficou olhando pra cima e não viu nada mais notável, principalmente porque ele não sabia o que estava procurando, oque mais atrapalha que ajuda, e nem sempre se consegue algo.

O francês pentelho encheu o saco do astrônomo alemão Johann Gottfried Galle, do Observatório de Berlim. Heinrich Louis d’Arrest era estudante do observatório (aka, estagiário) e sugeriu a Galle que eles comparassem os dados coletados visualmente com o local previsto por Le Verrier na base da matemática. Deram de cara com algo se mexendo que não era uma estrela fixa. Se o troço estava brilhando e se mexendo, só podia ser uma coisa: um planeta (do grego: estrela errante). Era 23 de setembro de 1846 e Netuno fora descoberto (e, claro, quem levou a fama foi Galle. Estagiário que se rale!)

Os astrólogos ainda o ignoram até hoje, e você aí se doendo por Plutão não ser mais planeta.

Netuno é muito parecido com Urano, pois tem a mesma composição, massa e tamanho, tendo um núcleo rochoso, mas ainda assim é um gigante gasoso, tendo seu núcleo envolto em uma massa congelada de metano e água, e é metano a maior parte da composição de sua densa atmosfera, tendo também hidrogênio e hélio. Por causa da grande quantidade de metano, o planeta-deus, frio como o Senhor dos Mares, é azulado, já que absorve fortemente radiações eletromagnéticas de grande comprimento de onda, como o infra-vermelho e o próprio vermelho. Por isso o metano é um poderoso agente de efeito estufa, mas não no caso de Netuno. Está muito longe do Sol para ser aquecido. Se pelo telescópio ele é uma baça mancha pouco brilhante, a sonda Voyager 2 nos mostra quem é Netuno.


Esta foto foi colorizada por computador, é claro!

Seu principal satélite, Triton, considerado o astro mais frio do Sistema Solar, com uma temperatura amena de cerca de 235-240 graus celsius… ABAIXO DE ZERO! Esta porcaria é (um pouco) mais fria que o coração da sua ex. Ele tem um diâmetro de cerca de 4 mil quilômetros e é um dos maiores satélites do Sistema Solar. E como nada na Natureza é como queremos que seja, ele dá uma banana pra todo mundo e gira ao contrário, já que ele é uma espécie de satélite hipster, muito provavelmente porque não tenha se formado junto com o planeta-deus e sim ter sido capturado pelas poderosa força gravitacional. Não é de se admirar, portanto, que o satélite-hipster esteja se aproximando cada vez mais de Netuno, que o acha muito fofo, apesar de ser meio friorento.

Na vizinhança de Netuno, há outros astros, tão frios quanto ele. Um festival de grandes bolas congeladas (preciso dizer que eu sei?) se avizinha do planeta-deus, e elas podem ser vistas na animação abaixo:

Esta animação ilustra os tamanhos relativos aproximados e o verdadeiro movimento orbital de todos conhecidos objetos trans-netunianos (objeto trans-netuniano não fez nenhuma operação para mudança do que quer que seja, gente). Ela também mostra esses objetos com distâncias orbitais médias e vão aparecendo com a referência da data de suas descobertas.

É tão legal esse vídeo que ele nos faz falar um pouquinho mais. Eu apenas queria colocar o vídeo, mas aqui é um blog que gosta de compartilhar mais informações e não apenas 2 minutos que logo serão esquecidos (não que eu já não tenha feito isso… ou quase isso).

Apesar da frieza de um lugar tão desolado, nossos corações podem estar aquecidos em saber mais. Nossos cérebros consumiram vários ergs em processar estas informações e junto com nosso sistema termorregulador, podemos estar vivos para admirar, estudar e aprender mais.

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Sobre André Carvalho

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