Júpiter pode tornar-se uma estrela um dia?

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Os males do movimento anti-vacina

Júpiter é uma fascinação. O Senhor dos Planetas é um poder em si mesmo dada a imensa força de gravidade, sendo apenas superado pelo Sol.  Quando o cometa cometa Shoemaker-Levy 9 chegou perto dele em 1994 e os poderes magistrais do Rei dos Planetas-Deuses o atraíram e hoje, o que era o Shoemaker-Levy 9 é parte do próprio Júpiter. Em 1997, um desavisado cometa chamado Hale-Bopp — com seus incríveis 60 quilômetros, seis vezes maior que o cometa Halley — passou por Júpiter, e as imensas forças gravitacionais do Planeta-Deus fizeram-no mudar de curso.

Com tanto poder assim, Júpiter poderia se tornar uma estrela? Bem, a resposta é "NÃO", para os afobados. Pronto, podem ir embora. Para os que realmente querem saber: Por que não? Esta é mais uma edição do Livro dos Porquês!

A atmosfera de Júpiter é formada basicamente de hidrogênio (aproximadamente, 90%). Bem, outro astro celeste que contém alta concentração de hidrogênio é o Sol; logo o nosso querido Júpiter tem propriedades semelhantes ao Sol e pode se inflamar que nem o Tocha Humana, certo?

Sim, se você for totalmente ignorante em Química.

A sonda Galileu foi mandada pela NASA para estudar o Gigante Gasoso, chegando lá no início do mês de dezembro de 1995, ficando a dar voltinhas pelo Planeta-Deus. Essas "voltinhas" nós chamamos de "órbita". Como nada é eterno – só o amor, e assim mesmo enquanto dura – os instrumentos da Galileu começaram a sofrer desgaste e a falhar. O medo geral era que a Galileu caísse numa das luas de Júpiter, levando consigo bactérias que fatalmente estariam adormecidas em suas entranhas. Isso poderia acarretar numa contam,inação por bactérias terrestres e, por causa disso e da Evolução, acabar em algo desastroso: como seres humanos, por exemplo (sim, eu sei!).

Então, algum gênio pensou que o melhor era alterar a rota da Galileu, mandando-a de encontro com o Gigantão. Mas aí, os histéricos acharam que a fonte de energia da Galileu, um gerador termoelétrico de radioisótopos, conhecido pela sua sigla em inglês RTG (Radioisotope Thermoelectric Generators), mas também conhecidos por "pilha atômica", que através do calor gerado por material físsil (urânio ou plutônio, por exemplo) gera-se eletricidade por causa do efeito Peltier-Seebeck. Sim, pode ir lá pesquisar que eu deixo.

Tudo bem, você é preguiçoso demais para ir pesquisar. Sigamos em frente.

O medo é que o calor gerado pelo RTG (ou em pior estado de burrice galopante) houvesse uma reação que acabasse numa reação em cadeia, queimando todo o hidrogênio de´Júpiter, transformando-o numa bola de fogo.

Primeiramente, para haver fogo é preciso 3 coisas, ue juntas formam o triângulo do fogo:

  • Combustível: HIDRGÊNIO ✔
  • Calor: RTG ✔
  • Comburente: Er…. nenhum?

Como, em nome de Hefestos, o hidrogênio lá iria queimar? Já viram como o hidrogênio queima (não preciso dizer que está em presença de oxigênio, né?

É, ele detona tudo de uma vez só. Não daria tempo de virar uma bola de fogo ardendo eternamente. mesmo que fosse, isso não é uma estrela.

Entendam, uma estrela não é uma imensa bola de fogo. Seu calor vem das titânicas forças nucleares. A imensa gravidade do Sol comprime átomos de hidrogênio, espremendo-os até formarem núcleos de hélio. O hélio se funde com o hidrogênio até formar lítio, e assim sucessivamente até que se formem os pesados núcleos de ferro.

As estrelas contrabalançam a força gravitacional com a energia liberada mediante as reações nucleares, fazendo com que a estrela "cresça". Assim, encolhimento e dilatação ficam em equilíbrio, até que o combustível nuclear acabe. Se essa estrela for grande o suficiente, esta estrela entrará em colapso e explodirá de forma grandiosa, que nós chamamos de "Supernova", com um brilho tão intenso que poderá ser vista em outra galáxia, e emitindo energia radiante tão forte que passará o cerol em tudo uqe estiver na sua frente.

Se a estrela for "pequena", como o nosso Sol, as forças de expansão e encolhimento não estarão estáveis e ela irá crescer cada vez mais, devorando todos os planetas rochosos (sim, a Terra, inclusive), tornando-se uma gigante vermelha.

Júpiter não tem grande poder gravitacional para esmigalhar núcleos de hidrogênio.O Sol é 1000 vezes maior que ele. Também não vai se tornar uma gigante vermelha e nem uma anã vermelha, já que essas estrelas são cerca de 80 vezes maiores que nosso querido Senhor dos Planetas.

No livro 3001, de Arthur Clarke, os eventos em Júpiter acabam acarretando sua transformação numa anã marrom.  Mas uma anã marrom não é bem uma estrela. Esses astros são definidos como sendo objetos sub-estelares que possuem uma massa abaixo daquela necessária para manter reações de fusão nuclear com o hidrogênio na sua região central. Ele é composto por outro tipo de hidrogênio. O hidrogênio comum tem um próton no núcleo e um elétron girando na eletrosfera, mais nada.

O deutério é conhecido por ser combustível principal da nave estelar Enterprise, que usa reações de aniquilamento entre deutério e anti-deutério, liberando quantidades estupidamente boçais de energia,mediante a equação mais famosa da Física: E = m.c2; em que E é a energia, m é a massa e c é a constante da velocidade da luz no vácuo ( 3x108 m/s). Na ficção, essa reação que seria mais descontrolada que dançarina de baile funk, é moderada por um cristal da substância fictícia chamada "dilithuium".

O deutério é um isótopo (mesmo número de prótons) do hidrogênio e possui um próton e um nêutron no núcleo, com um solitário elétron girando na eletrosfera (ok, na verdade ele não está exatamente girando, mas vamos ficar na Física de 9º ano que está de bom tamanho). É esse deutério que compõe uma anã marrom, formando uma nuvem molecular bem grande (apesar de não ser gigantesca) que não sofre contração por causa da sua massa não ser tão imensa assim. Há contração, é verdade, mas apenas em determinadas áreas, sendo, portanto, uma pseudoestrela deformada.

Dessa forma, a contração gravitacional não faz os núcleos fundirem, iniciando uma reação nuclear de fusão, mas os elétrons que formam o seu gás se tornam tão fortemente comprimidos que é formada uma pressão de degeneração de elétrons. Assim, não é possível mais realizar a contração gravitacional da esfera gasosa, ea  energia gerada no seu interior é levada à superfície por processos de convecção. Sabem quando você esquenta água e jfa algumas pitadas de serragem? A serragem sobe e desce, mediante o movimento das moléculas de água. Elas ficam quentes e sobem, chegando em cima se resfriam um pouco e descem e assim sucessivamente. O gás dissolvido é eliminado e surgem bolhas de vapor, junto com vapor d’água, dando o aspecto de "fervura", aquele borbulhar tumultuado

O calor gerado dentro da anã marrom ainda funde o deutério, mas o processo é outro. Com a fusão do deutério formando outras substâncias, é liberada energia, mas não chega aos níveis colossais de uma estrela de verdade. Para que Júpiter chegasse a este ponto, seria preciso que juntássemos mais de 10 planetas iguaizinhos a ele, e cá pra nós, isso será meio difícil de acontecer.

O livro de Arthur Clarke é um livro de ficção, não um documentário. Não o crucifiquemos. Ele escreveu uma fabulosa obra de arte literária e merece nossa admiração. Não porque escreveu sobre Júpiter virar uma suposta estrela, mas por nos fazer perguntar-nos: "Seria possível?"

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Os males do movimento anti-vacina

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • wwbarros

    Jupiter, na forma de uma anã marrom, não conseguiria gerar energia suficiente para sustentar uma colônia humana em uma das suas luas?

    Administrador André respondeu:

    Boa! Vai para Io. Lugar maravilhoso!

    wwbarros respondeu:

    @André, pensei em Titã, para o funeral do Mar-Vell.

    Administrador André respondeu:

    Titã é satélite de Saturno e não Júpiter.

    wwbarros respondeu:

    @André, ih, me lasquei nessa. Estou enferrujado em astronomia.

    Vou ali reler minhas edições do Thesouro da Juventude.

    Administrador André respondeu:

    Já experimentou os meus artigos?

    Ale respondeu:

    @André, Pobre Io.Parece um daqueles brinquedos de massinha nas mãos de Júpiter.Montanhas aparecem aqui e desaparecem acolá,devidos aos efeitos de maré.Ha vulcões por toda parte,exalando lava e dióxido de enxofre.Mesmo assim,a noite é gélida,com temperaturas beirando 180 graus negativos.Bom lugar para se levar mensaleiros.

  • JosephDiniz

    Sempre acreditei que se algum maluco jogasse uma bomba de fusão nuclear (fusão mesmo, não fissão) esta iria ser o gatilho para uma reação em cadeia, “acendendo” o planeta.

    Acho que andei lendo muito x-man!
    🙂

    Administrador André respondeu:

    Facefuckingpalm

    Almeida respondeu:

    @JosephDiniz,

    Menos ficção e mais ciência, sim?

  • Almeida

    Livro dos Porquês. Quem se cansa deles?
    Artigo show de bola !

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