Terrários: O que são, como são e como fazê-los?

Caí de para-quedas numa pergunta que sequer foi dirigida a mim: "Qual seria o tamanho mínimo de um biodome para simular as condições de nosso mundo?" É uma pergunta interessante, mas complicada. A rigor, é muito difícil reproduzir nossa biosfera, que é a parte onde larga maioria dos seres vivos… bem, onde eles vivem e se mantém vivos.

Para responder a pergunta é preciso entender o nosso mundo, e para entender o nosso mundo é preciso criar uma réplica em menor escala do que acontece à nossa vota. Paradoxo Tostines? Nem tanto se entendermos o que é o quê.

Favor abrirem o LIVRO DOS PORQUÊS, capítulo "Planeta Terra"

Vamos falar sobre aquários, primeiramente.

Um aquário reproduz uma determinada área coberta de água. pode ser um rio, um lago, lagoa, pântano ou mesmo mares e oceanos. Tudo que estiver vivendo, nadando, rastejando, rebolando e pronto para dar o bote nesse sistema pertence a um ambiente aquático. Podemos reproduzir este ambiente aquático, criando uma miniatura de um ecossistema, podendo ser um aquário de água doce ou água salgada. Neste ambiente eu colocarei plantinhas e animais (bactérias e fungos aparecerão por outros meios, sem precisar da minha intervenção, apesar de não ser por mágica, geração espontânea ou Criacionismo).

Que nome mais original para a reprodução de um ecossistema aquático do que… "aquário"? Se você já foi no Aquário de Ubatuba, deve ter visto vários aquários contendo vários tipos de peixes, cada um em condições semelhantes ao seu habitat natural, já que ninguém é maluco de colocar um tubarão num aquário de água doce ou um paulistinha num aquário de água salgada. Por sinal, lá eles até têm pinguins!

Os biólogos estudam o habitat original do ser vivo e projetam a reprodução do ambiente onde ele será acondicionado. Não há como misturar ambientes, pois um aquário onde seja acondicionado um caranguejo, por exemplo, deverá não ter apenas porção úmida, mas terra seca também, o mesmo valendo para tartarugas, já que (caso não saibam)  não são peixes e, por isso, não respiram debaixo d’água.

Com o terrário é a mesma coisa. Você não pode reproduzir todo o planeta e sim habitats, e para cada tipo de ecossistema, você terá um terrário diferente, seja reproduzindo áreas tropicais, manguezais, ambientes semi-áridos etc. Pode-se fazer um miniterrário até mesmo dentro de uma lâmpada:

Podemos fazer terrários maiores, usando aquários (sim, eu sei que soa estranho), bolas de vidro ou até mesmo garrafas PET. O Ponto Ciência ilustra como se faz no vídeo abaixo, no qual explicarei umas coisitas que poderão ser usadas em sala de aula. Afinal, alguém tem que ensinar os professores a ensinar.

Vimos a construção de diferentes tipos de terrário, e com eles podemos entender o nosso planeta, contando uma breve história da Terra.

No início, havia rochas (primeira camada). Com o tempo, aconteceu erosão dessas rochas e elas foram se quebrando em partículas cada vez menores (areia). Chegou a diferença: vida, e ela evoluiu até o aparecimento das primeiras plantas, e como havia excesso de gás carbônico na atmosfera, elas conseguiram ter tamanhos imensos, o que foi o período carbonífero. A catástrofe chegou e boa parte daquele arvoredo foi soterrado, fazendo aparecer grandes leitos do que se tornaria milhões de anos mais tarde carvão mineral (que no terrário é representado por carvão vegetal). A vida não parou e seu processo de nascimento, vida e morte enriqueceu o solo com matéria orgânica (representada pela terra adubada). Daí, vem as plantas e pequenos animais, não esquecendo de colocar bastante água (salvo se for um terrário semi-árido, por motivos óbvios).

Terrários feitos direitinho duram bastante. A água lá entrará no seu ciclo e muito dificilmente terá que repor. No terrário ilustrado no vídeo, as pedras e a areia servirão para acondicionar a água, já que as plantinhas não são igarapés para ficarem DENTRO da água; e eu, particularmente, fiz o meu com aqueles galões de 5 litros em que vem refresco concentrado ou guaraná natural.

Se você quiser algo mais chique, pode criar outros ambientes[1][2][3], ou mesmo comprar uma ecosphere, de preços varáveis.

O problema principal nestes sistemas autossustentáveis é que eles não poderão ficar lá pra sempre. Plantas até produzem oxigênio que pode ser aproveitado pelos bichinhos lá dentro, mas e a água? Lembremos que a planta usa gás carbônico e água para produzir glicose. Logo, não haverá produção de água.

Então, qual o tamanho do terrário para simular nosso planeta? Resposta: NENHUM!

Nosso planeta não tem um só habitat, um só ecossistema. São milhares deles, todos existindo em conjunto. Não há como reproduzir tudo isso em detalhes. Um imenso domo poderia conter uma cidade? E de onde viria a água? De lençóis freáticos? Só se for, mas teria que ser um imenso lençol freático, e rezar para que alguma catástrofe não o mude de lugar. Usar hidrogênio e oxigênio do ar? Até pode ser, se não houvesse o incômodo de não ter mais oxigênio depois de certo tempo e… bem, as pessoas respiram.

Marte já teve condições de suportar vida, e mesmo assim acabou se tornando no que é hoje. A melhor maneira de criar um planeta similar ao nosso seria terraformação, o que ainda está nos moldes da ficção científica. Tentar criar uma cidade em Marte ou em Europa é algo que nossa tecnologia ainda não suporta; então, não há resposta para a pergunta. Não podemos construir uma réplica de um planeta e sim de alguns ecossistemas dele.

3 comentários em “Terrários: O que são, como são e como fazê-los?

  1. Num aquário também dá para se verificar o comportamento social e de predaçao entre animais.
    Eh , certa vez montei um aquário e resolvi comprar uns peixes maneiros, afinal o aquário,estava na sala de visitas. A cada dia algum peixe sumia ou aparecia boiando. Parecia mais um filme de Maccloud que tinha de restar apenas um. Bem resolvi renovar e arranjei um pitú, que é um camarão de água doce. Fuc…, ele devorou todos os peixes. Começava cortando as nadadeiras até que o peixe não conseguia mais nadar. Dai ele picava e comia. Era sorrateiro e ardiloso. Continuando , comprei mais uns peixes, um bem agressivo. Bem, pitú agora foi para o beleléu.
    Iluminei o aquário com a belíssima lâmpada super 84 da philips. Lindo! Em alguns dias passou de uma água transparente para uma maravilhosa água ecológica verdíssima. De uma cultura de peixes passei para uma cultura de algas. Toca comprar uns peixes para limpar o vidro. E. Plim, plim, a luta começa de novo. E as algas não somem. E o filtro não filtra o suficiente, e os compostos da urina não são processados adequadamente. E o PH fica ácido. Corrijo, agora fica básico. E o medidor de química para aquário é uma joça. E a porr.. do aquário gera um cheirinho na sala. Raios , e a temperatura varia muito. Peixes boiando. Mais peixes. Construo um termômetro com ajuste eletrônico decente. Beleza , temperatura estável. Mas peixes com fungos. Peixes boiando. Minhas lindas pedras coloridas de decoração que peguei numa mineração de areia VEEEERDES!
    Cansei, vendi para um amigo (ou ex amigo) , que fez um aquário de pedras. Meteu água sanitária na água, ficou tudo clarinho, clarinho. Ligou a super 84 que deixava as pedras da mineração fantásticas.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s