O que é um fóssil vivo?

Boa parte das publicações de divulgação científica ou aquilo que costumam chamar de jornalismo científico brasileiro (e cada vez que eu leio isso tenho vontade de rir) se refere ao termo "fóssil vivo", quando falam de espécies que ainda vivem hoje, sem nenhum parente direto, mantendo as mesmas características genéticas de milhões de anos.

Isso, dizem pessoas de extrema baixa cultura e totalmente ignorantes em Ciência (doravante chamadas de "Criacionistas"), seria prova que Evolução não existe, pois espécies teriam que evoluir sempre. Teriam mesmo? Peguem o volume referente a Biologia Evolutiva do LIVRO DOS PORQUÊS.

Darwin cunhou o termo "fóssil vivo" por causa de antigas espécies que ainda resguardavam características atuais (o "atual" se refere ao tempo de Darwin), por causa da observação de peixes pulmonados. Darwin nem sempre acertou, nenhum cientista acerta 100% do tempo. Eu, particularmente, sempre achei que o termo "fóssil vivo" a coisa mais estúpida que poderia existir. Fósseis são vestígios de seres vivos, seja um osso, carapaça ou mesmo uma pegada. Como assim um vestígio ainda VIVO? Seria como se uma pegada mudasse de lugar, a carcaça de um trilobita saísse de seu descanso e começasse a dançar funk e um esqueleto se envolver em bandagens, evocando os Antigos Espíritos do Mal. O que diabos e isso de fóssil vivo, então?

O problema é que Darwin estava preso ao desenvolvimento cientifico e tecnológico de seu tempo. Lavoisier também falou besteira ao dizer que todo ácido possui o elemento oxigênio (aliás, "oxigênio" tem este nome porque significa "gerador de ácidos", mas existem os hidrácidos, ácidos que não possuem oxigênio em sua fórmula, como o HCl). Einstein falou besteira quando desdenhou de Lemâitre e da Mecânica Quântica entre muitos outros pesquisadores. Sim, Darwin errou, pois ele não sabia de uma coisinha simples chamada DNA, cuja análise nos fornece muitas informações sobre um ser vivo e seus parentes do passado.

Assim, usa-se o termo "fóssil vivo"! para provar que vivemos num mundo fixista, mas a Natureza parece não corroborar muito com isso. O principal exemplo que usam para "provar" que Evolução não existe é o Celacanto. Como existe celacanto hoje e existiu celacanto há milhões de anos, o celacanto prova que nada muda.

Isso soa estranho até mesmo para os próprios celacantos.

A bem da verdade, “Celacanto” não é uma espécie de peixe ou de qualquer outro tipo de animal. Celacantos são uma ORDEM de peixes, os Coelacanthiformes, na qual existem nove famílias conhecidas; e todas elas extintas, com exceção de um único gênero (Latimeria) de uma única família (Latimeriidae) que possui duas espécies conhecidas (L. chalumnae e L. menadoensis), sendo que os outros gêneros dessa família também estão extintos.

Seria como você ter uma família com 9 irmãos, 8 falecerem e, como você encontrou apenas um deles ainda vivo, achar que eram TODOS gêmeos idênticos. Isso é totalmente fora de propósito, mas tem gente que ainda chamará de "fóssil vivo".

O L. chalumnae e o L. menadoensis possuem muitas semelhanças com seus irmãozinhos do passado longínquo, mas semelhança não é igualdade. Eles evoluíram e mudaram e essas mudanças são facilmente vistas em nível genético; e mesmo se considerarmos extremófilos que ficam à beira de vulcões submarinos, a taxa evolutiva é bem, mas bem pequena, já que sendo organismos bem simples, qualquer variação genética pode acarretar na incapacidade de eles viverem naquele habitat, mas ainda assim não são exatamente iguais aos do passado, assim como crocodilos e tubarões terem tido parentes bem antigos, mas não são os mesmos, ainda mais pela atual variância de espécies dentre estes animais.

Outro exemplo é o camarão girino, pertencente à ordem Notostraca, da classe Branchipoda. Pesquisas recentes demonstraram que, depois de várias análises, ele não guarda total semelhança genética com os antigos espécimes desta ordem.

Reconstruções filogenéticas recentes têm mostrado um forte sinal biogeográfico que sugere diversificação devido à separação continental, mas no mundo fixista de criaBURRIcionistas, nunca houve separação de continentes, apesar de outros criaBURRIcionistas diserem que ele existiu sim e foi causado pelo dilúvio, há muitos milhões de anos, quando sequer havia seres humanos, mas Noé e seus parentes se safaram, enquanto seres humanos que nem tinham surgido ainda morreram afogados, apesar de nenhuma evidênciazinha ter sido encontrada. Mas, claro, ninguém ia inventar uma história sobre um barquinho com uma janela de 45 cm de lado, contendo todos os animais do mundo. Por que mentiriam?

Na pesquisa conduzida pela dr.ª Africa Gomez, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Hull,  ficou evidenciado o tempo e o ritmo da diversificação do camarão girino por inferir uma filogenia robusta e aplicação de técnicas de inferência bayesiana de datação, cujos resultados sugerem pelo menos dois episódios de radiação global em Notostraca, uma delas recente, de modo a questionar a validade do conceito de "fósseis vivos".

Ok, legal. O que isso significa?

Em Estatística, inferência bayesiana é um método de inferência em que a regra de Bayes é usado para atualizar a estimativa de probabilidade para uma hipótese como prova adicional é adquirido e ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzZZZZZZZZZ

Basicamente, é uma técnica que cria modelos de ocorrência e como determinado fator estatístico se comporta com o tempo. É um modelo matemático doque aconteceu ou poderia ter acontecido, já que nem sempre dispomos da totalidade de informações que precisamos. A Inferência Bayesiana tem encontrado aplicação em uma variedade de campos, incluindo Ciência, Engenharia , Filosofia, Medicina e até mesmo em Direito. Suas aplicações vão desde Inteligência Artificial até, claro, Biologia Evolutiva, e se você acha que isso seria absurdo, lembre-se que os trabalhos de John Nash sobre Teoria de jogos TAMBÉM se aplicam no processo evolutivo, tanto quanto em modelos econômicos.

A abordagem estatística demonstrou como o perfil genético do camarão girino mudou, esmo que visualmente pareça ser o mesmo, e foi isso que deu errado no equilíbrio Pontuado, pois duas carcaças não precisam ser necessariamente do mesmo animal, da mesma espécie.

"Fóssil Vivo" é um termo errôneo, que deveriaser deixado de lado, mas o pessoal AMA este tipo. Imagine, um ser de 100 milhões de anos ainda caminhando por aí. Que máximo, uhullllll! Pena que a Natureza pouco se importe com você, sua ameba de duas pernas.

Nosso mundo é estático. Vivemos muito pouco. 80 anos é nada em comparação aos 6 mil anos alegados e menos ainda do que os 4,5 bilhões de anos da Terra.

Se o camarão girino e o celacanto são fósseis vivos, então um gatinho é o fóssil vivo de um tigre de dentes de sabre e um chihuahua é o fóssil vivo de um lobo malvadão. Com o detalhe que o chihuahua ainda pensar que é um lobo; ainda mais que são a mesma espécie.

Sim, biologia é uma coisa esquisita, porque o mundo é esquisito.

6 comentários em “O que é um fóssil vivo?

  1. Sempre imaginei que fóssil vivo de referenciasse a animais com praticamente nenhuma modificação fisica em relação a um ancestral.
    Quer dizer o Celacanto seria fisicamente (tamanho e proporções tb) igual a um celacanto de 100 milhoes de anos atrás.
    É claro que haveria diverenças em nivel genético, mas fisicamente não seria possivel distinguir um atual e um antigo!

    O que é diferente dos atuais leões e dos tigres dente de sabre (não tinham tirado o tigre da nomenclatura) onde as modificações fisicas definiam um animal diferente, apesar de poderem serem antepassados!

  2. Seria interessante analisar a evolução do ponto de vista matemático,assim a seleção natural é um algoritmo de otimização(algoritmo genético,com muitas aplicações atualmente).E estão previstos pontos de máximos e mínimos locais que caracterizam bem essa situação,ou seja,pequenas variações(mutações) em torno desse ponto não trarão vantagens para tais seres como foi escrito no texto acima e portanto uma previsão de que um “fóssil vivo” deve ocorrer em alguns momentos.Logo tal fenômeno está contemplado na teoria e óbvio na prática.

  3. Já que mencionou o criacionismo , cito que existe a SCB, sociedade criacionista brasileira , fundada a 41 anos e que congrega várias pessoas de áreas técnico científicas. Tem dentro de seu estatuto a condição de só aceitarem fatos que estejam de acordo com a bíblia de forma literal. Certa vez vi essa cláusula e se não me engano é mais ou menos isso. Agora não consegui achá-la novamente no respectivo site. Só essa cláusula já desqualifica qualquer afirmação desse grupo. Se a realidade não conferir com a bíblia, corrija-se a realidade.
    É impressionante como pessoas com cultura e capacidade de discernimento para escrever textos complexos, que tenham trabalho na área técnica, se fechem de tal forma em dogmas. E por tanto tempo.
    Existência de um criador , origem do universo e assuntos relacionados são questões de fé e fora do escopo da ciência. Mas a atribuição da idade do homem aos 6k anos e a existência da arca, dilúvio etc e tal merece o facepalm.

  4. Mesmo que exista uma espécie absolutamente igual a seus ancestrais de 1 milhão de anos atrás, isso nega a teoria da evolução, não é por que uma espécie não teve sua decendência modificada, que nenhuma outra se modificou.

    E para validar um criacionismo, só com chá de papula com cogumelo venenoso ou outra droga similar.

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