Alunos do curso de Gastronomia ficam impedidos de estudar por falta de comida. CUMA?

Um dos mais básicos problemas brasileiros é o endeusamento de algumas coisas. Curso universitário, por exemplo. Ainda é uma meta idílica, um velocino de ouro; é como capturar uma sereia, mas daí que você pega uma, dá uma olhada bem de perto, se toca da anatomia e pensa "que diabos vou fazer com isso?" (sim, eu sei que tem outros usos alternativos. vamos deixar isso de lado). Curso universitário, no Brasil, virou cursinho profissionalizante. Universidade há muito perdeu seu sentido de criação: fazer pesquisa. Isso acarreta nuns cursos malucos e totalmente inúteis (como Filosofia, por exemplo).

Quando temos sérios problemas de verbas e recursos, muitos universitários tem problemas e o último a ser vítima disso é o fabuloso e importantíssimo curso de Gastronomia, onde a Universidade Federal do Rio de Janeiro não teve grana para comprar… comida!

Já acho um absurdo não se ter álcool suficiente nos laboratórios no Museu Nacional (eu vivi isso quando estagiei lá). Agora, a UFRJ não conseguir fazer feira e comprar mantimento para as aulas para o importantíssimo curso de Cozinha Maravilhosa da Ofélia Gastronomia já é um pouco demais!

Acho que é hora de meter o pé na porta.

Querem saber de uma coisa? AZAR! Eu pago impostos! Quero ver o país na vanguarda tecnológica. Quero usufruir do direito de não passar vergonha quando mencionam o Miguel Nicolelis como exemplo de cientista brasileiro, sendo que ele não está no Brasil. Que cientistas não dependam de ficarem com o pires na mão, implorando ajuda[1] de pessoas pela internet afora, de forma que ajudem a financiar suas pesquisas. Já pagamos o maior mico junto à NASA e à Agência Espacial Europeia[2]. Não, ciência nunca foi primordial para este país. O que é primordial é garantir reeleição e sucessão partidária, criando mil e um motivos para a burra população continue votando em políticos incompetentes. A saída é criar cursos universitários totalmente inúteis e que não desenvolvem NADA!

Isso é preconceito? Desculpem, mas que grande avanço e desenvolvimento econômico é trazido ao formar um monte de cozinheiros? Melhorar mão-de-obra? Sério? Quanta inovação se traz? Usar molho shoyo em bisteca ou criar molho secreto? Desculpem, minha avó faz coisa muito melhor. Enquanto países tentam criar novos Allan Turings, novos Einsteins, novos Lavoisiers etc, o Brasil quer arrumar sucessores da Ofélia e da Etty Fraser! E nem para isso têm competência. Bem, não conseguimos nem mesmo ter um congelador funcionando[3]

De acordo com o jornal O Globo, a falta da xepa, digo, de insumos ocorreu porque não houve interessados no processo licitatório obrigatório para a compra de alimentos. Isto significa dizer que o Brasil, o celeiro do mundo (cof… cof… cof…) não conseguiu um único fornecedor para arrumar COMIDA! Imaginamos o por quê: não rolou graninha para lá e pra cá. E como médio e pequeno produtor é tudo ferrado, não conseguiriam negociar uma negociata direito. Os grandes produtores já têm clientela cativa e não sentiram interesse em fornecedor para o governo, o que sabemos não ser lá uma boa ideia.

Num mundo perfeito, a UFRJ poderia juntar o curso de Cozinha ao de Agronomia e ambos estariam produzindo, colhendo e usando os alimentos. Claro, carnes seria algo mais complicado, mas já facilitaria muito. Hortas experimentais, campos cultivados etc. Mas não. Cada qual com seu feudo. Quando você não consegue um capiau fornecer para você, algo muito errado anda ocorrendo. O que eu sugiro? Fecha aquela bosta de curso, ora! Agora, os estudantes culinários estão tendo aulas de como cortar carne na base da teoria. Isso deve ser gozadíssimo.

— Atenção, alunos. Finjam que esta massinha de modelar é um contra-filé. Juntamos com aquele papel crepom que será a nossa "alface" e estes disquinhos de chopp são os tomates.

Até mesmo para padrões brasileiros isso é insano. E,m repito, cursinho de formar cozinheiro não é deveria ser oferecido numa instituição da UFRJ, que deveria fazer uma única coisa: P-E-S-Q-U-I-S-A!! Não é à toa que a produção científica brasileira é uma piada, o número de patentes obtidas é risível e nossos "profissionais" que injetam café com leite na veia[4]. Mas é a UFRJ, OHHHHHHHHHHH, é Federal, OOHHHHHHHHHHHH, coitadinho dos cozinheiros do futuro, OOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHHHHHH.

Se não temos um sistema de saúde decente, onde é preciso chamar médicos de fora para atender aqui, já que os formados não estão dispostos a cuidar de unheira e esquistossomose, formar cozinheiros deveria ser algo fora dos planos de formação profissional. Mas temos o culto da universidade, que ao invés de ser um meio, é o fim.

— Estou formado! E-BA! Agora posso ir batalhar muito e espalhar trocentos currículos para poder trabalhar num hotel e ficar rico! Rico! Rico!

Cada país define suas prioridades.

  • Pós 2ª Guerra: Alemanha arrasada —> Investiu em educação, ciência e tecnologia.
  • Pós bomba-atômica: Japão destruído —> Investiu em educação, ciência e tecnologia.
  • Pós Guerra da Coreia: Coreia do Sul —> Investiu em educação, ciência e tecnologia.
  • Brasil: Negócio é ocupar 55% das vagas nas universidades com analfabetos funcionais e patrocinar curso para formar cozinheiro de boteco.

Se eu for viajar, uso meu passaporte irlandês. Não quero passar vergonha.

3 comentários em “Alunos do curso de Gastronomia ficam impedidos de estudar por falta de comida. CUMA?

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