ONU acha que robô assassino é golpe sujo, faz mal, fede e engorda

O problema de ler certas notícias é o sorrisinho cínico que acaba se desenhando na gente. Se prostituição é a mais antiga das profissões, vendedor de armas é a segunda mais velha (a terceira é corretor de imóveis. Perguntem aos hebreus). Mas parece que o pessoal dos direitos humanos acham que esse negócio de usar máquinas autônomas prontas para mandar todos os "alemão"1 não é algo, digamos, muito legal. Mandar um mariner armado até os dentes não entrou na discussão.

Convenhamos, desde que Gronk cismou que Planga tinha ais bens do que ele (umas 3 pedrinhas e 5 frutinhas venenosas), a humanidade vem saindo na porrada entre si. Mudam-se os motivos (mulheres, carros, iates, mansões e 100 mil dólares), mas a vontade de passar o cerol no vizinho não passou. Só que se antes a gente jogava uma pedra no quengo dos outros, hoje usa-se uma railgun, que não difere muito de um estilingue, só que é mais maneiro e faz mais estrago (aliás, ele É mais maneiro PORQUE faz mais estrago, mas disperso-me).

Christof Heyns, é relator especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias. Ele chegou lá na ONU dizendo que esse negócio de robô matando humanos não é algo que deixe a gente feliz, principalmente se a intervenção humana for praticamente nula. Sério, eu não sei o que ele quer. Sei lá, um soldado sempre de plantão, fazendo pistolinha com a mão direita fazendo pew pew pew enquanto aperta o botão vermelho com a mão esquerda?

A alegação de Heyns é que as máquinas não têm moralidade e/ou mortalidade, e como resultado não deve ter poderes de vida e morte sobre os seres humanos, como coisa que elas pensam. Heyns, meu filho, para de ver o Exterminador do Futuro. Isso tá fazendo mal à sua cabecinha, camarada.

Durante a Guerra do Golfo, era muito comum o chamado "Fogo Amigo", onde algum caipira resolvia que o que aparecia na frente dele era alvo e sentava o dedo em cima, como reza a oração de São Nascimento. E se você acha que ataque de gente "muy amiga" é pouco comum, tá na hora de ler mais sobre isso.

A paranoia ludita agora é sobre os drones, como se todo aviãozinho de controle remoto fosse uma versão Gary Coleman do ED-209. Nisso, o pessoal dos direitos humanos querem que as máquinas tenham uma espécie de consciência social sobre o mal que estão fazendo, mediante instruções gravadas em seus célebros (aka "Morte aos humanos! Morte aos Humanos!"). Fica muito difícil querer um princípio ético numa mpáquina, quando n´s mesmos não conseguimos isso de forma ampla. Eu já tinha um postado um artigo onde pesquisadores estudavam como máquinas poderiam tomar decisões éticas.

Ninguém parou para debater sobre toneladas de bombas jogadas nas cidades alemãs, mas ainda ficam enchendo o saco até hoje com Hiroshima e Nagasaki. Ok, foi uma bela explosão atômica, mas nem chegaram perto do que foram os bombardeios a Bremen e Dusseldorf. Por que um drone teria que ser mais ético que um motherfucking B52? O que vocês preferem? Toneladas de bombas explodindo por toda uma cidade (sem a menor certeza de efetivamente estar acertando alvos militares (dica: não é esse o objetivo de qualquer forma) ou usar uma bomba inteligente que mande pras profundas o inimigo primaz, deixando a população inocente fora disso? Ainda assim não há resposta, pois sempre haverá danos colaterais. A melhor resposta seria não fazer guerra, mas Publius Flavius Vegetius Renatus iria discordar disso. Nesse ponto, Juvenal lhe lembraria que alguém tem que ser responsável pelos responsáveis.

Mais uma vez um impasse, pois não há resposta definitiva. Mas, uma coisa é certa: independente de ser uma máquina autônoma ou não, todos os nossos constructos acabam sendo apenas um reflexo de nossa necessidade. Nem que esta necessidade seja mandar o quitandeiro pra vala.

1 Em português favelístico do Rio de Janeiro, "alemão" é inimigo. Se você nasceu em Berlim, ao chegar aqui diga que seu nome é Bozo da Silva.


Fonte: Guardian

4 comentários em “ONU acha que robô assassino é golpe sujo, faz mal, fede e engorda

  1. Muito interessante este artigo, aliás, todos os quais tive oportunidade de ler o são. Em relação às máquinas autônomas, penso que em meio a um conflito armado, não saberão distinguir civis de militares, já que seus objetivos são invadir,atacar e conquistar, assim todos que estiverem à sua frente serão aniquilados. Um soldado saberá a diferença,mas creio eu que o prazer que se sente em matar falará mais alto que questões éticas ou morais. A ONU deveria se posicionar contra quaisquer tipo de guerra, mas a mesma é necessária. Com ou sem robô sempre haverá derramamento de sangue. Pensar nisso, posicionando contra ou a favor é querer se promover como fez Heyns. Ingênuos são aqueles que pensam ele está preocupado com os cidadãos de bem.

  2. Terceirizar é a resposta para tudo_
    Homer J. Simpson: sobre robôs fazendo guerra,
    esta parece ser uma tendência universal da nossa época

  3. Por favor, instalem uma consciência HAL 9000 nesses aviões… Só acho que seria a melhor opção porque seria a mais divertida.

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