Grandes Nomes da Ciência: Aidan Dwyer

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O menino que não gostava de inverno sempre pensou que esta era uma das piores estações do ano. Ele sempre o imaginou como sendo algo lúgubre, escuro… Os dias curtos e as longas e frias noites causam arrepios, não só pela baixa temperatura, mas pelo medo ancestral. Ainda assim, os fantasmas só existem em nossas mentes e quando o jovem visitou as montanhas Caskill, a noroeste da cidade de Nova York, ele viu algo nas árvores que seria a chave para o aumento da eficiência de células solares.

Aidan Dwyer tem apenas 13 anos de idade, mas isso não o impede de observar o mundo que está à sua volta. Ele sabe relacionar o que vê e procura a chave para matematizar o que seu cérebro encontra pela frente. Foi assim quando ele visitou as montanhas Catskills. Ao chegar lá, ele observou bem a disposição dos galhos das árvores,  e eu imagino como o passeio devia estar chato para ele se dar a este trabalho. Aidan ficou intrigado com os galhos e, na falta de coisa melhor para fazer, contou os galhos. Isso seria a principal engrenagem de sua ideia.

Pequeno mestre Dwyer percebeu que as árvores não crescem ao acaso. A evolução biológica (mal aí, gente!) preferiu dar um prêmio às plantas que possuíssem as melhores adaptações. O prêmio é simplesmente continuar a existir. Sendo assim, plantas que possuíssem a melhor adaptação que lhe desse vantagem sobre as demais estaria em franca dianteira na corrida pela continuação da espécie. Para tanto, sua eficiência em gerar energia, através da síntese de seu próprio alimento (você sabe que seres vivos fotossintetizantes são autótrofos, não sabe?), estaria sempre em maior vantagem. Dessa forma – e levando em consideração que na fotossíntese aproveita-se a energia luminosa –, seres que possuam uma melhor forma de captação de energia luminosa.

Pessoas comuns olham para as árvores e as admiram. Pessoas com um toque especial (e eu não uso a palavra "especial" para servir de sinônimo a pessoas com alguma deficiência) olham tudo de outra maneira. Não que deixem de admirar as árvores, por exemplo, mas as admiram pelo que é visível aos olhos, mas passa desapercebido. Aidan é um garoto assim. Ele reparou que os galhos não crescem de maneira aleatória, e sim de uma forma matematicamente elegante. Os ramos crescem de acordo com a sequência de Fibonacci. Como estou com preguiça de fazer um resumo sobre isso, leia AQUI que eu espero.

Leu? Então vá lá e leia. Não tenho todo o tempo do mundo.

Agora foi? Ótimo!

Aidan viu que os galhos crescem numa maneira que as folhas possam captar melhor a luz do Sol, porque foi para isso que se desenvolveram (não, as folhas não são o "pulmão da planta", como a tia Teteca lhe ensinou no colégio). Assim, crescendo numa sequência crescente (sim, saiu estranho) e de forma espiralada.

Ok, e daí?

E daí? Você quer mais do que descobrir isso por si só, sem precisar que algum botânico dissesse?

Sim, quero.

My pleasure! Aidan é bom em matemática e em pesquisa. Logo, soube juntar 2 mais 2. Ele construiu uma ferramenta de teste para medir o padrão espiral de diferentes espécies de árvores. Usou um tubo de plástico transparente preso a dois transferidores circulares. Com o auxílio de uma bússola, Aidan mediu a angulação de cada galho, sem nem precisar medir NO galho. Isto é. Ele usou o tubo de plástico como se fosse uma maquete da árvore, e montou os galhos mediante o padrão que encontrava ao olhar para cima, orientando-se pela bússola. Fico imaginando se eu não visitei a mãe desse menino em alguma aventura passada. Como minha vida pregressa não é de interesse mundial, ficamos com o caso de Aidan, que ao medir a sua maquete de árvore, verificou a disposição dos galhos mediante a sequência de Fibonacci. Hipótese comprovada.

Agora, vem o melhor. Se ao pensar sobre a disposição dos galhos, Aidan viu que isso trazia vantagem às plantas, que tal aplicar esta vantagem em outro sistema que se aproveite de luz solar? Exemplos não faltam e o melhor deles são os painéis solares, para conversão em eletricidade. Hipótese estabelecida, hora dos testes. Aidan construiu outra "réplica" de árvore, com angulações variando em 137°, só que ao invés de usar papelão ou cartolina, ele usou painéis como "folhas". O pico de produção do modelo foi de 5 volts, onde o projeto inteiro copiou o padrão de um carvalho, tanto quanto possível.

Os pais desse menino devem estar super-orgulhosos, e dane-se se isso é pecado! Um garoto de 13 anos deu um salto em termos de pesquisa científica, que nossos alunos no Brasil dificilmente conseguirão. Claro que nem todos os alunos dos EUA têm um desempenho assim, mas lá é diferente daqui, pois jovem mestre Dwyer foi reconhecido pelo American Museum of Natural History com o Prêmio Jovem Naturalista. No Brasil não temos essa cultura de premiar jovens cientistas. Preferimos desalojar cientistas adultos e despejá-los na rua que nem lixo.

Enquanto Aidan estava fazendo seus estudos, igrejas lotadas de grupos jovens estavam… bem, estavam fazendo o que sempre fazem. O problema não é ter sempre um livro na mão. É ter o livro certo. Nas palavras de jovem mestre Aidan Dwyer, um dos Grandes Nomes da Ciência: "a melhor parte do que eu aprendi foi que, mesmo nos dias mais sombrios do inverno, a natureza é ainda a tentar dizer-nos os seus segredos!"

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Sobre André Carvalho

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